Freddie Mercury nasceu em Zanzibar. Onde fica esse lugar?

Batizado Farrokh Bulsara, o lendário vocalista do Queen, Freddie Mercury, nasceu em 1946, no arquipélago de Zanzibar, formado por duas ilhas localizadas na costa leste da África, nas águas do oceano Índico.

As ilhas pertencem ao território da Tanzânia, país unificado em 1964 após uma série de conflitos e milhares de mortos, passando a ser denominado oficialmente República Unida da Tanzânia e faz limites com Uganda, Moçambique, Ruanda, Burundi e Congo, entre outras nações.

Imagem de Stone Town ou Cidade de Pedra, onde nasceu Freddie Mercury
Imagem: iStock capturada nesse site

Os pais de Farrokh Bulsara eram “parsis”, um povo indiano de origem persa. Eles mudaram para Zanzibar quando a ilha ainda era o Protetorado Britânico de Zanzibar, onde Farrokh nasceu, em 1946. Na infância, ele foi enviado à Índia para estudar.

Antes de ser incorporada à Tanzânia, o território de Zanzibar foi dominado por vários povos e recebeu diversas influências culturais de africanos, árabes, indianos, alemães e ingleses.

O azul de Zanzibar

Uma das letras mais famosas do compositor Fausto Nilo e Armandinho, gravada pelo grupo A cor do som, faz referência à ilha de Zanzibar. (leia aqui)

Eu uma entrevista à rádio Senado, Fausto Nilo (foto), autor de letras clássicas da Música Popular Brasileira (MPB), celebrizadas por diversos intérpretes em versos cravados na nossa memória fonográfica, revela curiosidades sobre a música Zanzibar.

Veja letra abaixo:

“No azul de Jezebel no céu de Calcutá, feliz constelação
Reluz no corpo dela, Ai tricolor colar!
Ás de Maracatu no azul de Zanzibar
Ali meu coração zumbiu no gozo dela”

[…]

Aliás, bazar da coisa azul, meu only you
É muito mais que o azul de Zanzibar
Paracuru, o azul da estrela, o azul da estrela

[…]

No bairro Stone Town, reduto histórico da ilha de Zanzibar, foi construído um museu em memória de Freddie Mercury. Outras informações sobre a vida e a obra do artista podem ser vistas no filme Bohemian Rhapsody.

Breve vamos escrever sobre um memorável espaço cultural de São Luís denominado Zanzibar. Aguarde.

Imagem destacada / Freddie Mercury / capturada neste site

O artista e o Plano Diretor da cidade

Se você perdeu, ainda pode ouvir na rádio Senado uma entrevista antológica do compositor Fausto Nilo, autor de letras clássicas da Música Popular Brasileira (MPB), celebrizadas por diversos intérpretes em versos cravados na nossa memória fonográfica (veja abaixo):

Zanzibar, cantada pelo grupo “A cor do som”

Parceria de Fausto Nilo e Armandinho

“No azul de Jezebel no céu de Calcutá, feliz constelação
Reluz no corpo dela, ai tricolor colar!”

Pedras que cantam, na voz de Fagner

“Quem é rico mora na praia / E quem trabalha não tem onde morar”

Meninas do Brasil, por Moraes Moreira

Três meninas do Brasil, três corações democratas / Tem moderna arquitetura ou simpatia mulata”

Fausto Nilo é um dos nomes marcantes do movimento cultural denominado “O pessoal do Ceará”, formado por Ednardo, Amelinha, Belchior, Fagner e outros artistas e intelectuais emergentes a partir da década de 1960 na cena musical nacional.

Fortaleza 2040

Em plena atividade, Nilo tem na bagagem mais de 300 músicas compostas em quatro décadas de carreira e comemora seus sucessos tocados diariamente nas emissoras de rádio de todo o Brasil, além das exibições nos meios digitais.

Além de compositor, ele é arquiteto e participa ativamente do “Planejamento Estratégico e Participativo Fortaleza 2040”, lançado em 2014, reunindo setores representativos da capital cearense para pensar o futuro da cidade.

Fausto Nilo é um dos principais difusores do “Fortaleza 2040”, juntamente com outros artistas, profissionais de urbanismo, setores público e privado, intelectuais, grupos organizados dos mais variados segmentos e os parlamentos estadual e municipal.

A ideia geral é integrar o crescimento econômico aos patamares civilizatórios do planejamento urbano, que passa necessariamente pela qualidade de vida dos moradores da cidade.

O projeto é desenvolvido através de convênio entre a Prefeitura de Fortaleza e a Universidade Federal do Ceará (UFC), sob a coordenação da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura da UFC e acompanhado pelo Conselho da Cidade. A proposta vai incorporar iniciativas já elaboradas, como o Plano Diretor Participativo do Município de Fortaleza (PDPFor), Planefor e o Pacto de Fortaleza.

Todo o conteúdo acumulado nos diálogos para a elaboração do plano Fortaleza 2040 está armazenado neste site

Na entrevista à rádio Senado, Fausto Nilo falou com entusiasmo da sua condição de cidadão, urbanista e artista integrado a um projeto fundamental para planejar Fortaleza menos desumana até 2040. Ele, na condição de ícone musical, é um dos promotores e incentivadores do sonho de outra cidade, no rol de outros tantos artistas, urbanistas e intelectuais fortalezenses.

O Ceará é fruto de uma cultura política autoritária, igual ao Maranhão, mas existem diferenças abissais entre os dois estados.

Olhando para nossa “vizinha” Fortaleza planejando o futuro, fico aqui pensando no enorme atraso político e cultural de São Luís, uma cidade provinciana e retrógrada que passou os últimos 30 anos sob domínio do mesmo grupo político e não conseguiu sequer colocar asfalto decente nas principais avenidas da cidade.

E o mais grave: São Luís transformou o Plano Diretor em um objeto de lobby dos empresários da construção civil e do setor industrial, sem a participação da população.

A entrevista de Fausto Nilo, além de ser uma antologia da MPB, é uma referência para comparar o enorme atraso de São Luís em relação às outras capitais do Nordeste.

Enquanto Fortaleza planeja para daqui a duas décadas, a nossa velha cultura política provinciana ludovicense está a eleger prefeitos em campanhas marcadas por inauguração de praças, operações tapa-buracos, capina de matagal e pintura de meios-fios.

Vivemos mesmo no fim do mundo.

Imagem destacada: Fausto Nilo posa ao lado de gramofone / Imagem capturada no site da rádio Senado