Boulos: “só vale a pena se for para virar a mesa”

O pré-candidato a presidente da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, cumpriu agenda intensa na região tocantina e em São Luís.

Na UFMA, ao fim da tarde, lotou o auditório Ribamar Carvalho, na Área de Vivência, falando para estudantes, professores, militantes de movimentos sociais e lideranças partidárias.

Fazia muito tempo que aquele auditório não via tanta gente reunida para ouvir um líder partidário em tempos de despolitização da sociedade.

Marielle estava presente a todo momento. O assassinato dela, que teve o objetivo de intimidar as pessoas, transformou-se em movimento e ação.

Boulos é o porta-voz de um sentimento coletivo pela recomposição da política que vai, aos poucos, reconquistando os órfãos da utopia.

Ele foi direto ao ponto. A jornada eleitoral é um momento importante, mas só vale a pena se for para virar a mesa, mudar profundamente.

“A disputa não é para administrar esse sistema e sim para transformar”, cravou.

Democracia só faz sentido com participação, tendo o povo no centro do jogo, para acabar com o abismo entre Brasília e o Brasil.

Boulos encerrou o discurso com a tônica da solidariedade a Lula. Há diferenças em relação ao petista, mas não pode haver condenação injusta, demarcando o entendimento de que o golpe não é só contra o PT.

Com objetividade e clareza da conjuntura e da estrutura, disse que não adianta ganhar a eleição e tentar construir acordos com as máfias que controlam o país.

Em síntese, a palestra de Boulos sistematizou três ideias principais: a democracia indissociável da participação popular, radicalizar a distribuição de renda com uma profunda reforma tributária, manter uma agenda permanente com as maiorias violentadas e excluídas: mulheres, negros, LGBT e índios.

Fez referência especial à sua companheira de chapa na pré-candidatura, a liderança indígena Sonia Guajajara, finalizando com uma frase simbólica para os tempos de pragmatismo em alta voltagem: “a nossa vida não acaba nas eleições”.

Rádio web Tambor entrevista Guilherme Boulos e Inaldo Gamela

A rádio web Tambor estreia nesta terça-feira (3 de abril) o programa Jornal Tambor, com duas entrevistas. A emissora vai receber o pré-candidato a presidente da República pelo PSOL, Guilherme Boulos; e o líder indígena Inaldo Kum`tum Akroá Gamela.

O Jornal Tambor vai ao ar às 11 horas da manhã e pode ser acessado neste site. As entrevistas também serão transmitidas nos perfis das redes sociais da Agência Tambor. (https://www.facebook.com/agenciatamborradioweb/)

Além da veiculação na web e pelas redes sociais, o Jornal Tambor será disponibilizado para retransmissão nas emissoras comunitárias vinculadas à Abraço (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias no Maranhão), entidade que integra a Agência Tambor, juntamente com o jornal Vias de Fato e a Teia de Povos e Comunidades Tradicionais, com apoio do movimento sindical.

Para acompanhar as entrevistas, nesta terça-feira (3), acesse o site agenciatambor.net.br

Veja o perfil dos entrevistados:

Guilherme Boulos

É membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) e pré-candidato a presidente da República pelo PSOL.

Inaldo Kum`tum Akroá Gamela

Agente pastoral, foi coordenador da Comissão Pastoral da Terra no Maranhão (CPT-MA). Indígena Gamela, vive hoje novamente na Baixada maranhense, lutando ao lado do seu povo pela retomada das terras que lhes foram roubadas.

Radialista de Alcântara é autora do texto encenado na Via Sacra

Karina Waleska atua na rádio comunitária Alcântara FM, é graduada em História, tem especialização em Gestão da Cultura e é diretora do Museu Casa Histórica de Alcântara

Fonte: João Filho Portal de Notícias

Fé, amor, devoção e emoção em contraste com um cenário histórico marcaram a tradicional Via Sacra de Alcântara. Crianças, jovens e adultos se reuniram no propósito de recriar o fato mais importante da história do Cristianismo em uma peça cheia de surpresas e comoção. O espetáculo começou no Largo do Carmo e encerrou-se na Praça da Matriz.

Centenas de pessoas percorreram, nesta Sexta-Feira Santa (30), os principais pontos turísticos da cidade histórica de Alcântara atentos a cada detalhe da Paixão de Cristo. A peça foi realizada pela Companhia de Teatro Culturarte com o apoio da Prefeitura de Alcântara.

