ONU deveria adotar o programa “Mais Médicos” para a humanidade

Um espectro ronda o mundo. Cuba, um país boicotado pela ditadura dos Estados Unidos, ainda consegue ser escola de referência em uma das profissões mais caras, requisitadas e cobiçadas no mundo inteiro – a Medicina.

Ao exportar médicos para tantos países, Cuba poderia ser elevada à condição de multinacional da saúde pública, gratuita e de qualidade, atendendo principalmente aqueles que mais precisam.

Esse é o debate principal: saúde não é mercadoria.

Por isso Cuba incomoda tanto. Um país que sobrevive ao bloqueio econômico internacional ainda consegue desenvolver expertise na formação de uma elite de profissionais, alimentar e educar suas crianças e ter bom desempenho nos esportes.

E, de sobra, criar uma escola internacional de cinema e televisão, referência na produção audiovisual do mundo.

Isso tudo acontece em um país permanentemente boicotado e ameaçado pela ditadura imperialista estadunidense, seja ela regida por Barack Obama ou Donald Trump.

Há uma tese na elite econômica internacional: Cuba não pode dar certo. É preciso demonizar este país que foge à lógica do mercado e da agenda neoliberal.

Vem daí o denuncismo e o veto a todas as parcerias estratégicas do Brasil na América Latina e na África, visando impedir a costura de um núcleo de poder econômico entre os países mais pobres.

A gente não vê na televisão e não conhece as agendas positivas de Cuba porque as agências internacionais de notícias boicotam, censuram e dificultam a circulação de informações sobre a ilha.

Cuba só é notícia sob o enquadramento da Prisão de Guantánamo, de uma ditadura exótica ou do turismo caro para estrangeiros.

Então, é o caso de pensar e refletir sobre as contradições e os critérios de noticiabilidade: Cuba se fechou porque quis ou devido ao bloqueio econômico internacional?

A longevidade do partido comunista no poder, associado ao sentido de ditadura, se tem erros, jamais pode ser comparada à ditadura internacional dos Estados Unidos, seja em território cubano ou em qualquer lugar do planeta.

Vamos pensar juntos. Qual regime e modelo econômico é mais nocivo à humanidade? O imperialismo dos Estados Unidos ou o socialismo à cubana?

Enquanto os Estados Unidos fabricam guerras mundo afora, matando milhões de pessoas para alimentar os lucros da indústria de armas, Cuba exporta médicos para salvar vidas.

Quais iniciativas são mais produtivas ao planeta? A cobiça incontrolável das multinacionais que destroem o meio ambiente, escravizam e matam pessoas ou o atendimento do médico cubano aos ribeirinhos da Amazônia?

Cuba retém parte da remuneração dos médicos para que possa haver mais investimentos na formação dos profissionais. Isso não tem qualquer relação com escravidão.

Educação e Saúde pública são tratadas como política de Estado, não relacionadas ao lucro, universalizadas para qualquer cidadão cubano.

O que rege a política de Saúde e Educação é a lógica humanitária e não a do lucro que enriquece os hospitais privados e desmonta o SUS, tendência predominante no Brasil.

Por tudo isso, a ONU deveria adotar o programa Mais Médicos como parâmetro de Medicina solidária para atender às pessoas desamparadas em todo o planeta.

O ataque ao programa “Mais Médicos” (sob o argumento de que os cubanos eram escravizados no Brasil) é tão desprovido de fundamento que até alguns eleitores de Jair Bolsonaro discordaram do “messias”.

Sinal de que o Brasil ainda tem salvação e pode levar essa fatia do eleitorado a pensar sobre as diferenças de concepção.

Os argumentos a favor, por sua vez, são masoquistas. Bolsomínios ferrenhos queixam-se da taxação sobre os médicos de Cuba, mas calam diante da extorsão do Bradesco nas suas contas.

Estes mesmos seres humanos que reclamam de Cuba engolem a língua para os juros altos no Brasil e silenciam diante dos sucessivos aumentos nos planos de saúde, no gás, na energia elétrica e no reajuste exorbitante nos salários dos ministros do STF.

É preciso internacionalizar Cuba no que este país tem de bom: a expertise na Medicina e a universalização da Educação. E deixar de lado seus defeitos: o mando de um só partido e a imprensa única.

