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Com juros altos e dólar em disparada, Campos Neto segue emparedando o país

Após alta nos juros, presidente do Banco Central joga contra e valida alta do dólar, o maior patamar em dois anos e meio; presidente Lula reage e volta a fazer críticas. Uma pergunta se faz premente: afinal, o Banco Central é mesmo independente? 

Boletim Focus – Na segunda-feira, 1, o presidente Lula reagiu à crescente alta do dólar, cerca de duas semanas depois da decisão do Copom de manter a taxa Selic a 10,5%, ignorando a série de redução ou manutenção em baixa e apelos do governo, garroteando a população mais pobre. 

Na cotação de segunda, a moeda americana fechou o dia cotada a 5,65 reais, o maior patamar em dois anos e meio. Como previsto pelo presidente, a imprensa corporativa atribuiu a alta às críticas de Lula, não à manutenção da austeridade arbitrária do Banco Central. 

Indagado sobre a alta do dólar, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, faz a alegria dos mais ricos e diz que não irá interferir no Câmbio, utilizando reservas monetárias criadas por governos petistas – que foram depenadas nas gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro, que segue com Campos neto, seu indicado, servindo à atribuição de mercado que ocupa a casa monetária.

“A autoridade monetária segue o princípio do câmbio flutuante e não vai intervir no mercado mirando uma cotação do dólar ante o real”, disse o presidente do BC em coletiva para comentar o Relatório Trimestral de Inflação (RTI), em São Paulo, no final do mês passado. Após a inação de Campos Neto, o dólar foi às alturas, gerando novas críticas e pressão do presidente Lula. 

“Obviamente me preocupa essa subida do dólar, é uma especulação. Há um jogo de interesses, especulativo, contra o real neste país. Eu tenho conversado com as pessoas para ver o que a gente vai fazer. Eu estou voltando [para Brasília] quarta-feira e vou ter uma reunião. Não é normal o que está acontecendo”, afirmou o presidente, em entrevista à Rádio Sociedade, de Salvador, na Bahia, na segunda-feira, 1º de julho. 

Uma pergunta se faz premente: afinal, o Banco Central é mesmo independente?  A pressão constante do mercado financeiro parece influenciar de forma desproporcional as decisões de política monetária, em detrimento das necessidades do desenvolvimento econômico nacional. Um exemplo claro dessa influência é a resistência em reduzir as taxas de juros, mesmo quando há sinais claros de que a inflação está sob controle e que a economia necessita de estímulos para crescer.

Juros altos 

A ata do Copom que decidiu pela manutenção da Selic também deixa incerto o futuro da economia, sem deixar indicações de redução futura – uma espécie de tortura e chantagem econômica.

Campos Neto disse, em resposta às afirmações do presidente, que ‘ruídos’ motivaram interrupção nos cortes de juros pelo BC, o que “explica” a motivação do Copom para manter Selic em 10,5% após sete reduções consecutivas, segundo o escolhido de Bolsonaro.

Lula ressaltou que o cenário econômico tem mostrado resultados positivos, como a redução do desemprego, o crescimento do PIB e aumentos salariais superiores aos índices de inflação. No entanto, há setores do mercado financeiro que estão atuando para forçar a alta da moeda estrangeira, a qual também está sendo pressionada por fatores externos.

“O Mundo não pode ser vítima de mentiras. A gente não pode inventar as crises. Por exemplo: semana passada dei uma entrevista ao UOL. Depois da entrevista, alguns especialistas começaram a dizer que ‘o dólar tinha subido por conta da entrevista do Lula’, e nós fomos descobrir que o dólar tinha subido 15 minutos antes da minha entrevista. É um absurdo”, apontou o presidente. 

No atual cenário, com a independência do BC aprovada pelo governo bolsonarista, Lula não pode trocar o comando da instituição, uma autarquia. Com Campos Neto na presidência, Bolsonaro pôs adiante a independência da casa para garantir a manutenção de seu indicado, escolhido por Paulo Guedes – um grande beneficiado da política econômica que comandava. 

“Quando a gente indica um presidente do Banco Central, do Banco do Brasil ou da Petrobras, a gente não indica a pessoa para ela fazer o que a gente quer. As empresas têm diretoria, têm Conselho, têm cronograma de trabalho. O que não dá é ter alguém dirigindo o Banco Central com viés político. Definitivamente eu acho que ele [Campos Neto] tem viés político, e eu não posso fazer nada”, apontou o presidente Lula. 

Ao relembrar os anos 90, o presidente afirmou que a inflação alta afeta muito a vida das pessoas. Ele afirmou que manter a inflação baixa é uma “obsessão”: “É minha profissão de fé”. “Quanto mais baixa a inflação, mais o trabalhador tem poder aquisitivo, mais o dinheiro dele vai render”. 

Como a economia é afetada

A taxa de juros alta afeta a economia de várias maneiras, principalmente ao encarecer o custo do crédito. Isso desestimula o consumo e o investimento, pois tanto consumidores quanto empresas tendem a reduzir gastos e adiar projetos devido ao aumento dos custos de financiamento. Com menos dinheiro circulando na economia, a demanda por bens e serviços diminui, o que pode levar a uma desaceleração do crescimento econômico. 

Além disso, setores que dependem fortemente de financiamentos, como o imobiliário e o industrial, sofrem retrações significativas. A alta taxa de juros também atrai investimentos estrangeiros em busca de rendimentos mais elevados, valorizando a moeda local, o que pode prejudicar as exportações ao tornar os produtos nacionais menos competitivos no mercado internacional.

BC vive período crítico

A política monetária do Banco Central do Brasil tem sido alvo de críticas intensas nos últimos anos, com Campos Neto à frente. Em um cenário econômico global complexo, as decisões tomadas pelo Banco Central têm mostrado uma falta de sensibilidade às necessidades reais da economia brasileira e uma desconexão preocupante dos números apresentados pelo governo.

A manutenção de uma Selic elevada, justificada como medida para controlar a inflação, tem tido efeitos devastadores sobre o crescimento econômico. A taxa de juros alta desestimula o investimento produtivo, encarece o crédito para empresas e consumidores e impede a expansão de setores fundamentais para a geração de empregos. 

O Banco Central 

A função principal do Banco Central é garantir a estabilidade econômica e financeira do país. Isso é alcançado através da formulação e execução de políticas monetárias, que incluem o controle da inflação, a regulação das taxas de juros e a gestão da oferta de dinheiro. 

Além disso, o Banco Central supervisiona o sistema financeiro, assegurando a solvência e o bom funcionamento das instituições bancárias, e atua como banqueiro do governo, administrando a dívida pública e as reservas internacionais. Em última instância, a missão do Banco Central é promover um ambiente econômico estável e previsível, essencial para o crescimento sustentável e o bem-estar econômico da população.

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