Para Karina Valesca, escrever a Paixão de Cristo é uma experiência única, que fica para a vida inteira. “Quando a gente começa se aprofunda na história de Jesus é muito emocionante. Aprendemos a ter mais fé a cada dia de estudo. E ver essa história sendo encenada em praça pública é impagável”, destacou a escritora.

De acordo com a espectadora Maria dos Remédios, a Via Sacra é emocionante ainda mais quando apresentada nas ruas de Alcântara. “Os casarões, as ruas de pedras e as ruínas deixaram esse espetáculo mais original. Durante a peça senti que minha fé se renovou, porque foi lindo e cheio de vida tudo que vi”, disse Maria.

Leia o texto integral e veja o álbum de fotos aqui

Luiz Henrique: “O PT pulsa forte na defesa de Lula e da democracia”

O jornalista, secretário de Formação do PT no Maranhão e pré-candidato a deputado estadual, Luiz Henrique, vem percorrendo todas as regiões do estado com uma mensagem de esperança, renovação e força junto à militância petista. Firme na defesa de Lula, Dilma e das conquistas alcançadas nos mandatos presidenciais do PT, ele tem diálogo permanente com as bases em diversas atividades do partido. Nas suas incursões pelos mais longínquos municípios está conhecendo melhor as experiências e os potenciais produtivos do Maranhão, seja de empresas ou de comunidades rurais quilombolas.

Na Secretaria de Formação, Luiz Henrique segue determinado no trabalho de levar mais oportunidades de qualificação aos militantes e dirigentes do partido. Uma delas é o Curso de Difusão de Conhecimento, articulado junto à Fundação Perseu Abramo, que já foi realizado em Coelho Neto, Pedreiras e será replicado em Imperatriz, para a região tocantina, e em São Luís.

Nessa entrevista, Luiz Henrique faz um balanço da situação do PT, analisa os desdobramentos do golpe e especula sobre os cenários de 2018.

Blog – Qual a situação do PT atualmente, após o golpe que tirou o mandato da presidente Dilma Roussef? Está acuado ou ainda pulsa?

Luiz Henrique – O PT pulsa forte. E ainda bem que assim seja. O PT é tão necessário para a jovem democracia brasileira e creio que o povo percebeu isso muito rapidamente, bastou um ano e alguns meses pós-golpe parlamentar e derrubada da presidenta Dilma. De repente nos vimos em um retrocesso de direitos e conquistas duramente conseguidos. Há pouco mais de um ano, em uma bem orquestrada narrativa da Globo e grande mídia, estávamos carimbados e identificados como partido da corrupção. Hoje voltamos a ser, aos olhos do povo, o que realmente somos, um partido identificado com direitos e a luta dos interesses da classe trabalhadora. Pesquisa recente aponta que somos líderes no item partido confiável para 19% da população. O segundo lugar tem 5%. O PT pulsa forte. E, como partido de massa e quadros, se reinventa. O tempo de ficar acuado, passou.

Blog – O fenômeno Lula é determinante no PT. Alguns analistas chegam a dizer que o lulismo é maior que o PT. Você concorda com essa avaliação?

Luiz Henrique – Lula um dia vai passar e será memória e história, o PT não. Em grande medida Lula e PT se confundem, criador e criatura se harmonizam. O Partido dos Trabalhadores não é só o pensamento, história, conceito, concepção, ideais e luta de Lula. Ele também é minha história, a trajetória de milhões de brasileiros, o ideal de tantos militantes, vivos ou que já não estão entre nós, como Chico Mendes, de pessoas que nem são filiadas ao PT. Aliás, costumo dizer que o maior número de filiados não é o que consta no cadastro do partido, mas o que está nas ruas. Gente que não sabe que é PT, mas é; os que têm vontade de ser; e os que têm consciência que são, sem vínculo de filiação.

Lula sintetiza e encarna essa luta, essa história, esse projeto de país que defendemos. Lula tem o traço pessoal do carisma, da fala compreensível às massas. Lula é um fenômeno político da natureza. Daqui a 100 anos estarão falando de Lula, pelo que é, pelo que fez como presidente, pelo que representou para a consolidação democrática do Brasil, e por realizar um outro país possível, com inclusão social. Contudo, o PT não é um legado de Lula. É o contrário, Lula é que é um legado petista. O PT é maior do que ele.

