Obra de Aluísio Azevedo, “O Mulato” ganha versão em quadrinhos e será lançada na Feira do Livro de São Luis

Adaptação tem roteiro de Iramir Araujo e ilustrações de Ronilson Freire

Por uma feliz sincronicidade do destino, “O Mulato”, obra prima de Aluísio Azevedo, adaptada para os quadrinhos por Iramir Araujo terá lançamento durante a 13ª Feira do Livro de São Luís (FeLiS), ano no qual o romancista, contista, cronista, diplomata, caricaturista e jornalista maranhense é o grande homenageado do evento. O lançamento, com bate papo  e noite de autógrafos será neste domingo, 20 de outubro, à partir das 19h, no espaço Casa do Escritor.

O livro, publicado pela Editora 7 Cores, com patrocínio da Equatorial Energia, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Maranhão, chega ao público numa bela e impactante arte de Ronilson Freire, impresso em papel pólen, formato 17x24cm, 130 páginas, P&B e capa colorida, após mais de dois anos de pesquisa e roteirização. “É uma obra atemporal, e por isto mesmo, profundamente contemporânea, que sinto que deveria ser lida por todos. Por isso a opção de quadrinizá-la, porque além de permitir a possibilidade de uma maior democratização da literatura de um dos maiores escritores do Brasil, mesmo que por meio de uma adaptação, também é uma forma de preservar e valorizar uma obra genuinamente maranhense, por meio dos costumes, do cenário político e social da época, possibilitando um paralelo com os dias atuais”, explica Araújo.

Lançado em 1881, o romance original de Azevedo inaugurou o “Naturalismo” no Brasil, gênero literário do qual o autor é precursor no país. Na época de seu lançamento, “O Mulato” causou rebuliço, principalmente no Maranhão, por tratar de questões raciais de forma crua e detalhadamente descritas, e por sua crítica explícita à igreja e ao clero maranhense. Na obra, o mulato Raimundo retorna da Europa após formar-se advogado. No Maranhão ele desperta a paixão da prima Ana Rosa, uma jovem ingênua e sonhadora. O namoro dos dois, no entanto, não progride por causa da origem do rapaz. Mesmo rico, advogado, educado e com um futuro promissor, ele carrega uma grande sina: ser filho de uma negra escravizada, o que para a sociedade maranhense de então era um pecado mortal.

Ambientado num Brasil escravocrata, o romance chocou a sociedade, que não gostou de se ver retratada na obra. Hoje, passados 138 anos de sua primeira edição, o que teria “O Mulato”, de tão atual? Para Iramir Araujo, certas formas de pensamentos e ações continuam arraigadas em uma parte considerável da população brasileira. “Infelizmente continuamos, nos dias de hoje, debatendo formas de trabalho análogas à escravidão, preconceitos raciais, religiosos e ideológicos. A hipocrisia religiosa, por exemplo: muita gente continua fazendo vítimas em nome de um Deus muito cruel. Tudo isto continua muito presente no cotidiano da nossa sociedade”, analisa.

Outros lançamentos – Com uma agenda previamente definida, O Mulato em quadrinhos será lançada em novembro, mês da Consciência Negra, no Espaço Cultural Maria Firmina dos Reis, no Centro de São Luís, e no dia 6 de dezembro na CCXP-2019 em São Paulo

“Pretendemos levar O Mulato em quadrinhos ao maior número possível de pessoas, por isso estamos com uma agenda previamente definida até o final do ano. Mas por hora, eu gostaria de convidar as pessoas para visitarem a FeLiS. É um evento singular, que movimenta o cenário cultural e literário do nosso Estado, e para mim será uma honra lançar “O Mulato em quadrinhos” na Feira, bem como um imenso prazer bater um papo com quem aparecer por lá”, convida o autor.

Serviço

O que: Lançamento de “O Mulato” em quadrinhos

Quando: dia 20 de outubro de 2019

Onde: Espaço Casa do escritor –  14ª FeLis – Multicenter Sebrae

Horário: 19h

Valor: evento gratuito; livro: R$ 35

Contato para entrevista: (98) 98899-8214 – Iramir Araujo

Comunicação e resistência: vem aí o 25º Curso Anual do NPC

De 19 a 24 de novembro, acontecerá no Rio de Janeiro, a 25ª edição do Curso Anual do Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC). A edição que marca um quarto de século desse importante instrumento de formação de jornalistas e dirigentes de movimentos sindicais, sociais e populares irá discutir Comunicação, Arte e Resistência.

Na programação, temas como “Internet e a democracia”, “A esquerda e o uso da Internet”, “Comunicação dos Trabalhadores”, “Comunicação do Brasil”, “Trabalho, sindicatos e partidos políticos no século XXI”, “Os riscos de um fascismo à brasileira”, “Experiências em Comunicação Sindical e Popular”, “Memória: as greves de 1979”, “Individualismo: uma ideologia a combater” e “ A cultura na construção dos valores” irão contribuir para o debate sobre o papel da comunicação e das artes na luta e resistência da classe trabalhadora.

Além dos painéis, o curso oferecerá também oficinas de rádio, podcast, redação, oratória e produção de vídeo por celular. 

O Curso do NPC é referência para sindicalistas, jornalistas, militantes sociais, professores e estudantes de comunicação de todo o país, interessados em debater a comunicação de um ponto de vista contra hegemônico. Se constitui também como importante espaço de debate e formação continuada dos profissionais e dirigentes da comunicação sindical.

Confira no link abaixo a programação completa.

4º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação será realizado em São Luís

Essa semana São Luís vai sediar dois importantes eventos sobre liberdade de expressão, democracia, internet livre, mídia comunitária e alternativa, jornalismo e conjuntura política. Dia 17 de outubro (quinta-feira) será realizada a 22ª Plenária Nacional do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e a partir do dia 18 (sexta-feira) até domingo (20) acontecerá o 4º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação – ENDC.

As inscrições estão disponíveis aqui e todas as atividades serão realizadas na Faculdade Estácio, (rua Grande/Oswaldo Cruz, nº 1.455, Centro, São Luís-Maranhão).

Para saber mais sobre o FNDC, clique aqui.

Entre os palestrantes e debatedores estão os jornalistas Luis Nassif, editor do Jornal GGN; e Leandro Demori, editor-executivo do The Intercept Brasil, além de militantes, pesquisadores(as), estudantes, parlamentares, profissionais de mídia e as organizações da sociedade civil direta ou indiretamente vinculados ao FNDC, entidade organizadora das duas atividades.

