As críticas da extrema direita ao desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, em homenagem a Luiz Inacio Lula da Silva, tem várias explicações em um contexto geral.
A primeira é uma obviedade. O fascismo opera com a estética da destruição, repudiando tudo aquilo que é criativo.
Em segundo lugar, vem a repulsa do fascismo a todas as formas de sensualidade. O Carnaval, uma festa erótica, em que os corpos falam, é um insulto ao conservadorismo.
Uma terceira objeção está na liberação da fantasia e do sorriso. As manifestações de alegria, a exaltação de felicidade, as emoções liberadas à flor da pele não condizem com a lógica fascista alimentada pelo ódio permanente.
Outro componente é o fato de o Carnaval ser uma festa popular e os desfiles das escolas de samba fazerem sempre alusões à África. O progagonismo do povo preto e a religiosidade afrodiaspórica, exaltando divindades pretas, mexem nas raízes preconceituosas mais profundas do racismo.
Em síntese, o repúdio da extrema direita ao desfile da Acadêmicos de Niterói não foi apenas por ódio a Lula. Trata-se de uma intolerância generalizada contra o Carnaval preto, popular, sensual e criativo.