Blog – Nas suas andanças pelos municípios do Maranhão, o que mais incentiva você a permanecer no PT?

Luiz Henrique – O aceno positivo de cabeça da maioria das pessoas do povo, com quem temos conversando, toda vez que falo da nossa experiência de governo, quando comparo o que fomos para o povo e como era a vida no passado e no presente.

Reafirmo que estou no caminho certo, quando ouço uma senhorinha dizer que se decidirem prender Lula, ela vai pedir para ficar na cadeia no lugar dele… Ouvi isso nas minas andanças. Dona Francisquinha, uma mulher do povo, dizendo que ela e os filhos ficaram livres foi de prisão maior, que era a fome, a falta de perspectiva. Hoje, diz ela: “tô alimentada e tenho filho doutor. 10 anos de cadeia pra mim é nada”.

A seu modo, o povo sabe que Lula pode ser preso, não por erros, que nesse caso do tal triplex não cometeu, mas pelos acertos e opção de seu governo na direção do povo, gente como dona Francisquinha, de quem escutei essa declaração. Isso é que me dá a certeza da luta e do lado que estou. Assim, sigo petista.

Blog – Poderia citar um exemplo de petistas ainda autênticos e como estão fazendo o partido com base em princípios?

Henrique e Lula: estamos juntos

Luiz Henrique – O que não falta ao PT são bases autênticas. Quer ver um exemplo: todos devem lembrar de Valdinar Barros deputado, mas antes de tudo Valdinar é um trabalhador rural. Sabe onde era comum encontrar Valdinar depois que ele perdeu eleição? Na roça. Valdinar ia pra roça, resolver no seu lote de terra, conquistado na luta na região de Imperatriz, o sustento de sua família. Agora imagina qualquer deputado de qualquer outro partido viver essa experiência?!.

Valdinar é apenas um exemplo de que o PT teve a ousadia de eleger um lavrador para ser um dos 42 deputados do Maranhão e, ao não se reeleger, voltar a ser o que é, sem ascender econômica e socialmente por conta de uma função pública. O que acontece com o companheiro Valdinar é recorrente no PT. Olívio Dutra, depois de ser governador do Rio Grande do Sul, voltou a ser caixa de banco Banrisul, onde era servidor.

Hoje Valdinar está contribuindo com sua experiência parlamentar e de vida com a prefeitura de São Francisco do Brejão, como secretário de Agricultura, mas não tenho dúvidas que se precisar voltar pra lida na enxada, o fará. Ao seu modo revela sua consciência de classe.

Quer ver outro exemplo, há poucos dias atrás o PT de São Roberto, que compunha o governo municipal, com três Secretarias Adjuntas (Obras, Saúde e Agricultura); uma Secretaria titular e outros postos, todos pediram exoneração dos cargos, haja vista o prefeito condicionar a permanência dos petistas na gestão, mas tendo que votar em candidatos a deputado federal e estadual dos compromissos assumidos por ele, prefeito. A resposta do autêntico PT de São Roberto foi não!. Eles têm compromisso e fidelidade é de votar em candidaturas do PT. Aí não contaram conversa, saíram todos dos 21 cargos de confiança que ocupavam. Quer mais autêntico e movido a princípios que isso? Será que não fará falta o que ganhavam? Claro que sim, mas primeiro os princípios.

Blog – A tendência Mensagem ao Partido fez recentemente um encontro e mudou a denominação para Resistência Socialista. Ainda é possível reencantar o PT com o socialismo?

Luiz Henrique – O reencantar é diário. Como disse antes, um partido como nosso, cuja força motriz é o povo e sua base social organizada em sindicatos, ONGs, movimentos ligados a terra, como MST; ou a comunicação, como Abraço; ou ao meio ambiente; a cultura, vive de se reinventar.

As histórias de vida que acabo de citar são ou não encantadoras? Desafiadoras?  O surgimento de uma nova corrente política, como agora a Resistência Socialista, é também um reinventar, um reencantar. É um balançar na zona de conforto do PT e de pessoas. A palavra tem poder; assim, quando sustentamos a denominação de uma força política interna ao partido na resistência e no socialismo, estamos nos afirmando.

O capitalismo é hegemônico no mundo desde que o mundo é mundo, mas é o socialismo que liberta o homem da opressão, da miséria. No Brasil o socialismo nunca foi tão necessário. Os ventos de ódio, intolerância e quebra de direitos e conquistas são fortes e ameaçadores. Somente o muro do socialismo, a consciência de classe, será capaz de barrar as extremas desigualdades do capitalismo.