A 22ª Plenária Nacional do FNDC, dia 17, é deliberativa e vai reunir delegados(as) representantes de Comitês Regionais e entidades nacionais filiadas.

O foco do ENDC e da 22ª Plenária Nacional do FNDC sintoniza a crítica à concentração dos meios de comunicação e aos oligopólios formados por grupos políticos e empresariais. Esse processo, segundo os especialistas, gera uma profunda desigualdade na produção de conteúdo jornalístico e de entretenimento nas emissoras de TV, rádio e na mídia digital.

Partindo dessa análise, desde os anos 1990 o FNDC sugere ao longo de várias teses a revisão da legislação e a implantação de um novo marco regulatório para as comunicações no Brasil, apontando parâmetros mais abertos e plurais na produção e distribuição dos bens culturais.

Um dos principais temas a ser debatido nos dois eventos é o fenômeno das fake news, com ênfase na revelação mais recente sobre o disparo em massa de mensagens falsas na campanha eleitoral para a Presidência da República, em 2018, no Brasil.

O coordenador executivo da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), Geremias dos Santos, será um dos palestrantes no painel temático “O papel da comunicação na resistência democrática.”

Veja abaixo a programação completa:

Evento: 22ª Plenária Nacional do FNDC

Data: 17 de outubro de 2019 (quinta-feira)

Hora: 14h às 18h

Local: Faculdade Estácio

Evento: 4º Encontro Nacional pelo Direito à Comunicação (ENDC)

Dada: 18 a 20 de outubro de 2019

Sexta-feira (18 de outubro)

9h às 12h – Painéis Temáticos do 4º ENDC – Parte 1

Tema: O papel da comunicação na resistência democrática

Paulo Salvador – diretor da TVT e coordenador da Rede Brasil Atual (RBA)

Geremias dos Santos – presidente da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço)

Werinton Telles – vice-presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCom)

Kátia Passos – jornalista, uma das fundadoras da rede Jornalistas Livres

Tema: Violação de Direitos Humanos na Mídia

Ana Potyara – diretora da Andi Comunicação e Direitos

Ana Veloso – professora da Ufpe e coodenadora do Observatório Mídia

Eugenia Gonzaga – Procuradora-regional da República e ex-presidente da Comissão Nacional sobre Mortos e Desaparecidos Políticos

Tema: O monopólio da mídia e o ataque aos direitos sociais

Ricardo Alvarenga – professor da Faculdade Estácio de São Luís

Vinicius Santos Soares – diretor de comunicação da ANPG

Luís Nassif – jornalista, analista político e editor do Jornal GGN

Tema: O papel da cultura na resistência democrática

Joãozinho Ribeiro – cantor, compositor e poeta maranhense

Manoel Rangel – cineasta e ex-diretor-presidente da Ancine

Émerson Maranhão – diretor de cinema

12h às 13h30 – Intervalo

13h30 às 17h30 – Painéis Temáticos do 4º ENDC – Parte 2

Tema: Comunicação pública como promotora da diversidade e pluralidade

Flávio Gonçalves – diretor-geral das emissoras públicas TVE Bahia e Rádio Educadora FM

Melissa Moreira – professora de Comunicação Social da UFMA

Mara Régia – jornalista e apresentadora do programa Viva Maria, da Rádio Nacional de Brasília

Juliana Cézar Nunes – coordenadora-geral do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) e integrante da Cojira-DF

Tema: Fake news: a desinformação como tática politica

Iara Moura – diretora do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social

Maria José Braga – presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

Márcio Jerry – jornalista e deputado federal, ex-secretário de Comunicação Social e Assuntos Políticos do Maranhão

Tema: Proteção de comunicadores em tempos de autoritarismo

Artur Romeo – jornalista, coodenador de comunicação do escritório para a América Latina da Repórteres Sem Fronteiras (RSF)

Angelina Nunes – jornalista, mestre em Comunicação e ex-presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

Thiago Firbida – coordenador do programa de Proteção e Segurança da Artigo 19

Josiane Gamba – coordenadora da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos (SMDH)

Tema: A mídia, a operação Lava Jato e a destruição do Estado Democrático de Direito

Fábio Palácio – professor do Departamento de Comunicação da UFMA

Maria Inês Nassif – jornalista, uma das autoras do livro “Relações Obscenas”, que analisa as revelações da Vaza-Jato

Silvio Luiz de Almeida – jurista, pós-doutor em Direito pela USP

19h – Ato Político em Defesa da Liberdade de Expressão

Sábado, 19 de outubro

9h às 10h30 – Conferência “Os desafios para o exercício da liberdade de expressão numa sociedade hiperconectada”

Nick Couldry – sociólogo e professor da London School of Economics and Political Science (por videoconferência)

10h30 às 12h30 – Conferência “A naturalização e institucionalização da censura no Brasil”

Leandro Demori – editor-executivo do The Intercept Brasil

Dennis de Oliveira – professor livre-docente em Jornalismo, Informação e Sociedade da ECA/USP

Renata Mielli – coordenadora-geral do FNDC

12h30/14h – Intervalo

14h às 16h – Conferência “Democracia roubada – discurso de ódio, desinformação e as plataformas monopolistas digitais”

Martín Becerra – professor titular das Universidades de Quilmes (UNQ) e de Buenos Aires (UBA)

Sérgio Amadeu – sociólogo, doutor em Ciência Política pela USP e professor da Ufabc

Lola Aranovich – professora da UFC e autora do blog Escreva Lola Escreva

Ana Claudia Mielke – secretária-geral do FNDC e diretora do Coletivo Intervozes

19h – Programação cultural

Domingo, 20 de outubro

9h às 11h – Rodas de conversa temáticas

11h – Cerimônia de Premiação da Campanha de Vídeos Internet Direito Seu!

11h30 às 12h30 – Leitura e aprovação da Carta de São Luís

13h – Encerramento do 4ºENDC

Caixas misteriosas apareceram na mesma praia onde encalhou o navio Baraka, no litoral do Maranhão

A praia de Saçoitá, no município de Cedral, a 193 Km de São Luís, ficou conhecida em março de 2017, quando o navio Baraka, de bandeira desconhecida, atracou sem tripulantes e virou um mistério para as autoridades da Marinha do Brasil e da Polícia Federal, que até hoje não descobriram a origem da embarcação.

