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A técnica narrativa de Maksim Górki na obra “Infância”

Obra clássica da literatura russa, e universal, “Infância”, de Maksim Górki, produz uma especial fruição na leitura pela forma simples e elegante utilizada pelo autor para descrever e narrar cenas pesadamente dramáticas. Logo na abertura, Górki monta o quadro trágico da morte do seu pai e do parto da sua mãe, dando à luz um irmão que, logo logo, morreria também.

“No quarto acanhado e escuro, no chão, ao pé da janela, meu pai está deitado, vestido de branco e extraordinariamente comprido; os dedos dos pés descalços estão abertos de um jeito estranho, os dedos das mãos carinhosas, deitadas em sossego sobre o peito, também estão retorcidos; seus olhos alegres estão pesadamente cobertos pelos discos pretos das moedas de cobre, o rosto bondoso está escuro e me assusta, com os dentes arreganhados de um jeito ruim.

[…]

Eu nunca tinha visto adultos chorarem e não entendia as palavras ditas e repetidas pela avó:

— Diga adeus ao seu pai, nunca mais vai vê-lo, morreu, meu querido; não estava na idade, ainda não era a hora dele…

[…]

De repente, com dificuldade, a mãe levanta-se depressa, logo se abaixa de novo, cai de costas, espalhando os cabelos pelo chão; seu rosto branco e desfigurado ficou azul e, com os dentes arreganhados, como os dentes do pai, ela fala, numa voz terrível:

— Fechem a porta… Aleksiei, para fora!

Depois de me empurrar para trás, a avó se atira para a porta e desata a gritar:

— Meus amigos, não tenham medo, não se ofendam, vão embora, em nome de Cristo! Não é cólera, ela vai dar à luz, desculpe, minha gente!

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