Democracia, com todas as imperfeições, é o melhor caminho.

Cuba é uma ideia necessária ao contraponto neoliberal.  E o Mais Médicos a prova concreta de que Educação transforma. E a submissão ao imperialismo só vai produzir mais miséria no mundo.

É preciso manter acesa a chama da utopia, perseverar nas diferenças e afirmar as boas experiências que tanto incomodam aqueles que se julgam donos do mundo e senhores absolutos do poder.

Imagem: Raul Hernandez trabalha em São Miguel do Gostoso, no Rio Grande do Norte, através do programa Mais Médicos (Foto: Karina Soares)

Justiça nos Trilhos recebe premiação internacional na Suíça

Reconhecida pela atuação em apoio às comunidades e grupos humanos que são impactados pelas operações do Projeto Carajás, da mineradora brasileira Vale, e negócios correlatos que estão na cadeia de siderurgia e mineração na região do Pará e do Maranhão, a Rede “Justiça nos Trilhos” recebeu ontem (27), na Suíça, o Prêmio Direitos Humanos e Empresas.

Concedido pela Fundação Direitos Humanos e Empresas (Human Rights and Business Award Foundation), a premiação foi realizada durante o Fórum das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, em Genebra. “Lançamos este prêmio anual para reconhecer ‘o trabalho de maior destaque realizado pelos defensores de direitos humanos, ao tratar dos impactos causados pelas empresas A Justiça nos Trilhos simboliza este grupo, que há anos trabalha de maneira rigorosa e consciente em circunstâncias desafiadoras — sempre em estreita colaboração com as comunidades locais, cujos direitos fundamentais buscam proteger”, afirmaram os membros do conselho administrativo da Fundação, Christopher Avery, Regan Ralph e Valeria Scorza, em um comunicado conjunto sobre a premiação.

A Rede Justiça nos Trilhos foi fundada em 2007 e desde o principio tem se dedicado prioritariamente pelo trabalho em nível local, junto com as comunidades impactadas no Maranhão e Pará. De acordo com Danilo Chammas, advogado da Rede que recebe o prêmio em nome da organização, “o prêmio é um grande reconhecimento  por todo o trabalho, não só da equipe, mas da luta incansável de todas as comunidades, também outros parceiros, defensores e defensoras de direitos humanos e da natureza, no Brasil e outros países”.

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Imagem: Justiça nos Trilhos mobiliza os moradores de Piquiá de Baixo contra a poluição das siderúrgicas na região tocantina, no Maranhão. Foto Marcelo Cruz

Obra de Picasso marca os 45 anos do Museu Histórico e Artístico do Maranhão

Uma obra do pintor catalão Pablo Picasso (imagem acima) compõe a exposição “A Coleção Assis Chateaubriand do MHAM: um recorte do tempo”, aberta quinta-feira (22) em comemoração aos 45 anos do Museu Histórico e Artístico do Maranhão (MHAM). A exposição, que reúne 34 peças, ficará aberta ao público até março de 2019, na Galeria Floriano Teixeira do MHAM, localizada na rua do Sol, 302, centro de São Luís.

A diretora do MHAM, Carolla Ramos, celebra o momento do MAHM e explica como chegaram ao consenso de expor a temática. “Escolhemos expor as obras da Coleção Assis Chateaubriand que, há 30 anos integram nosso acervo”.As obras selecionadas à exposição fazem parte de um acervo de 42 peças doadas por Assis Chateaubriand. “Não conseguimos coloca-los, em sua totalidade, nesta exposição, por fatores externos, como a questão das restaurações de algumas que ficaram bem deterioradas no museu em São Paulo”, explica Carolla Ramos.A diretora do museu destaca a importância desse momento para o MHAM. “São 45 anos de preservação e comunicação das nossas histórias retratadas nesta exposição. O museu, de fato, completa 45 anos, porém, cinco anos antes já existia um trabalho para que ele fosse aberto. E, hoje, o museu está vivo”, comemora.