Baraka ficou conhecido como “navio fantasma” na praia de Saçoitá.
Imagem capturada de celular / Ed Wilson Araújo

Sem tripulação nem vigilância, o navio ficou vulnerável. Logo após o encalhe, o Baraka virou atração “turística” e também foi saqueado pelos moradores das proximidades. Na mesma praia, no começo de 2019, começaram a encalhar as caixas misteriosas que apareceram em várias orlas de cidades do Nordeste, inclusive São Luís, capital do Maranhão.

As caixas podem ser observadas ao longo de toda a costa de Saçoitá, algumas totalmente expostas e outras semienterradas na areia, mas não despertaram tanta curiosidade quanto o Baraka.

As caixas estão “encalhadas” ao longo de toda a orla de Saçoitá.
Foto: Marizélia Ribeiro

Revelação

O mistério das caixas emborrachadas começou a ser desvendado pelos pesquisadores da Universidade Federal do Ceará, do Instituto de Ciências do Mar (Labomar). Eles revelaram que os objetos estavam alojados em um navio alemão denominado “SS Rio Grande”, afundado em 1944, durante a II Guerra Mundial.

Caixas enfileiradas ao longo da praia de Saçoitá. Foto: Marizélia Ribeiro

O alemão SS Rio Grande usava um nome brasileiro para não ser percebido com facilidade pelos inimigos, mas foi abatido pelos Estados Unidos, naufragou em 1944 e descoberto em 1996, a cerca de 1.000 quilômetros do litoral, pelo oceanógrafo inglês David Mearns.

Os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir a finalidade das caixas.

Mistérios de Saçoitá

Saçoitá é uma praia semideserta com uma extensão de aproximadamente sete quilômetros e pode ser acessada com a orientação de guias no povoado Pericaua, próximo à sede do município de Cedral. Apenas proprietários de ranchos de pescadores artesanais frequentam Saçoitá e os barracões de madeira e palha passam a maior parte do tempo desocupados.

Pescadores utilizam os “ranchos” como ponto de apoio em Saçoitá.
Foto: Marizélia Ribeiro

Ao longo da orla, onde já encalharam o Baraka e as caixas do navio SS Rio Grande, podem ser observados diversos objetos de variadas origens, provavelmente arrastados pelas correntes marítimas.

Os ranchos na praia de Saçoitá são mais utilizados nos dias de pescaria.
Foto: Marizélia Ribeiro

Embora seja uma praia sem fluxo de moradores e turistas, acumula bastante lixo trazido pelo mar como sobras de eletrodomésticos, colchões, metais, plástico e um sem número de pequenos artefatos ao longo de toda a orla.

Veja abaixo outra reportagem sobre o navio Baraka.

Baraka, meses após aparecer em Saçoitá, era atração turística.

De São Luís a Santarém: porto do Cajueiro integra o megaprojeto Arco Norte

Rogério Almeida e Ed Wilson Araújo

12 de agosto de 2019 foi um dia mais violento para os moradores do Cajueiro, área cobiçada para a implantação de um novo porto em São Luís, empreendimento bilionário liderado pela CCCC (China Communications Construction Company) com a participação da WPR-São Luís Gestão de Portos e Terminais, braço do grupo WTorre. Atual TUP (Terminal de Uso Privado) Porto São Luís S/A, o investimento inicial é de R$ 800 milhões do total de R$ 2 bilhões previstos para o total da obra.

Naquela segunda-feira tensa, o Batalhão de Choque da Polícia Militar amanheceu na zona rural de São Luís dando proteção para o cumprimento da reintegração de posse expedida pelo Tribunal de Justiça do Maranhão em favor da WPR. Enquanto os tratores derrubavam casas e arrancavam árvores, a força policial reprimia os moradores e lideranças dos movimentos sociais que resistiam a mais uma etapa de expansão dos empreendimentos portuários na capital do Maranhão.

Os moradores despejados pela manhã, apoiados por ativistas, acamparam à noite na porta do Palácio dos Leões, sede do governo do Maranhão, e de lá foram expulsos pelo Batalhão de Choque que usou os mesmos métodos aplicados em Cajueiro: bombas de efeito moral, spray de pimenta, balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Pelo tamanho da violência se pode medir a dimensão do empreendimento. Os chineses fincaram os pés no Maranhão pensando longe, na conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico, passando pelo Canal do Panamá, para alcançar a Ásia.

Minério e grãos em geral vão transitar nos grandes mercados internacionais pelo Arco Norte, projeto conectado à expansão da logística portuária e aos modais de transporte nos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará e Maranhão.

O terminal localizado em Cajueiro vai integrar o Complexo Portuário de São Luís (CPSL), onde já está instalado o porto público do Itaqui e os terminais privados da Vale e da Alumar. Pela sua posição geográfica, a capital maranhense tem condições de navegabilidade para os maiores navios cargueiros do mundo, através da baía de São Marcos.

O gigante Arco Norte

Arco Norte visa conexão ao Canal do Panamá, que liga os oceanos Atlântico e Pacífico

A edificação de complexos portuários na região Norte é um dos “pratos” do indigesto cardápio oferecido às populações tradicionais na bandeja da agenda de desenvolvimento do governo federal. Isto desde idos governos do PT. Vide Belo Monte, na cidade de Altamira, no sudoeste do Pará.

Além dos portos, constam no menu estações de transbordo de cargas (ETCs), modais de transportes (rodovias, hidrovias e ferrovias), bem como a construção de grandes e pequenas hidroelétricas. “É um projeto de morte”, adverte a líder indígena do Baixo Amazonas, oeste paraense, Alessandra Munduruku, estudante do curso de Direito da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).

Tais projetos, marcados pela concentração de capitais sob o controle de grandes corporações do mercado mundial, contam com as bênçãos do Banco Mundial e afins. Os mesmos estão formatados a partir da Iniciativa de Integração Infraestrutura Sul-Americana (IIRSA), que tem como rebatimento o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Tudo desenhado a médio e longo prazo.

Produtores de grãos do Mato Grosso – leia-se Grupo Amaggi – construtoras, megacorporações do quilate da Bunge, Cargil e Dreyfus, empresas de consultoria ambiental e mídia são alguns dos sujeitos interessados na pauta. Para não citar as mineradoras. No caso, o papo já é o sobsolo. 

Quando a Vale ainda era Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), o alto executivo Eliezer Batista, pai do big shot Eike Batista, foi o responsável pela consultoria do Arco Norte, que tinha como objetivo mapear as riquezas da região e sugerir as obras necessárias para acessá-las. Junte os pontos.

