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A potência do silêncio em Maksim Górki

O silêncio não significa exatamente ausência. Ele pode ser preenchido por múltiplos sentidos, como o trecho abaixo, do clássico “Infância”, de Maksim Górki, obra primorosa da literatura russa e universal.

A cena refere-se à visão das personagens Ciganinho e do próprio Górki, em um fim de tarde.

“Era bom ficar calado com ele, junto à janela, me apertar a ele e ficar uma hora inteira sem falar nada, observando como, no céu vermelho do entardecer, em torno das cúpulas douradas, em forma de cebola, da igreja da Assunção, as gralhas negras esvoaçavam, rodopiavam, levantavam voo para bem alto, baixavam e, de repente, depois de parecerem cobrir com uma rede preta o céu que aos poucos se apagava, desapareciam nao se sabia onde, deixando um vazio atrás de si. quando a gente vê isso, não tem vontade de falar nada, e uma melancolia agradável enche o peito.” (Górki, Infância, Abril Coleções Clássicos, 2010, p. 32