Blog – O que é o curso Difusão de Conhecimento e como está sendo recebido nas bases do PT?

Luiz Henrique – A Difusão do Conhecimento é uma iniciativa da Fundação Perseu Abramo, entidade da estrutura petista de organização, que resolveu fazer um curso, com duração de três meses, um curso a distância, aberto à sociedade e não só aos quadros partidários. A finalidade é dar condições de análise crítica da história contemporânea, explicando como o mundo se move na perspectiva dos interesses do grande capital e da classe trabalhadora. O curso visa contribuir com a capacidade de criticidade da população na interpretação desse processo.

Militância permanente é a marca de Henrique

Blog – Qual o papel da Secretaria de Formação do PT nesse cenário de crise e pós-golpe?

Luiz Henrique – Em qualquer circunstância, o papel de uma Secretaria de Formação é fundamental. Ainda mais quando enfrentamos um ambiente com essa complexidade. Portanto, nosso papel é formar nossos quadros para intervir com clareza e conhecimento de causa nos desafios a nós apresentados pela conjuntura. É disseminar o debate interno, para que a partir daí ele ganhe espaço na sociedade. É sustentar, com base e dados, o projeto de país que nós queremos, do mundo que desejamos. É preparar nossos quadros na defesa do nosso legado de governo e concepção.

Tenho pautado a postura da Secretaria de Formação nessa perspectiva. Já realizamos duas etapas do curso no Maranhão, formando duas turmas de 80 participantes cada, a do leste, cuja aula inaugural foi em Coelho Neto, e agora, neste final de semana, no Mearim, em Pedreiras. Até o final do primeiro semestre, iremos realizar mais duas etapas: São Luís, previsto para 1º de junho; e dia 3 de junho em Imperatriz, cobrindo assim a região tocantina.

Blog – 2018 será um ano fundamental para a política. Quais os seus palpites para a situação de Lula?

Luiz Henrique – Creio que dificilmente Lula será preso. Prender Lula sem prova, só com a convicção do Moro e do MPF, é desmoralizar de vez a Justiça. Fará Lula ficar maior do que ele é. A prisão vai trazer todos os olhares do mundo para o Brasil e matar a nossa jovem democracia, que nada será, senão um simulacro do estado democrático. A prisão pode transformar Lula, de novo, em um preso político. Mas hoje, ao contrário de ontem, aos olhos do Brasil e do mundo, ele não é um anônimo. Prender Lula pode ser o que a bala que matou Vargas representou: o estopim para a intifada tupiniquim, pode provocar a revolta dos anônimos, como da dona Francisquinha, que se submete até a ficar presa no lugar dele. Para eles, 10 anos é nada. Pra nós petistas também.

Até o momento a sociedade, até porque está dividida, tem permanecido anestesiada, diante da seletividade da Justiça em relação às punições ou tentativas, a Lula e a petistas, mas se prenderem Lula sem provas, vai faltar presídio no Brasil. A porta da cadeia estará aberta para os tantos Gedel, Paulo Preto, Aécio Neves, Azeredo, Moreira, Jucá, Temer e sua gangue. Contra eles, ao contrário de Lula, há malas e até apartamento de dinheiro e provas em abundância.

Há alguns meses, escrevi um artigo e afirmei que não há eleição sem Lula. Mesmo que consigam impedir a candidatura, não impedirão que ele aponte seu voto. Traduzindo: seu voto será o sinal de quem ele indica para substituí-lo em 2018. O Brasil vai virar milhões de Lulas, a substituir o voto que ele não poderá dar em si mesmo.

Penso também que dependendo do tamanho que Lula chegue em agosto, se chegar com a força descomunal das ruas, ele será candidato, porque a elite é tudo, menos doida e burra. Vai preferir governar com Lula do que deixar ele governar com o povo, ou seja, creio que Lula ganha eleição com Lula ou sem Lula. Lula só perderá se não tiver eleição. Isso é possível? Sim, infelizmente é possível.

Blog – Em relação ao cenário maranhense, qual a sua avaliação sobre a posição do PT nas eleições de 2018. Vai repetir a aliança com Flávio Dino?