A opção desenvolvimentista ratifica a região como mera exportadora de produtos primários. No caso dos complexos portuários e modais de transporte, o objetivo reside em reduzir drasticamente os custos no escoamento da produção de grãos do Brasil Central, que em sua maioria converge para os portos de Santos, em São Paulo; e de Paranaguá, no Paraná.

Neste mar de tubarões do capital agromineral, emerge o Arco Norte com a missão de consolidar essa região do Brasil, o Baixo Amazonas em particular, como um grande corredor de circulação de mercadorias (commodities). Trata-se da manutenção da condição colonial da Amazônia.

Desde Cabral, e de forma sistemática a partir da ditadura civil-militar (1964-1985), as experiências desenvolvimentistas têm cimentado rodovias de violações de direitos humanos, indiferença às populações locais, destruição do meio ambiente, trabalho escravo, execuções de lideranças de diversos campos e genocídios na região.

É o que os doutos chamam de expropriação ou a pré-história da produção capitalista, que prima em: retirar das populações locais a terra e os recursos naturais, casas e ferramentas de trabalho que garantem a sua reprodução econômica, social, cultural e política, a exemplo de Cajueiro, na zona rural de São Luís, e tantos outros casos que constam nos anais de mais de 30 anos do Programa Grande Carajás. “Crescemos como rabo de cavalo”, ironiza o jornalista Lúcio Flávio Pinto.

Entenda o Arco Norte

O antropólogo Alfredo Wagner Berno de Almeida classifica o contexto como agroestratégias, onde o setor ruralista reivindica a remoção dos obstáculos jurídico-formais e político-administrativos [desregulamentação], que reservam áreas para fins de preservação ambiental ou para atender às reinvindicações de povos e comunidades tradicionais.

Nesse jogo de poder, o agronegócio tende a influenciar as políticas e planos do governo na localização de empreendimentos e na conversão de grandes extensões de terras à racionalidade da escala mundo de fluxos de mercadorias e capitais, entre outros itens.

O projeto Arco Norte representa o triunfo do agronegócio, com predominância para a figura de Blairo Maggi e seus pares organizados a partir da Associação Nacional de Exportadores de Cereais. A trupe visa incrementar uma nova logística intermodal de transporte para cargas e insumos com a utilização dos portos ao norte do Brasil, desde Porto Velho, em Rondônia, passando pelos estados do Amazonas, Amapá e Pará, até o sistema portuário de São Luís.

Formalmente a concepção do Arco Norte nasceu em 2016, sob a paternidade do Centro de Estudos e Debates Estratégicos Consultoria Legislativa (Cedes), uma instituição de assessoria do poder Legislativo federal. A relatoria coube ao ex-deputado federal Lúcio Vale (PR/PA), eleito vice-governador do Pará em 2018 na chapa liderada por Helder Barbalho (MDB). À época Flexa Ribeiro (PSDB/PA), parlamentar do setor de construtoras, fez paz com a Vale na elaboração no projeto. Oxalá, não foi reeleito ao Senado.

Logística do Corredor Arco Norte de Exportação

Fonte: Diagnóstico Socioeconômico e Ambiental da Região de Integração do Baixo Amazonas. Fapespa, 2015

Os complexos portuários só serão viáveis a partir da consolidação do modal de transportes. O documento do projeto Arco Norte defende que é necessário concluir a rodovia BR-163/PA (Cuiabá/MT-Santarém/PA), restaurar as rodovias BR-155/PA (liga Redenção a Marabá, no sudeste do Pará) e BR-158/PA (sul do Pará, região de Rio Maria). O sul e o sudeste paraense representam uma fronteira agromineral.  Lá estão os maiores rebanhos de gado do país e a mina de Carajás. Na mesma proporção agrega baixos indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), Índice de Educação Básica (Ideb), e, é líder nacional em violência no campo, desmatamento e trabalho escravo.

O projeto de integração física advoga ainda intervenções de adequação de capacidade na rodovia BR-364/RO (Porto Velho/RO-Comodoro/MT). Também é importante viabilizar a chegada da Ferrovia Norte-Sul a Barcarena (PA). O município situado ao norte do estado desde os anos 1980 conhece de perto todo tipo de violência por conta de um complexo industrial de alumínio: Albras/Alunorte, hoje sob o controle acionário da norueguesa Norsk Hidro, e outras empresas, como a Imerys (francesa). Ambas são responsáveis por vários crimes ambientais na região, que tem no portfólio o adernamento do navio de gado com 5 mil cabeças e 600 mil litros de óleo, em outubro de 2015.

A embarcação prestava serviço para a maior empresa exportadora de gado vivo do país, a Minerva Foods, sediada em São Paulo, na cidade de Barretos. Os principais destinos da carga são os mercados do Líbano, Venezuela e Egito. A Samara Shipping é a proprietária do navio. Ela contratou a Mammoet Salvatage, uma das principais empresas do setor no mercado mundial, para resgatar a embarcação. O comércio de boi em pé, como se diz no jargão do negócio, representa outro fator da nossa condição colonial. Ainda hoje os moradores de Barcarena e circunvizinhança compartilham os prejuízos ambientais, econômicos e sociais decorrentes do gado morto por afogamento e do óleo derramado.

Segue o fluxo, a consolidação do Norte como corredor de mercadorias exige a construção da ferrovia EF-170 (Ferrogrão). A China é o principal interessado.  A ferrovia, se implementada, deverá ligar o polo produtor do Mato Grosso aos terminais de Miritituba, na cidade de Itaituba, no Baixo Amazonas. A cidade antes era celebrizada pela atividade do garimpo.

Mapa do trecho deve ligar Lucas do Rio Verde/MT a Itaituba/PA

Fonte: Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil – MPAC

O projeto Arco Norte prescreve também a derrocada do Pedral do Lourenço, na região de Marabá, para viabilizar a navegação da bacia do Araguaia-Tocantins. O Arco Norte pleiteia ainda viabilizar a construção dos terminais privados em Miritituba e Vila do Conde/Barcarena/PA, além de dragar, balizar e sinalizar os rios Madeira e Tapajós. Além disso, computa a retomada do projeto da BR-210, que ligará Roraima, Pará e Amapá, viabilizando a integração comercial com as Guianas, o Suriname e a Venezuela.

