“Justiceiros” imolam Aécio Neves para blindar Geraldo Alckmin

Houve um tempo na política brasileira (a República Velha, de 1898 a 1930) em que os presidentes do país eram escolhidos com base na “política do café com leite”, articulada no pacto firmado entre as oligarquias regionais e o poder federal.

A denominação “café com leite” referia-se à alternância entre presidentes oriundos de São Paulo e Minas Gerais, respectivamente, sob o mando econômico dos fazendeiros cafeicultores (paulistas) e de gado (mineiros).

Mutatis mutandis, o PSDB, herdeiro da tradição política conservadora, dividiu-se entre os tucanos da avenida Paulista e os de Minas Gerais.

No plano geral do golpe, o PSDB mineiro está fora do jogo. Aécio Neves será imolado e seus restos jogados na cova dos leões.

Réu no Supremo Tribunal Federal (STF) e alvo de novas denúncias, Aécio Neves é carta fora do baralho.

A estratégia agora consiste em eliminar o mineiro e blindar o paulista tucano-mor Geraldo Alckmin.

Aécio serviu para fazer o trabalho sujo de 2014… Não presta mais. Tido como playboy e associado ao suposto uso de drogas, o jovem político mineiro já é passado.

O presente e o futuro estão com Geraldo Alckmin, o “príncipe” do tucanato, nome que mais incorpora o sentimento da burguesia paulista do antigo café, agora Fiesp, Febraban e do agronegócio.

A Lava Jato limpa o terreno para entregar o país à avenida Paulista, onde está o núcleo duro do capital rentista, industrial e dos velhos ruralistas repaginados com o bordão “o agro é pop”.

Não se iluda com essa onda justiceira que promete “pegar” o PSDB. Aécio Neves é boi de piranha.