Luiz Henrique – Se depender do meu voto como dirigente e como delegado no encontro de tática eleitoral, sim. Flávio Dino representa no Maranhão o que Lula representa no país, precisa da unidade das forças populares, democráticas e de esquerda. Não há dúvidas que o Maranhão é outro. Quando me perguntam qual o legado do governo Flávio Dino, não me restrinjo às políticas implementadas, tais como Mais IDH, IEMA, Escola Digna, finanças austeras, que permite pagamento de salários e serviços, crescimento PIB, em muitos anos, agora o maior do país. Nada disso. O que me convence é a opção de pela primeira vez experimentarmos o republicanismo. Um estado sem dono, por isso voto Flávio Dino.

Lideranças expressivas do PT na defesa de Lula

Mas, tem sempre um “mas”, precisamos pensar também nos interesses do PT. Não dá pra não ter protagonismo. Com o cenário que se apresenta, não dá para o PT ser menor que os partidos golpistas DEM, PRB, PPS e demais especulações possíveis. Temos militância, história, tempo de TV e Lula. Precisamos debater qual o espaço digno do PT nessa composição. Pelo beiço, não.

Blog – E o cenário das eleições proporcionais? O partido vai assegurar as bancadas atuais ou ampliará?

Luiz Henrique – O PT vai só para eleição proporcional, há consenso de não fazer coligação. Com as candidaturas que temos, para deputado estadual elegeremos dois deputados, com possibilidade de um terceiro se ampliarmos a chapa e uma boa campanha de legenda, puxada por Lula ou por uma candidatura ao Senado. De igual modo, para federal, até em razão da legislação, que aproveita a sobra, se o partido não atingir o quociente eleitoral, faremos um deputado federal. Qualquer ampliação é possível, mas dependerá da chapa e legenda. Nesse cenário, em todas as bolsas de apostas, tenho ficado bem posicionado.

Blog – Por que você está disponibilizando o nome para ser avaliado em 2018?

Luiz Henrique – Nem foi uma decisão minha. Claro que passou por mim, mas a decisão foi do mesmo agrupamento político que elegeu o deputado Zé Carlos por duas vezes. É uma decisão avalizada por dois dos sete prefeitos petistas e demais lideranças da Resistência Socialista, tendência política que milito internamente no PT.

Os companheiros compreendem que estou pronto para exercer um mandato de deputado estadual, que posso contribuir com o PT e com um governo de esquerda, como é o governo Flávio Dino. Estão nesse projeto coletivo homens e mulheres, juventude, lideranças de vários segmentos sintonizados na concepção de que podemos disputar o futuro, que precisamos estar à altura do pós-Flavio Dino. Esses fatores me fizeram candidato.

Muito mais que a escolha de um nome, existe um projeto coletivo em torno da defesa da educação pública de qualidade, da reforma agrária, da questão ambiental, das minorias, dos quilombolas, indígenas, quebradeiras de coco, ou seja, outro modelo de desenvolvimento para o estado, que priorize os recursos naturais, a vocação local de cada região.

Blog – Qual é o sentido da política na sua vida?

Luiz Henrique – A política é intrínseca a todos e todas. Todo mundo faz política. Fiz política eclesial na igreja; quando estudante, no movimento secundarista; política no movimento social, sou ex-presidente da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço) no Maranhão; faço política partidária desde 1989, quando me filiei no PT, e tive que esperar um ano para que acatassem meu pedido no diretório municipal de Pedreiras. Assim sigo. Quando me perguntam porque me dedico à política, respondo que toda pessoa honesta costuma ter preconceito na ocupação desse espaço. O problema, como disse Luther King, é o silêncio dos bons. Se não ocuparmos esse espaço, os bons sempre reclamarão dos maus, do que fazem da política. Se depender de mim, vamos disputar com eles, os maus políticos, para a política ser espaço dos bons.

Rádio Educadora AM dá exemplo de tolerância religiosa e diversidade cultural

O programa “Trem das CEBs*”, apresentado todos os sábados à tarde, na rádio Educadora AM 560 Khz, fez hoje uma significativa demonstração sobre a convivência entre pessoas e práticas religiosas diferentes.

No estúdio, para dialogar sobre a Páscoa, estavam representantes do catolicismo, de religião de matriz africana e um pastor luterano. Todos expuseram seus pontos de vista sobre os sentidos da ressurreição de Jesus Cristo.