No caso de Miritituba, os terminais já estão em operação. Neste complexo tabuleiro de interesses somam inúmeros problemas que passam pela grilagem de terras, acirramento de conflitos, rompimento de laços de solidariedade nas comunidades após o anúncio do empreendimento, aprofundamento da condição colonial da região e não reconhecimento de impostos por conta da isenção assegurada pela Lei Kandir, instituída no governo Fernando Henrique Cardoso, na década de 1990. Para coroar o bolo, tem-se como principal financiador o BNDES, com juros bem abaixo do mercado. Traduzindo: a sociedade financia o saque.

Porto à vista no Lago do Maicá

Maicá é uma região de várzea da cidade de Santarém, no Pará. Nele, a Colônia de Pescadores Z-20 estima que trabalham pelo menos 1.500 pescadores artesanais. Ele abriga ainda comunidades camponesas, indígenas e remanescentes de quilombos. É justo no rico e belo lugar, estudado e registrado por naturalistas ingleses há 200 anos, entre eles Henry Walter Bates – um naturalista no rio Amazonas – que e a empresa Embraps pretende construir um complexo portuário.

O conturbado projeto tem à frente o empreendedor Pedro Riva. A família dele opera no Mato Grosso desde o século passado em projetos de colonização crivados de acusação de grilagens de terra, como revelam pesquisas do professor Ariovaldo Umbelino de Oliveira, da USP (Universidade de São Paulo). São notórios ainda como políticos influentes de reputação duvidosa, a exemplo do ex-deputado José Riva (PSD), acusado por desvio de R$ 2 milhões da Assembleia Legislativa.

No processo de revisão do Plano Diretor a assembleia consultiva definiu pela não construção do complexo na região de lago. Decisão que a Câmara Legislativa, ao apagar das luzes do ano de 2018, em flagrante desrespeito ao processo público, atendendo ao setor do agronegócio, decidiu em favor do grande capital. Para entornar o caldo de vez, o prefeito de Santarém, Nélio Aguiar (DEM), sancionou a infâmia. 

Por estas e outras causas que anuviam o processo, o mesmo está judicializado. Neste mês a Justiça manteve o embargo da obra. Mesmo assim, um grupo desmatou a região com vistas a iniciar a construção ainda em 2019. A prática segue o mesmo modus operandi da Cargil, que nos anos de 2000 ergueu na frente da cidade o seu porto sem realizar o Eia-Rima (Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental).

Cajueiro é Amazônia

Batalhão de Choque da PM expulsa manifestantes na porta do Palácio dos Leões

Os métodos de grilagem de terras, expulsão de comunidades tradicionais, atropelamento dos ritos processuais e uso da força policial para varrer os territórios e entregá-los aos novos conquistadores são comuns em todas as situações onde estejam em jogo os portos e os modais de transporte de minério, grãos e similares para atender à expansão capitalista.

Em Cajueiro, tanto a concessão de licenças ambientais quanto a suposta venda do terreno para a construção do Porto São Luís S/A são investigados pelo Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Maranhão. Procuradores e promotores seguem o rastro de uma denúncia sobre um suposto esquema de grilagem para tomar ilegalmente as terras das comunidades tradicionais e dos antigos moradores do território.

Na década de 1980, a implantação da Vale e a Alumar em São Luís também foi marcada por conflitos com antigos moradores e deslocamentos compulsórios, gerando concentração de renda e exclusão social. Essa lógica de expansão capitalista reúne a maioria dos governos, prefeituras, tribunais de justiça, lobistas e parlamentos das três instâncias (municipal, estadual e federal) celebrando um consenso, mediante o discurso do desenvolvimento, da geração de empregos e do crescimento econômico.

Os resultados, no entanto, são adversos. Basta observar a cena da pobreza visível. No entorno da grande região portuária de São Luís, a área Itaqui-Bacanga, que reúne aproximadamente 60 bairros periféricos, a pobreza da maioria da população é vizinha das fortunas transportadas pelos navios em nome do superávit da balança comercial. Além desse desencontro, há o vertiginoso processo de poluição ambiental provocado pelos empreendimentos agregados à logística portuária e à Vale.

O atropelo das práticas republicanas no Lago do Maicá, em Santarém, segue a lógica do Brasil clientelista e fisiológico aplicado no Cajueiro. A violência perpetrada em 12 de agosto de 2019 pode ter outros episódios futuros. Em São Luís, a Câmara dos Vereadores está prestes a votar a proposta de revisão do Plano Diretor elaborado pela administração municipal.

A revisão do plano tem um alvo central: eliminar 41% da zona rural do município, justamente na área cobiçada para empreendimentos portuários e já sob influência da expansão dos negócios da Vale e da Alumar. Caso a revisão seja aprovada, serão subtraídos 8.643 hectares na zona rural do município, que passaria de 20.820 hectares para 12.177 hectares.

O território Cajueiro é composto por cinco pequenos núcleos: Parnauaçu, Andirobal, Guarimanduba, Morro do Egito e Cajueiro. Significa dizer que novos espaços podem ser cobiçados no plano de expansão portuária e industrial da capital do Maranhão.

Apruma em mobilização: Semana do Docente terá música, cinema e assembleia

Fonte: Site da Apruma

Na próxima terça-feira, 15 de Outubro, a Apruma (Associação dos Professores da UFMA, seção sindical do Andes-SN) apresenta, como parte da programação da Semana do Docente, o espetáculo “Milhões de Uns“, do cantor maranhense Joãozinho Ribeiro.

A apresentação, com as participações especiais de Fátima Passarinho e Josias Sobrinho, acontece às 17h30 no Auditório Principal do Centro Pedagógico Paulo Freire, no Campus do Bacanga.

Em tempos de ataques à democracia, a atividade realizada pela Apruma marca também os 40 Anos da Anistia e da Greve da Meia-Passagem, mobilizações históricas das quais o artista-militante foi testemunha e partícipe, fazendo da sua obra também um auto da liberdade de expressão e da necessidade de resistência.

A Apruma honrosamente chama a categoria a celebrar seu dia, em tempos também de duros ataques à Educação Pública, marcando a Nossa Semana com arte, cultura, vida e luta, elementos que estão interligados e fazem parte de nossa História!

Filme e Música

No dia seguinte, 16 de outubro, ainda como parte das comemorações do Dia do/a Professor/a, tem o lançamento do documentário do cineasta e professor Murilo Santos sobre a trajetória da Apruma, intitulado “40 Anos de Lutas e Conquistas“, com a participação de diversos docentes que ajudaram a construir essa história ao longo destas décadas.

Nesse dia (16), a programação começa às 18h, no Auditório Central da UFMA, também no Campus do Bacanga.