Coleção Assis Chateaubriand do MHAM

Entre as 42 obras doadas ao Maranhão por Assis Chateaubriand estão trabalhos de destaque como a serigrafia Tauromaquia (1950), de Pablo Picasso; e Retrato de Uma Jovem, reprodução de uma obra de 1852 do pintor austríaco Ferdinand Krumholz, um dos mais populares retratistas do Segundo Império.

Pesquisa

Os curadores da exposição, a professora da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Regiane Aparecida Caire da Silva e o professor José Marcelo do Espírito Santo, desenvolveram a pesquisa “A contribuição de Assis Chateaubriand na formação do acervo artístico do Maranhão”.

Regiane Aparecida Caire da Silva explica que a ideia da pesquisa começou com curiosidades a respeito da trajetória da obra de Picasso, que é uma serigrafia e ela suspeitava que o artista nunca teria desenvolvido um trabalho neste estilo. “No entanto, o professor Marcelo falou da coleção do Assis Chateaubriand, daí sentamos e realizamos um projeto para tentar entender como o quadro chegou no Maranhão”.

De acordo com os pesquisadores foi preciso buscar informações com relação a Tauromaquia (1950), pois tanto no museu como nos documentos levantados no Museu de Arte de São Paulo (MASP) quase nada havia sido encontrado com relação ao trabalho.

Os pesquisadores suspeitaram que a obra não fosse autêntica. A hipótese foi levantada pelo fato de biografias do artista espanhol produzidas por vários autores e galerias afirmavam que Picasso, na sua produção gráfica, não havia utilizado a serigrafia.

Depois de vários estudos ficou comprovado que a obra é autêntica. Picasso fez este trabalho para seu amigo Roland Penrose, então diretor do Institute of Contemporary Arts (ICA), originalmente desenhado pelo artista espanhol no Livro de Visitas do ICA em 1950. Posteriormente o desenho Bulls and Sunflowers transformou-se num projeto para lenço de seda, com edição limitada em 100.

Tauromaquia (1950) ficou 20 anos no MASP, juntamente com as outras obras da coleção, chegando a São Luís em estado lastimável, conforme relatos da época. Teve que passar por restauração realizada pelo Museu Nacional de Belas Artes em 2005.

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Festival BR135 celebra a música brasileira no Maranhão

Evento chega ao 7º ano de realização consolidado como um dos mais importantes festivais de música independente do país; edição 2018 reúne Zeca Baleiro, Patrick Tor4, Rubel, Tássia Reis, Maglore, Academia da Berlinda e mais 12 selecionados

O maior festival de música e mercado do Maranhão está para começar. Dias 29 e 30 de novembro e 1º de dezembro, o BR135 volta a ocupar o centro histórico da capital maranhense com um poderoso painel de sonoridades nos palcos, atividades formativas, rodada de negócios e mercado de arte e gastronomia. Sob o comando da dupla Criolina, formada por Alê Muniz e Luciana Simões, a festa reúne os artistas convidados Zeca Baleiro (MA), Rubel (RJ), Tássia Reis (SP), Maglore (BA) e Academia da Berlinda (PE), além de 12 bandas selecionadas (ver quadro) entre mais de 300 inscritas de todo país, nos palcos das praças Nauro Machado e do Reggae.

No que já se tornou uma tradição do BR135, cada uma das noites do festival será aberta por uma atração da cultura popular do Maranhão. A Família Menezes faz o ritual de abertura dos trabalhos com Cânticos e Toques Sagrados, na quinta-feira, 29. O Tambor de Crioula de Mestre Felipe e o Boi de Santa Fé apresentam-se na sexta e no sábado, respectivamente. “Temos muito orgulho das nossas tradições e acreditamos na força desses rituais. Neste momento eles são ainda mais necessários porque reúnem arte e fé, as verdadeiras armas de que precisamos para resistir”, afirma Alê Muniz.

BR135 mantém suas ações de fomento ao mercado da música em dois eixos principais: Shows de bandas locais e nacionais que se destacam no cenário da música independente e o eixo Formação, contemplado nas atividades do Conecta Música, com oficinas, painéis, rodas de conversa e rodadas de negócios. Essas atividades serão realizadas no Casarão Tech e na Casa do Tambor de Crioula (ambos na Rua da Estrela). O projeto BR135, que inclui o Conecta Música, foi aprovado pela Lei Estadual de Incentivo à Cultura da Secretaria de Estado da Cultura e têm patrocínio da Budweiser.

