O antigo Hotel Central pode ser um flat ou condomínio?

A pergunta é suscitada no contexto das especulações, ideias e até delírios sobre as alternativas de ocupação do Centro Histórico para fins de moradia, um assunto delicado para quem vivencia esta experiência no cotidiano e se depara com variados problemas nas áreas de mobilidade, salubridade, segurança e oferta de serviços qualificados em geral.

Morar no Centro Histórico é para os fortes, ousados, apaixonados e necessitados, em diferentes escalas de apropriação dos sentidos dessas palavras. Portanto, só quem habita, vive e conhece o mundo real da área central da cidade tem mais propriedade para falar sobre o assunto.

Não se pode negar que houve melhorias significativas na infraestrutura do Centro Histórico. Aquela imagem da praça Deodoro feito uma latrina mudou, assim como as intervenções na rua Grande, Largo do Carmo, praça João Lisboa e tantas outras requalificações nos arredores modificaram radicalmente o visual desse território de São Luís.

Somam-se às intervenções físicas os programas de fomento à ocupação para empreendedores e moradia, tais como o “Nosso Centro” e “Adote um Casarão” e “Aluguel no Centro”.

No conjunto, os investimentos físicos e os projetos sociais ganharam visibilidade e estão focados na melhoria das condições de vida dos moradores e dos demais fruidores do local, mas só devem ser avaliados no futuro, quando os resultados puderem ser mensurados.

A pergunta inicial insiste: seria relevante investir mais em moradia? É preciso transformar o filé arquitetônico do Centro Histórico em um lugar com equipamentos de ocupação permanente? Seria mais interessante utilizar o edifício João Goulart para fins de habitação, em vez de repartição pública? O Centro Histórico deveria ter um plano diretor específico?

Qual será o destino do Hotel Central? Pode ser um flat ou condomínio?

Mirem-se no exemplo das cidades históricas onde os miolos arquitetônicos e patrimoniais ou assemelhados têm moradores permanentes: Cartagena das Índias (Colômbia), Ouro Preto (Minas Gerais), Pelourinho (Salvador), Olinda (Recife), Cidade Baixa (Porto Alegre) e tantas outras.

Nessas cidades e bairros, onde tem gente morando e circulando, o potencial de uso e ocupação é diferente de um lugar de passeio ou de trabalho, quando a permanência do elemento humano é pontual.

O principal patrimônio cultural de São Luís são os humanos em carne e osso, gente que mora, circula, trabalha, gera a indústria criativa, produz a riqueza econômica, movimenta os afetos e faz girar a engrenagem da cidade.

E como esse texto não tem certeza de nada, apenas perguntas, penso que o melhor caminho seria ouvir as pessoas.

Talvez esteja aí um caminho para planejar o Centro Histórico. Realizar audiências públicas e botar o povo para falar, opinar, propor, sugerir, reivindicar; enfim, participar de fato da gestão da cidade.

Imagem destacada / Hotel Central nos anos 1940 / capturada no perfil Minha Velha São Luís

2 comentários em “O antigo Hotel Central pode ser um flat ou condomínio?”

  1. Apesar de não manter o padrão colonial, o prédio do Hotel Central faz parte da história da cidade e está em área tombada. Reaproveitá-lo decentemente é, mais que uma oportunidade, um dever dos gestores em prol da sociedade.

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