Além do filme, haverá exposição fotográfica, música ao vivo com a cantora Tássia Campos e coquetel de confraternização.

Luta

No dia seguinte às comemorações, todos e todas à Assembleia Geral da Apruma: dia 17, quinta-feira, às 17h, no Auditório Ribamar Carvalho, na Área de Vivência do Campos do Bacanga.

Na ocasião, será debatido o último Congresso da CSP-Conlutas e suas implicações, diante da conjuntura, para o Movimento Docente.

Semana do Docente – Agende-se:

Dia 15 – Show “Milhões de Uns”, de Joãozinho Ribeiro, com participações especiais de Fátima Passarinho e Josias Sobrinho – 17h30, Auditório Principal do Paulo Freire

Dia 16 – Lançamento do documentário “40 Anos de Lutas & Conquistas”, de Murilo Santos, com participação de diversas gerações de docentes da UFMA – 18h, Auditório Central, também no Campus do Bacanga

Dia 17 – Assembleia Geral – 17h, Auditório Ribamar Carvalho, Área de Vivência – Campus do Bacanga.

Prorrogação! Festival Maranhão na Tela recebe inscrições até 20 de outubro

Um dos maiores festivais de cinema do estado será realizado de 1º a 9 de dezembro e ampliará mais uma vez sua abrangência para estados das regiões Norte e Meio-Norte

As inscrições para a competitiva e a rodada de negócios da 12ª edição do Festival Maranhão na Tela devem ser feitas pelo site (www.maranhaonatela.com.br) até o dia 20 de outubro. Poderão ser inscritos filmes e projetos dos nove estados das regiões Norte e Meio Norte. Para a mostra competitiva, as inscrições são gratuitas, enquanto que para as rodadas de negócios variam entre R$ 120,00 e R$ 100,00.  Pelo segundo ano consecutivo a mostra terá abrangêcia paras as regiões Norte e Meio Norte e a realização de um ambiente de mercado, o Maranhão na Tela LAB. O festival foi idealizado pela produtora Mavi Simão em 2006 e é realizado pela Mil Ciclos Filmes.

Identidade visual – A identidade visual da edição deste ano é de Silvana Mendes, escolhida por uma curadoria entre vários artistas inscritos. Graduanda em Artes Visuais pela Universidade Federal do Maranhão, ela desenvolve um trabalho que busca investigar o cotidiano e a subjetividade do comum, resignificando símbolos e visualidades através da fotografia e colagem digital ou manual. Silvana Mendes também utiliza em seus trabalhos e colagens dispositivos móveis para produção fotográfica, usando como suporte o lambe.

MARANHÃO NA TELA 2019 

De 1º a 9 de dezembro

Inscrições abertas até 20 de outubro

Realização: Mil Ciclos Filmes

Patrocínio: Oi, Minc/Ancine/FSA

Mais informações: assessoria de imprensa – 98 981791113

Nesta quinta-feira: Apruma realiza assembleia geral

EDITAL DE CONVOCAÇÃO Nº 08/2019

Assembleia Geral Extraordinária

A Diretoria da APRUMA – Seção Sindical do ANDES-SN, nos termos do artigo 13 de seu Regimento, convoca os sindicalizados para Assembleia Geral Extraordinária, no dia 10 de outubro de 2019 (quinta-feira), com primeira chamada às 17h, e segunda para às 17h30, no Auditório Ribamar Carvalho – Campus Bacanga – UFMA.

Pauta:

1-    Informes;

2-    Discussão sobre o IV Congresso da CSP Conlutas e suas repercussões para o Movimento Docente.

Sirliane de Souza Paiva

Presidente/APRUMA

Gestão 2018-2020

Festival Internacional de Violões será realizado em São Luís

Shows e masterclass com violonistas considerados referência no Brasil e no mundo tornam São Luís, de 22 a 26 de outubro, a capital brasileira do violão. A cidade vai sediar a primeira edição do Festival Internacional de Violão de São Luís (Fivis), que homenageia o grande maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, no ano que completa 60 anos do seu falecimento.

Farão apresentações e masterclass durante o festival os violonistas Turíbio Santos (imagem destacada), Rogério Caetano (RJ), Gian Correa (SP), Alessandro Penezzi (SP) e a violonista Elodie Bouny (França). Do Maranhão integram a programação de shows os violonistas João Pedro Borges, Tiago Fernandes, Mano Lopes, Endro Fádell e Luiz Júnior. Haverá concertos também com as Orquestras de Violões de Teresina (PI) e da UEMA-EMEM (Universidade Estadual e Escola de Música do Maranhão).

Elodie Bouny

O Fivis, que é aberto ao público, ocorre no Centro Histórico de São Luís, sendo os shows no Convento das Mercês (de 24 a 26), começando às 19h, e as atividades de masterclass, acontecem na Escola de Música do Estado Maranhão Lilah Lisboa-EMEM (de 22 a 25), manhã e tarde. O evento na Escola de Música é aberto a violonistas e estudantes de violão, com inscrições prévias que podem ser realizadas até o dia 20 de outubro, no Convento das Mercês (no horário de expediente) e também pela internet, no endereço disponibilizado pela organização do festival.

Durante o Fivis será anunciado, para o ano 2020, o Concurso Internacional de Violão “Heitor Villa-Lobos”, para receber violonistas de todos os cantos do mundo e  homenagear  o maestro e compositor brasileiro que é considerado expoente da música erudita no país e suas peças são executadas no circuito dos mais prestigiados teatros europeus e americanos. O concurso terá a direção de Turíbio Santos.

João Pedro Borges

O idealizador e coordenador do Fivis, violonista Luiz Júnior Maranhão, explica que o projeto surge como forma de incentivo à difusão da prática do violão, contribuindo para a formação de plateia de apreciadores desse nobre instrumento; como meio de estudo e para fins profissionais, possibilitando à geração de emprego e renda e a valorização dos músicos maranhenses.

O festival tem o patrocínio do Mateus, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura do Governo do Maranhão/SECMA e o apoio da Prefeitura de São Luís e Restaurante Malagueta.

SHOWS

Considerado pela crítica e pelos especialistas como um dos maiores violonistas clássicos da atualidade, Turíbio Santos vai se apresentar no primeiro dia do Fivis (24). Instrumentista com carreira internacional, ele regravou a obra completa de Heitor Villa-Lobos para violão, em 1999, ao lado de compositores como Edino Krieger, Sérgio Barboza, Nicanor Teixeira, Chiquinha Gonzaga, E. Nazareth. Seus discos “12 Estudos para Violão de Heitor Villa-Lobos e Choro do Brasil” marcaram época no lançamento da música brasileira no mercado europeu. Comemorando seus 65 anos, em 2008, Turíbio Santos lançou seu 65º CD: “Mistura Brasileira”, com músicas autorais, de Villa-Lobos, Tom Jobim e de Ricardo Santos.