Como espaço de troca de saberes e tecnologias, esta edição reúne os temas imaginário popular, inovação e tecnologias no contexto da economia criativa e suas estratégias de resistência por meio da arte. Está confirmada a presença de representantes dos mais importantes festivais de música independente do país, como o Festival de Inverno de Garanhuns (PE), Psicodália (SC) e Porto Musical (PE), do Centro Cultural Dragão do Mar (CE) e Casa da Música (Portugal) e também jornalistas das rádios Sul América –  Faro MPB (RJ), Frei Caneca (PE), plataforma Catraca Livre e do site Hypeness. Entre os convidados estão João Severo, do Uhuuu! Music Management (NY), Verônica Pessoa, do Janela Aceleradora Natura Musical, e Luciana Adão, da Oi Futuro (RJ).

“Essas ações conectam-se com o que acontece nos palcos e traduzem o espírito do BR135, que é fomentar o mercado da música, promover o intercâmbio de experiências e mostrar a cena rica e diversificada da música independente que se faz no Maranhão”, diz Luciana Simões. “Além disso, o fato de todas as ações serem realizadas na Praia Grande reafirma o compromisso que temos de ocupar o centro histórico da cidade, que é o nosso lugar de pertencimento, onde estão fincados os valores de nossa cultura: para nós o palco é a rua, espaço de todos”, completa.

Ainda no eixo de shows o evento conta com a programação da Kombi Music, palco aberto montado na área da Vida é Uma Festa (Beco dos Catraeiros), na sexta, dia 30, e de um espaço para a música eletrônica na Escadaria do Giz, com o coletivo de DJs Meludo – Movimento Eletrônico Ludovicense, durante os três dias do evento.

Na Praça da Casa do Maranhão será montado o Mercado BR135 – Arte + Gastronomia, que reúne pequenos negócios, como foodtruck, bikefood, comércio de camisetas, cervejas artesanais e produtos ligados ao mundo da arte. O lounge ambientado com móveis produzidos a partir de pallets, fruto de parceria com o REDLAB – Laboratório de Design e Arquitetura da Universidade CEUMA, está garantido nesta edição.

Para ampliar o acesso de pessoas com dificuldade de locomoção, o BR135 contará com um espaço destinado a essas pessoas, próximo ao palco da Praça Nauro Machado, para que possam aproveitar os shows em segurança, além de um banheiro adaptado, com acesso por rampa. Além disso, toda a programação dos palcos principais terá interpretação simultânea em libras e as informações do evento na internet contam com dispositivo de audiodescrição.

A programação completa está disponibilizada no site www.festivalbr135.com.br e também vem sendo divulgada nas redes sociais oficiais do evento.

FESTIVAL BR135

Com shows de Zeca Baleiro (MA), Rubel (RJ), Tássia Reis (SP), Maglore (BA) e Academia da Berlinda (PE), além de 12 bandas selecionadas

Quando: 29 e 30/11 e 1º/12

Onde: Praia Grande (centro histórico de São Luís)

Programação completa: www.festivalbr135.com.br

TODAS AS ATIVIDADES SÃO GRATUITAS

Mais informações: Assessoria de imprensa 9 81791113

 

PALCO NAURO MACHADO

 

29/11 – QUINTA

30/11 – SEXTA

1º/12 – SÁBADO

Família Menezes – Cânticos e Toques Sagrados (MA)

Tambor de Crioula de Mestre Felipe (MA)

Boi de Santa Fé (MA)

Cantautores – Sfânio, Lucas Ló e Regiane (MA)

Boys Bad News (MA)

Afrôs (MA)

Guitarrada das Manas (PA)

Ornitorrincos do Sertão Turu (MA)

Núbia (MA)

DJ Patrick Tor4 (PE)

Rubel (RJ)

Maglore (BA)

Zeca Baleiro (MA)

Tássia Reis  (SP)

Academia da Berlinda (PE)

                    PRAÇA DO REGGAE

30/11 – SEXTA

1º/12 – SÁBADO

Gugs (MA)

A Cuscuzeira (MA)

Paulão (MA)

Tiago Máci (MA)

Casaloca (MA)

Getúlio Abelha (CE)

Fonte: Assessoria de Comunicação BR135

Imagem / divulgação: Academia da Berlinda será uma das atrações.