Apresentado por Cesar Soeiro, Ramon Alves e Neguinho, o “Trem das CEBs” promoveu um diálogo saudável, dando oportunidade para a audiência compreender a Páscoa e as interpretações de variadas concepções e práticas religiosas sobre esse tema celebrado em todo o mundo.

Em tempos de fundamentalismo político e religioso, a rádio Educadora AM, pertencente à Igreja Católica, deu uma significativa demonstração de tolerância, ecumenismo e respeito às diferenças.

O programa “Trem das CEBs” reforça o sentido pleno do rádio como uma plataforma de comunicação educativa.

Fica a sugestão para que o exemplo da Educadora AM seja seguido pelas emissoras controladas por evangélicos. A audiência ganha muito quando um tema religioso é abordado por padres, pastores e pais de santo em diálogo sobre fé e História, admitindo a diversidade.

O que é Comunidade Eclesial de Base

Segundo o site Vida Pastoral, as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) surgiram no Brasil como um meio de evangelização que respondesse aos desafios de uma prática libertária no contexto sociopolítico dos anos da ditadura militar e, ao mesmo tempo, como uma forma de adequar as estruturas da Igreja às resoluções pastorais do Concílio Vaticano II, realizado de 1962 a 1965. Encontraram sua cidadania eclesial na feliz expressão do Cardeal Aloísio Lorscheider: “A CEB no Brasil é Igreja — um novo modo de ser Igreja”.

Imagem retirada deste site

A Páscoa dos bem-te-vis de São Luís

O pássaro bem-te-vi é tão significativo em São Luís que deveria ser informalmente declarado patrimônio imaterial da sonoridade na Ilha do Amor

Meu bairro da infância e adolescência, o Apeadouro, é um laboratório para a vida inteira. Sempre que vou lá visitar a minha mãe, na rua Sousândrade, tenho lembranças. Uma delas é o hábito de botar apelido nos outros. Naquela época, o bullying ainda não tinha a visibilidade dos tempos atuais, embora já fosse uma prática muitas vezes grosseira.

No Apeadouro tinha apelido para todos os gostos. Eu era menino magrelo demais, parte da genética e também por queimar muitas calorias jogando bola na rua até escurecer. De tão franzino, ganhei apelido de bem-te-vi, carimbado por um homem grisalho, de voz grave, onde eu sempre levava sapatos para consertar. Ele próprio tinha apelido – Chapolion – e eu nunca soube seu nome de batismo.

Toda vez que eu ia entregar ou receber sapatos e sandálias na oficina de Chapolion, ele me recebia com um sorriso e a característica saudação “fala, bem-te-vi”. Nunca me incomodei com aquele codinome, talvez por isso o apelido não tenha colado.

Fato é que carreguei essa lembrança a vida toda e um carinho especial por esse pássaro, cantado em tantas músicas, narrado na literatura de Josué Montello e nome de um jornal importante na Balaiada – “O Bem-Te-Vi” – porta-voz das forças políticas urbanas que se opunham ao poderio dos comerciantes portugueses e proprietários de terras, na primeira metade do século XIX.

O pássaro bem-te-vi é tão significativo em São Luís que deveria ser informalmente declarado patrimônio imaterial da sonoridade na ilha do amor.

Nesta sexta-feira Santa de 2018, nos primeiros clarões do dia, eles já estavam quebrando o silêncio e nos convidando a refletir sobre a Paixão de Cristo e o significado da cerimônia do lava pés.

Fiquei uns minutos ouvindo o canto deles, aprendendo com os pássaros o sentido da humildade num tempo de tanta arrogância, fundamentalismo, agressões e intolerância.

O canto do bem-te-vi inspira o sentido do diálogo. É sempre responsivo, se proclama no encontro com o outro, em sintonia.

Há sempre uma doação na cantoria deles. Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa são dias bons para ouvir os bem-te-vis e capturar deles o sentido da solidariedade.

Imagem capturada neste site

Esquerda solidária na imagem que marcou a semana

A imagem é do ato suprapartidário que reuniu milhares de pessoas no encerramento da caravana de Lula pela região sul do Brasil, dia 28 (quarta-feira), no Paraná.

Depois de enfrentar um atentato a tiros, quando um dos ônibus foi atacado por fascistas no Rio Grande do Sul, a caravana demarcou território na cidade símbolo da Lava Jato – Curitiba.

Em um grande momento de afirmação das esquerdas, o entrelaçar das mãos de três pré-candidaturas presidenciais – Manuela d’Avila (PCdoB), Lula (PT) e Guilherme Boulos (PSOL) – diz muito.