Gian Correa e Rogério Caetano

O primeiro dia do Fivis terá como atração internacional a violonista, compositora e professora de violão, Elodie Bouny, que nasceu em Caracas (Venezuela) e cresceu em Paris (Franca), onde estudou violão erudito nos conservatórios de Boulogne-Billancourt e de Estrasburgo. É mestre em Educação Musical e doutora em Processos Criativos e atualmente é professora de violão (Universidade de Juiz de Fora). Já se apresentou em inúmeros festivais nacionais e internacionais, ganhando várias premiações. Orquestrou diversas peças em parceria com o violonista brasileiro Yamandu Costa, produtor artístico do primeiro CD de Elodie Bouny, intitulado “Terra Adentro”.

Na sexta-feira (25), as atrações nacionais do Fivis são os violonistas Gian Correa (SP) e Rogério Caetano (RJ), com o duo de violão lançando o “Álbum 7”, em homenagem aos 100 anos do mestre Dino 7 Cordas. Em 2019, o álbum entrou na lista dos melhores discos do ano pelo Jornal Folha de São Paulo; foi indicado ao IMA (Independent Music Awards), em duas categorias Best instrumental Album e Best Tribute Album; e está indicado no Prêmio Profissionais da Música, nas categorias Artista Instrumental e Artista de Choro.

Alessandro Penezzi

Shows dos violonistas do Maranhão marcam o segundo dia do festival (24). Sobe ao palco nessa noite o consagrado instrumentista João Pedro Borges, que iniciou carreira internacional em 1973, ministrando cursos, conferências e concertos no continente Africano; realizou turnê pela Argentina e Paraguai, com Turíbio Santos; fez recital ao lado de Léo Brouwer, Turíbio Santos e Baden Powell (Martinica); além de disco gravado na França. Como solista foi pioneiro do disco independente gravando, em 1977, seu primeiro LP, com obras de Bach, Barrios e Villa-Lobos, seguido de “João Pedro Borges interpreta Cimarosa, Sanz, Sor, Giuliani, Albéniz e Granados” (1983); e da “Obra para Violão de Paulinho da Viola” (1985).

Orquestra de Violões de Teresina (PI)

A programação de sexta-feira (25) traz, ainda, o jovem virtuose do violão Endro Fádell, natural de Brasília (DF), mas morando em São Luís, onde é professor de violão erudito da Escola de Música do Maranhão. Formado em violão e pós-graduado em Educação Musical, na Escola de Música e Belas Artes do Paraná, traz na bagagem premiações em concursos de violão. Na mesma noite sobe ao palco do Fivis outro jovem violonista: Tiago Fernandes, graduado em música pela Universidade Federal do Maranhão e formado em violão pela EMEM, pesquisador da obra violonística de compositores maranhenses do século XX e idealizador do grupo ’Tiago Fernandes Trio’’.

Tiago Fernandes

A primeira edição do Fivis termina no sábado (26), com o show  do multi-instrumentista e compositor Alessandro Penezzi (SP). Formado em Música Popular pela Unicamp, ele  já realizou concertos  em mais de 17 países; atuou e gravou ao lado de artistas consagrados como Dominguinhos,  Hermeto Pascoal e Beth Carvalho, D. Ivone Lara, além de orquestras como Jazz Sinfônica de São Paulo e Sinfônica de Londres. Tem vários discos gravados, entre eles  Abismo de rosas (2001) e  Velha Amizade (2015).  

Antes do paulista Penezzi, quem faz show para o público do Fivis no sábado (26) são outros dois violonistas do Maranhão, em apresentações solos. Mano Lopes, também cantor e compositor, é graduando do curso de Música da UEMA, professor de violão e educador musical em escolas da rede pública. Luiz Júnior, com seu violão 7 cordas, já  percorreu o mundo apresentando seu trabalho, em países como Grécia, Alemanha, Inglaterra e China. Filho e neto de músicos piauienses,  seu envolvimento com a música vem desde os oito anos e sua carreira profissional começou aos 14 anos;  estudou violão na  Escola de Música do Maranhão e no Conservatório Souza Lima (SP) e está concluindo o curso de música na UFMA. Como violonista, foi vencedor de 10 edições do Prêmio Universidade FM (UFMA), tem um CD instrumental gravado;  integra o  grupo de choro Tira Teima; além de ser produtor e diretor musical.

A abertura e o encerramento do Fivis serão marcados também pelas apresentações de orquestras. No primeiro dia (24) o público vai assistir ao concerto da Orquestra de Violões da UEMA-EMEM, formada por alunos e ex-alunos da Escola de Música do Estado e do Curso de Música da Universidade Estadual do Maranhão. O grupo interpreta obras que vão do renascimento à contemporaneidade, transitando entre o erudito e o popular. No sábado (26) abre a programação da noite do festival a Orquestra de Violões de Teresina (PI), com 13 integrantes, alunos e professores do Projeto Violão na Escola, realizado pela Fundação Municipal de Cultura Monsenhor Chaves (FMC), com o apoio da Prefeitura de Teresina

Pão e água para Jesus Cristo

Ed Wilson Araújo

Sou católico, mas adepto do ecumenismo. Jesus é um só, mas tão abundante que as pessoas professam a sua fé de variadas maneiras. O ecumenismo ensina a tolerar o diferente. Tem o sentido pleno da comunhão, de estar junto com os irmãos e partilhar a vida.

Com esse entendimento frequentei o Encontro de Evangélicos e Evangélicas Fome e Sede de Justiça, nos dias 4 e 5 de outubro/2019, evento organizado pelo coletivo Papo de Crente, que toca o programa homônimo na rádio web Tambor, vinculada à Agência Tambor.

Os irmãos e irmãs de São Luís do Maranhão juntaram-se aos de outros estados que vieram de longe para dar seus testemunhos inspirados no evangelho, na vida e nas obras de Jesus Cristo.

Sobre qual justiça os evangélicos e evangélicas conversaram?

O encontro foi, sobretudo, uma demonstração de respeito e admiração por um homem que abraçou a causa dos pobres, combateu os opressores, tratou com dignidade uma prostituta, respeitou as mulheres, confortou os doentes, pregou igualdade e solidariedade. Jesus é um dos pioneiros e mais representativos inspiradores dos direitos humanos.