Beto Ehongue inova com Espaço Autoral

Sem tempo para o silêncio.

Espaço Autoral em parceria com o Amsterdam Music PUB já anuncia a próxima edição do evento para o dia 25 de novembro de 2018, sempre com o plano de valorizar a música feita em casa mas com a liberdade para aventuras em versões de canções já conhecidas.

Iniciado no dia 4 de novembro deste ano com as bandas Hacervo,Púrpura Ink, Desdemora ETC, Gods Of Rage, e com uma breve pausa para realização do 24h de Rock, teve na sua segunda edição as bandas Planetário, Carmina Burana, Meméia e Beto Ehongueapresentando sua MundiOca e o Awá Sound System.

A terceira edição ganha ainda mais peso e traz as bandas BLACK JACK ROMEO que foi formada em meados de 2016, e até o presente momento vem trabalhando na divulgação do EP Testament Of War. O mesmo vem no formato de EP e procura mesclar as influencias do Heavy Metal clássico com o moderno, extraindo o que tem de melhor nestes dois mundos; A VANGLORIA ARCANNUS, uma banda brasileira formada no ano de 2008 na cidade de São Luís, capital do Maranhão. Tem como principal gênero musical oSymphonic Metal e é conhecida por ser a única banda desse gênero em sua cidade; A CANYONformada em 2009 e com Influencias do Hard Rock e o Rock Progressivo dos anos 60 e 70 e bandas como King Crimson, Rush, Thin Lizzy, Eloy, Pink Floyd, Camel, Captain Beyond, Dust e uma infinidade mais.  Atualmente encontra-se em fase de conclusão de seu primeiro CD completo intitulado Older Than TIme com previsão de lançamento para o primeiro semestre de 2019; e A banda SERIAL KILLERque iniciou suas atividades em 2005 e no mesmo ano gravou sua primeira demo, ainda hoje atua com sua barulheira!

SERVIÇO

ESPAÇO AUTORAL NO AMSTERDAM MUSIC PUB

com Shows das Bandas Black Jack Romeo, Vangloria Arcannus, Canyon e Serial Killer

Local: Amsterdam Musci PUB _ Lagoa da Jansen

Ingresso: R$ 10,00

Hora: 17h

Saiba mais nesse site

Abraji repudia decisão judicial que impede a TV Globo de noticiar conteúdo do inquérito sobre o assassinato de Marielle

Nota da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji)

O juiz Gustavo Gomes Kalil, da quarta vara criminal do Rio de Janeiro, concedeu uma liminar – a pedido da divisão de homicídios da Polícia Civil e do Ministério Público do estado – para que a TV Globo fique proibida de divulgar o conteúdo de qualquer parte do inquérito policial que apura os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Na sentença, o juiz diz que “o vazamento do conteúdo dos autos é deveras prejudicial, pois expõe dados pessoais das testemunhas, assim como prejudica o bom andamento das investigações, obstaculizando e retardando a elucidação dos crimes hediondos em análise”. A TV Globo teve acesso ao teor do inquérito policial esta semana e veiculou duas reportagens sobre o assunto nos telejornais locais do Rio de Janeiro e também nos telejornais nacionais, evitando divulgar algo que pudesse pôr em risco as testemunhas ou as investigações.

Na decisão, o juiz Gustavo Gomes Kalil proíbe a emissora de divulgar termos de declarações, mesmo sem a identificação das testemunhas, assim como conteúdos das degravações de áudios de pessoas investigadas ou não, de áudios e mensagens extraídos de contas de e-mails e telefones das vítimas, testemunhas e investigados.

A TV Globo informa que vai cumprir a decisão judicial mas a considera excessiva e vai recorrer da decisão com o argumento de que ela fere gravemente a liberdade de imprensa e o direito de o público se informar, especialmente quando se leva em conta que o crime investigado no inquérito é de alto interesse público, no brasil e no exterior.