A foto revela mais ou menos o seguinte: temos diferenças, mas algo nos une – a democracia. E não estamos sozinhos.

Imagem: Ricardo Stuckert, do Instituto Lula

Rádio de alto-falante e o futebol nas memórias de Itapecuru-Mirim

Publico hoje a crônica do economista Josemar Sousa Lima, que nos presenteia com um saboroso texto sobre a Voz Paroquial São Benedito, uma rádio de alto- falante que anunciava um clássico do futebol em Itapecuru-Mirim. O texto memorável passeia por vários personagens da cidade e conta um importante capítulo da comunicação popular que ainda hoje pulsa no Maranhão. Embora estejamos na era digital, persistem rádios de alto-falante e com caixas de som nos postes – as emissoras a cabo, a exemplo da Rádio Realidade, no bairro Santa Clara, em São Luís.

Veja abaixo o texto integral de Josemar Sousa Lima, publicado inicialmente pelo autor em uma rede social. As imagens foram postadas pelo autor, com créditos para o acervo do jornalista itapecuruense Benedito Buzar.

UM JOGO DE FUTEBOL

Josemar Sousa Lima

A Voz Paroquial São Benedito, que tinha seus estúdios instalados na Igreja Matriz, anunciou em uma de suas edições noturnas, com a voz impostada de seu locutor oficial, Marcelino Nogueira Filho, vulgo “Rim de Égua”, o seguinte reclame, como eram chamadas as propagandas naquele tempo:

“Atenção aficionados do futebol! Não deixem de assistir no próximo domingo, no Campo do Renner, ao grande encontro futebolístico entre a Seleção de Itapecuru Mirim e a Seleção de Ipixuna”.

Eu, sentado na calçada da residência do senhor José Januário, uma quitanda de secos e molhados, localizada da antiga Rua da Boiada, bem do lado de minha casa, ouvia a notícia com grande interesse, pois já tinha visto falar antes nesse grande confronto, onde o time itapecuruense ia tentar vingar-se de uma goleada sofrida recentemente da seleção do atual município de São Luiz Gonzaga, próximo a Bacabal, antes conhecido como Ipixuna.

Tinha eu aproximadamente doze anos e trabalhava como “caixeiro” na quitanda do citado senhor José Januário e Dona Chiquinha, durante todas as manhãs, de segunda a sábado, e já tinha até pedido um vale para pagar o ingresso, muito embora tenha sido aconselhado pelo amigo “Zé Diabo” a “varar”, ou seja, entrar sem pagar, contornando a cerca de madeira e, disfarçadamente, aproveitando o matagal ao fundo, juntar-se aos distraídos espectadores.

Era assim que fazíamos nos circos, onde era muito mais difícil e, ainda, corríamos o risco de sair puxado pelas orelhas sob os gritos de “varou”! “varou”!

Eu não quis correr o risco até porque a menina que eu queria namorar, colega de turma no Grupo Escolar Gomes de Sousa, morava ali pertinho. E se ela visse?

Nessa época existiam na cidade apenas duas praças esportivas, chamadas não de estádios, como atualmente, mas de “campos” – o Campo do Itapemirim, metade grama, metade areia; ali para o lado da Construpan, e o Campo do Renner, assim mesmo com dois “enes”, localizado no caminho grande, um pouco antes de onde é o estádio atual, palco escolhido para a grande batalha programada para o domingo que se avizinhava.

Eu nunca fui um craque, mas já nesse tempo jogava no time da Rua da Boiada que tinha como rival mortal o time da Rua da Bica. Minha posição era a menos disputada – eu era goleiro!

Na cidade existiam dois times grandes – O Náutico Esporte Clube, que ostentava um dos uniformes mais lindos que já vi, nas cores auriazul (um amarelo- ouro, com uma listra larga e horizontal azul-marinho à altura do peito); e o Renner Futebol Clube, este com camisas brancas e uma listra diagonal verde-folha que se estendia do ombro à cintura, que lembrava muito no formato o atual uniforme do Vasco da Gama.

O Náutico Esporte Clube tinha sua sede na casa de Dona Graciete Cassas, talvez porque um de seus craques, o ponta esquerda Leônidas, era seu esposo. A sede do Renner Esporte Clube eu não consigo lembrar agora. Nem sei se tinha, na verdade, sede esportiva, mesmo improvisada.