Jesus é amor. Nele não cabem o ódio e a intolerância. Os relatos dos pastores e pastoras nos dois dias do evento fazem valer a fé viva no abraço ao irmão necessitado de alimento, amor, esperança e de ações concretas em prol da justiça.

Pastores(as) imbuídos(as) desses princípios atuam com dedicação missionária por todo o país, nas cidades, zonas rurais e áreas de conflito mais perigosas, como nas favelas ou em meio aos sem teto do Rio de Janeiro, onde ocorre um verdadeiro genocídio contra a população pobre e negra.

De todo o aprendizado ao longo do evento foi possível sistematizar que o Reino dos Céus, feito por gente de carne e osso aqui na terra, passa necessariamente pela distribuição da riqueza, do poder e do conhecimento.

A maioria da população brasileira que tem sede e fome de justiça precisa de trabalho com direitos, alimento, moradia, educação, acesso aos serviços públicos e acolhida na velhice com aposentadoria digna.

E como foi bom saber que em meio a tantas denominações hegemonizadas pelos setores conservadores existem pastores e pastoras atuando junto aos excluídos com a perspectiva de uma fé transformadora.

Um dos ensinamentos do Encontro de Evangélicos e Evangélicas Fome e Sede de Justiça refletiu sobre o sentido do perdão, quando José, tornado governador do Egito, diante de tanto poder, com muitas razões para se vingar dos seus próprios irmãos que o venderam como escravo, foi capaz de desculpá-los.

Por isso não faz sentido tratar como inimigos os evangélicos que momentaneamente votaram em um falso messias, influenciados, na maioria das vezes, pelas denominações que abandonaram o trabalho pastoral e construíram templos de ouro para cultuar o espírito neoliberal.

Precisamos entender os evangélicos vulneráveis aos mercadores da fé no contexto histórico do Brasil. A onda conservadora que varreu o país tem um lastro em 400 anos na escravidão, no patrimonialismo, na brutal concentração de renda e nas interferências diretas do imperialismo econômico e cultural, usando equivocadamente Jesus Cristo para traduzir o cristianismo em capitalismo.

O econômico é central no religioso. No Brasil atual, uma tese é real: os evangélicos ultraconservadores estão inseridos na cúpula do governo, nos parlamentos, nas gestões estaduais e municipais e nas raízes profundas dos meios populares.

“Brasil acima de tudo. Deus acima de todos” é um bordão complexo para expressar essa etapa diferenciada na vida política nacional, com um fato concreto: as denominações “neo” e pentecostais estão no coração do poder, confundindo democracia com uma espécie de “teocracia”.

Por dentro das igrejas conservadoras a “teocracia” se dissemina com uma forte dose de messianismo em torno de juízes e procuradores enviados por Deus para salvar o Brasil da corrupção.

Uma das principais revelações do Encontro de Evangélicos e Evangélicas Fome e Sede de Justiça trouxe à luz a informação sobre as ligações mais profundas entre a “República de Curitiba” e a Igreja Batista.

A igreja frequentada pelo procurador-chefe da Lava Jato, Deltan Dallagnol, foi sede do instituto Mude, um dos tantos braços ongueiros do lavajatismo fundamentalista.

A Igreja Batista é um campo de elite do conservadorismo evangélico. As neopentecostais são complementares, mas não menos importantes. Somadas, as denominações controladas pela ultradireita convergem os interesses do capital e do cristianismo.

Mas, o pensamento econômico não é suficiente para dar conta da tarefa. A onda conservadora, nas suas diversas matizes, vem turbinando na base da sociedade os elementos característicos do fascismo, sendo um deles mais visível – a construção de um inimigo que deve ser eliminado. Para isso, é fundamental disseminar o ódio. Se em outros tempos os culpados foram os judeus, agora são os petistas, os supostos comunistas e a esquerda de um modo geral, com tudo que ela representa, inclusive a concepção dos direitos humanos.

Ocorre que, às avessas de José, que perdoou os seus irmãos, a onda conservadora constrói culpados, espalha ódio, prega a intolerância e cultua o pensamento único neoliberal sistematizado nas promessas de salvação e prosperidade.

Nesse modo de ver, quem são os culpados pelo mundo que não deu certo?

Os culpados, além da esquerda, são os pobres mesmo, os de baixo da pirâmide, os inferiores, os beneficiários do Bolsa Família, os homoafetivos e todos aqueles que não foram capazes de vencer/prosperar ou de se adaptar aos padrões. Por isso precisam ser eliminados.

O ódio e a intolerância, na contramão dos ensinamentos de Jesus de Nazaré, legitimam a desigualdade e a lógica cultural do capitalismo e da injustiça.

Não foi à toa que a República de Curitiba, no âmbito da Lava Jato, tratou de destruir a política, a democracia e as instituições republicanas, maquinando para exterminar um projeto de nação, o Estado Democrático de Direito e as prerrogativas fundamentais dos cidadãos, em alguns casos.

Munidos desse discurso, montados em uma gigantesca máquina de propaganda nos meios de comunicação, o lavajatismo desencadeou uma violenta campanha para culpar, estigmatizar, responsabilizar e pregar a eliminação da esquerda e dos “petistas”.

O ano de 2018 foi um divisor de águas, quando a política passou a ser tratada como cruzada religiosa, liderada por um messias com gesto de revólver nos dedos.

Vivemos a expansão de uma base cultural entranhada no topo da pirâmide e nos grotões do Brasil. Na cúpula opera a elite e na base chegam as denominações alcançando setores médios e populares.

A destruição da política provocou um cenário de terra arrasada. Quando não ficar mais pedra sobre pedra só haverá uma saída – Deus! A salvação chega aos fiéis nas palavras dos pastores coach, youtuber, digital influencer que transformaram parte das igrejas evangélicas em negócio.

Essa não é a fé transformadora. Jesus é solidariedade e compaixão. Por isso ele condenou os fariseus. Está em Mateus 23:

“Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas, porque percorrem terra e mar para fazer um convertido e, quando conseguem, vocês o tornam duas vezes mais filho do inferno do que vocês.”

 “Ai de vocês, mestres da lei e fariseus, hipócritas! Vocês limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro eles estão cheios de ganância e cobiça. Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que o exterior também fique limpo.”

Tem um cristo agonizando na cruz e as suas feridas sangram. Ele está com sede e fome de justiça.