“Nestas margens do Xingu, o presidente dá início à construção da Transamazônica, numa arrancada histórica para a conquista e a colonização deste gigantesco mundo verde”.
A frase acima está inscrita em uma placa no toco de uma castanheira centenária, de 50 metros de altura, em Altamira, no Pará, derrubada para demarcar o início da “colonização” da Amazônia pela ditadura militar.
O ano era 1970. A placa foi inaugurada e aplaudida pelo então general ditador Emílio Garrastazu Médici, celebrando o marco da depredação do maior bioma do planeta.

Assim, o toco da castanheira passou a ser conhecido como “o pau do presidente”.
Iniciava-se ali BR-230, conhecida como Transamazônica, obra até hoje sem conclusão.
A estrada era parte do Plano Nacional de Integração (PIN), criado pela ditadura militar sob o lema “integrar para não entregar”, no contexto da doutrina de segurança nacional.
Os militares prometiam ocupar a Amazônia para proteger o território de supostas ameaças estrangeiras, emoldurando o discurso nacionalista.

Durante a construção da estrada, milhares de indígenas foram dizimados.
De lá para cá, o território amazônico, sob os auspícios dos ditadores, foi invadido, violado e depredado por madeireiros, latifundiários e grandes projetos de mineração.
Esse foi o resultado da colonização predatória de um dos maiores patrimônios do Brasil.
É sempre importante lembrar: tudo começou com os militares!
E os seus descendentes da exrema direita estão vivos e agindo. Um deles, Paulo Figueiredo, neto do presidente João Batista Figueiredo, é um dos principais ativistas do bolsonarismo e defende a volta da ditadura militar no Brasil.