A Abraji considera que a decisão do juiz viola o direito dos brasileiros à livre circulação de informações de interesse público. A imposição de censura é uma afronta à Constituição. A liberdade de imprensa, fundamental para a democracia, deveria ser resguardada por todas as instâncias do Poder Judiciário, mas é frequentemente ignorada por juízes que, meses ou anos depois, são desautorizados por tribunais superiores. Nesse meio tempo, o direito dos cidadãos de serem informados fica suspenso, o que gera prejuízos irreparáveis para a sociedade. O caso em questão é um exemplo dessa prática absurda, que precisa acabar. Cabe ao poder judiciário preservar direitos constitucionais, não atacá-los.

Diretoria da Abraji, 17 de novembro de 2018.

Imagem: divulgação / Marielle Franco

Do jornalismo tendencioso à indústria da mentira: Constituição completa 30 anos e mantem travada a legislação sobre comunicação

Três décadas após a promulgação da Constituição Brasileira de 1988, a comunicação, um dos temas fundamentais para consolidar os sentidos de República e democracia, permanece quase inalterado e até mutilado.

Na Carta Magna os eixos sobre comunicação ainda não foram sequer regulamentados.  Dois exemplos são gritantes. O artigo 220 proíbe as práticas de monopólio e oligopólio. Já o artigo 221 manda as emissoras de rádio e TV darem preferência a finalidades artísticas, informativas, educativas e culturais, além de valorizar a produção regional e independente.

Deputados federais e senadores proprietários de emissoras de rádio e TV, os coronéis da mídia, operam em causa própria dentro do Congresso Nacional para que a legislação garanta os seus privilégios no uso e abuso dos meios de comunicação para fins empresariais e eleitorais.

O coronelismo eletrônico atropela a própria Constituição e estende-se mesmo às pequenas rádios comunitárias, impedidas por legislação complementar (nº 9.612/98) de fazer proselitismo político ou religioso, mas controladas por grupos políticos municipais e igrejas evangélicas, salvo as honrosas exceções.

O Brasil ainda é o país onde vigora a concentração empresarial e o uso de verba pública para conduzir apoio político-eleitoral aos mandatários municipais, estaduais e ao federal.

Nem nos governos do PT este vício foi alterado. Lula e Dillma seguiram a mesma cartilha dos tucanos e seus antecessores, privilegiando as Organizações Globo na fruição do dinheiro público.

O mais primitivo de todos, José Sarney, abusou da distribuição das concessões de rádio e TV para negociar o mandato presidencial de cinco anos.

Jair Bolsonaro, por sua vez, faz ameaças explícitas aos meios de comunicação e até insinua usar o controle das verbas publicitárias para coagir linhas editoriais.

Nesses 30 anos, bons ventos sopraram quando da realização da I Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, reunindo quase 1500 delegados e delegadas dos segmentos empresarial, estatal e os movimentos sociais para debater, entre outros temas, a regulamentação dos temas da comunicação na Constituição de 1988.

Depois de quatro dias de debate e quase 600 proposições aprovadas, quase nada efetivou-se. Até mesmo o Conselho de Comunicação Social foi apropriado pela burguesia radiodifusora.

O país perdeu o time de sistematizar regras minimamente democráticas e republicanas para as comunicações. Agora está tomado pela indústria da mentira deslavada solapando o jornalismo tendencioso.

Nosso problema civilizatório nem é mais a força das Organizações Globo, mas o império das fake news decidindo a eleição para o cargo mais importante da República.

Imagem: reprodução / capturada neste site

Apruma convida: palestra de Agostinho Marques aborda a democracia e o fascismo contemporâneo

“A encruzilhada da democracia: violência, autoritarismo e o fascismo contemporâneo” é o tema de palestra do professor Agostinho Ramalho Marques Neto, nesta terça-feira (23), às 17h, no auditório principal do Centro Paulo Freire, no campus do Bacanga (UFMA).

A programação é promovida pela Apruma (Associação dos Professores da Ufma, seção sindical do Andes-SN). O evento será transmitido via internet para as seções sindicais do Andes da Regional Nordeste I. Em recente encontro em São Luís, as seções sindicais encamparam o evento como atividade da luta em combate às ameaças ao Estado Democrático de Direito.

A Apruma convoca os docentes à participação nesta atividade imprescindível para entender a conjuntura atual e construir a resistência democrática no Brasil. Será uma oportunidade de ouvir, refletir, participar e organizar o enfrentamento da comunidade universitária e dos movimentos sociais diante da escalada autoritária.

