Chance de Waldir Maranhão entrar no PT é mínima

Tudo pode mudar, porque a política é dinâmica, mas hoje o cenário para o deputado federal Waldir Maranhão entrar no PT é perto de zero.

Ele é rejeitado na quase totalidade do partido e seu ingresso seria um desgaste ainda maior para a legenda.

Além disso, a tentativa do deputado federal Waldir Maranhão de filiar-se ao PT só será avalizada pela cúpula do partido. É o que diz a regra.

Como o pretendente já tem mandato na Câmara Federal, cabe à Comissão Executiva Nacional petista decidir, segundo diz o estatuto da legenda, no art. 5º, especifivamente o §1º, grifado abaixo:

Art. 5º. A solicitação de filiação será feita perante a instância de direção municipal ou zonal do respectivo domicílio eleitoral, em formulários impressos conforme modelo definido pela instância nacional ou através de sistema informatizado do Partido, nos quais deverá constar a declaração de aceitação, pelo interessado, dos documentos partidários e da obrigação de contribuir financeiramente.

  • 1º: A filiação de líderes de reconhecida expressão, detentores de cargos eletivos ou dirigentes de outros partidos deverá ser confirmada pela Comissão Executiva Estadual e, no caso de mandatários ou mandatárias federais, pela Comissão Executiva Nacional.
  • 2º: Excepcionalmente, nos casos previstos no parágrafo anterior, é facultada a filiação perante o Diretório Estadual ou Nacional, que deverá ser aprovada pela maioria absoluta de seus respectivos membros.

Segundo várias fontes consultadas pelo blog, Waldir Maranhão está sem condições de formar maioria na cúpula nacional.

Na opinião pública, o ingresso do parlamentar deve provocar mais desgaste na imagem do PT, que neste momento deveria voltar suas forças para defender Lula das intimidações que podem desembocar no assassinato do ex-presidente.

Esse é o cenário de hoje. Waldir Maranhão segue fora do PT. Mas, como tudo na política muda muito rapidamente, e no PT a regra nem sempre vale, pode ser que haja alguma manobra ou alteração na conjuntura que viabilize a candidatura dele ao Senado no petismo.

Até o momento, a decisão está com a cúpula nacional.

Politicamente, além da regra, os petistas deveriam produzir um amplo manifesto de repúdio à filiação de Waldir Maranhão, até como forma de prevenção diante de eventuais mudanças de curso.

Por fim, tudo isso é repugnante. No momento mais difícil do PT, quando Lula, além de advogados, tem de ter a proteção de coletes à prova de balas, o “debate” sobre a filiação de Waldir Maranhão beira o suicídio político.

Os tiros foram contra Lula, mas o alvo é a democracia

Os tiros disparados hoje contra a caravana de Lula, no Paraná, têm como alvo o fim da política. Quem atirou manda aviso do que pode vir por aí.

A qualquer momento Lula pode ser morto. Ele sabe disso, o PT também. As autoridades federais têm pleno conhecimento de que a vida do ex-presidente está em risco.

Embora todos saibam disso, aqueles que deviam tomar providências concretas para impedir o assassinato de Lula ficam em compasso de espera.

O Ministério da Segurança, criado recentemente no governo Michel Temer (PMDB), não se pronuncia com rigor. Apenas lamenta e repudia as agressões.

Vivemos tempos difíceis. A barbárie atropela as garantias individuais e os direitos constitucionais.

As forças conservadoras sabem que o petista, mesmo que seja preso, será influente na eleição e pode ganhar.

Os inimigos da democracia fazem as contas e alinham a tese da violência como única forma de barrar a popularidade do ex-presidente.

Na falta de argumentos, apelam para ameaças e intimidações. Lula pode ter o mesmo fim de Juscelino Kubistcheck ou algo pior.

O mundo está cheio de exemplos. Na América Latina, os assassinatos de lideranças populistas e de esquerda são uma constante desde sempre.

Um dos resultados do golpe é a intolerância, subproduto do fundamentalismo político e da onda conservadora que assola o Brasil.

Alguns internautas, ao lerem esse texto, vão até torcer para que Lula seja morto, da mesma forma que fizeram estrupiando o cadáver da vereadora Marielle Franco (PSOL).

Uns celebram a violência contra a esquerda por intolerância, ódio e/ou opção de classe. Outros, por falta de oportunidade nos estudos formais para entender a conjuntura.

Para os dois tipos eu desejo paz e proteção. Hoje os tiros são contra Lula. Amanhã o tiroteio pode atingir qualquer pessoa, inclusive os que odeiam o PT.

Não desejo isso a ninguém. Pelo contrário, torço para que entendam o jogo. As balas contra a caravana de Lula são extensivas à democracia, ao Estado Democrático de Direito.

Amanhã, o cadáver pode ser do petista. E depois?! O futuro é sombrio.

A democracia, com todas as suas imperfeições, é a melhor forma de convivência.

Sem ela temos a ditadura e o fascismo, terrenos áridos onde quase nada germina, apenas o ódio.

Imagem: Marcelo Prates / Campanha Diretas Já, em Belo Horizonte, retirada deste site