Agostinho Marques é uma referência nas áreas do Direito e da Psicanálise. Não há inscrição prévia para participar da palestra. A lista de presença preenchida de modo legível no dia e no local do evento dará direito ao certificado.

Visões de Sousândrade em cena

No fechar das cortinas do mês de outubro, o Núcleo de Criações Caé traz à cena teatral maranhense uma proposta inusitada. Trata-se do espetáculo “O Guessa Errante – Canto Terra”, que foi contemplado com o edital Ocupa 2018 do Centro de Cultura Vale do Maranhão – CCVM.  A encenação acontece nos dias 23, 24, 30 e 31/10, às 19 horas nas instalações do CCVM, na Praia Grande. A entrada é franca.

A peça, que tem a direção de Vinicius Viana, é uma livre adaptação do livro “O Guesa Errante”, do escritor e poeta maranhense Joaquim Manuel de Sousa Andrade, mais conhecido por Sousândrade, que viveu no final do século XIX e início do XX, considerado por muitos estudiosos como o precursor da poesia moderna no Brasil.

Com duração de 50 minutos, a espetáculo aborda 6 dos 13 cantos do livro de Sousândrade, cantos que se espelham na natureza e nos rituais dos povos indígenas: incas, amazônicos e os timbiras maranhenses, contados na saga do Errante. Para alguns pesquisadores, “O Guesa Errante” é uma ópera.

O diretor e também ator do espetáculo, Vinicius Viana, atualmente mestrando em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina, conta que a inspiração para o espetáculo começou em 2003, quando a escola de samba Favela, de São Luís, levou para avenida o enredo com o tema. “De Sousândrade e louco – todos nós temos um pouco, mais genial e errante, só o Guesa”.  Neste ano, a escola foi campeã.

Segundo Vinicius esse enredo ficou marcado em sua mente. No trabalho de conclusão de curso de Teatro da UFMA, ele e o elenco do Núcleo de Criações Caé aprofundaram a pesquisa sobre a obra de Sousândrade, em seus processos criativos, desenvolveram a dramaturgia e roteiro de apresentação. A pré-estréia aconteceu para uma plateia selecionada, sendo apresentada nas ruínas do Sítio do Físico.

Compõem o elenco do Núcleo de Criações Caé Ana Raquel Fárias, Daniel Monteiro, Heidy Ataides, Hudson Bianckinni, Idalina Moraes, Victor Mendes e Vinicius Viana.

Sousândrade

O Guesa Errante – escrito entre 1858-1888 – é considerada a principal  obra de Sousândrade. Além desta obra destacam-se Harpas Selvagens (1857), Harpa de Ouro (1888/1889) e Novo Éden (1893).

Sousândrade era filho de comerciantes de algodão, estudou em Paris e trabalhou em Nova York. Em 1877, ele mesmo escreveu:

“Ouvi dizer já por duas vezes que o “Guesa Errante” será lido 50 anos depois; entristeci – decepção de quem escreve 50 anos antes”.

Ele faleceu em 1902. Até hoje sua obra é pouco conhecida e muito valorizada por seletos apreciadores de literatura e poesia. Os poetas e irmãos Augusto e Haroldo de Campos publicaram “Revisão de Sousândrade”, em 1960. Para os irmãos Campos, Sousândrade foi o precursor da poesia moderna no Brasil.

No final de sua vida, Sousândrade foi considerado louco e abandonado pela família. Aos 69 anos morreu sozinho e miserável, em São Luís.

Imagem / Acorrentado / Divulgação

Rumo à vitória: Haddad em São Luís neste domingo

Participe da caminhada com Haddad, o governador Flávio Dino e os senadores Weverton e Eliziane, os deputados federais e estaduais e os movimentos sociais, em favor da democracia e dos direitos sociais, como aposentadoria e 13º salário.

Ponto de concentração: Praça do Coreto (próximo ao Colégio Padre Antônio Vieira e do CINTRA), no bairro do Anil, no domingo, 21 de outubro, às 8h30.

Convide os seus amigos, colegas e conhecidos. E vamos à vitória!