Ouvindo craques da época cheguei à conclusão que a origem no nome Náutico Esporte Clube advém do clube homônimo do futebol pernambucano que se popularizou aqui graças a grande penetração da Rádio Clube de Pernambuco, cujo sinal chegava por aqui com muita potência e qualidade e era captado à noite, quando tinha energia, pelos poucos aparelhos de rádio AM existentes na cidade.

Já o Renner Futebol Clube tem uma origem mais intelectualizada, pois a palavra tem raiz germânica e significa “Mensageiro a Cavalo” ou “Corredor”, com estreita ligação com a arte guerreira, a exemplo do Arsenal Futbool Club, esquadrão inglês. Deve ter sido encomendada a algum dos vários letrados da cidade.

Chegou, enfim, o grande dia da batalha final. Logo depois do almoço vesti minha camisa branca de farda, que tinha as letras “GS” bordadas em azul-marinho na parte superior do bolso esquerdo, e uma calça curta de mescla azul – minha melhor indumentária – e sai rumo ao campo!

Segui pela Rua da Boiada com destino ao Caminho Grande e logo à frente, depois do então Armazém Santo Expedito, maior comercio da cidade, de propriedade do saudoso senhor Raimundo Sousa, local onde hoje fica a Creche Municipal, encontrei a turma do time da Rua da Boiada, que vinha em sentido inverso, e todos seus integrantes com as mãos e os bolsos cheios de chupas de laranja destinadas a recepcionar o caminhão de carroceria aberta que trazia a delegação visitante. Sempre era assim!

Juntei-me a eles e ficamos debaixo das mangueiras, logo no início do Caminho Grande onde, posteriormente foi construída uma praça, preparados o para o ataque que não se demorou para ser iniciado.

Foi só o caminhão aparecer que o bombardeiro implacável se iniciou com uma gritaria ensurdecedora, como um ataque de índios. Seguimos o caminhão até à entrada do campo e lá nos dispersamos. Uma parte entrou pelo portão do campo, pagando sua entrada e outra direcionou-se para um caminho alternativo, rumo à então olaria do senhor Venâncio, para iniciar as estratégias de entrar desapercebida pelo matagal existente na parte posterior campo.

Os expectadores se aglomeravam na parte frontal da praça esportiva, num espaço entre as cercas dos quintais das residências localizadas em frente ao campo e a beira do gramado. Ali existiam algumas amendoeiras que aliviavam do sol escaldante daquele domingo de agosto.

Os jogadores iam chegado isoladamente, sendo que a maioria vinha de bicicleta, alguns já devidamente equipados e outros que se vestiam ali mesmo à beira do gramado. O time adversário já estava devidamente preparado e, por segurança, se postou na parte oposta do campo, logicamente longe da torcida adversária.

O jogo estava prestes a começar e técnico da seleção de Itapecuru Mirim, Seu Emetério Silva, o barbeiro mais conceituado da cidade e pai de dois dos atletas da seleção – Leônidas e Manin, dava as últimas instruções táticas a seus pupilos.

Enquanto isso eu assistia a um desafio feito pelo Gavetão, irmão do Dico Pé de Gia, também jogador da seleção, que apostara com um amigo seu que conseguiria comer cinquenta pasteis de carne sem beber água. Ele já estava no trigésimo e de seus olhos brotavam lágrimas arrependidas, mas ele enfiando mais um pastel na boca, fazia gestos que ia conseguir chegar lá.

Ouvi dois silvos longos do apito do árbitro da partida e corri para posicionar-me melhor pois a partida ia começar.

Lembro de alguns jogadores da seleção de Itapecuru Mirim que, nessa ocasião usava o uniforme amarelo e azul do time do Náutico Esporte Clube.

O goleiro era “Lourival”, irmão do professor João da Cruz Silveira, que morava no Rio de Janeiro e passava férias na sua cidade natal. Fez defesas memoráveis nesse jogo, inclusive defendendo uma bola quase indefensável chutada por um jogador adversário que tinha o sugestivo apelido de “canhão”.

Na defesa lembro do famoso beque central “Belisca”, um zagueiro respeitado em toda região, que mesmo com a sua baixa estatura era uma barreira quase intransponível para os atacantes contrários. “Manin”, pai do nosso amigo José Augusto Silva, atuava na lateral esquerda. Era dotado de uma técnica apurada e realizava quase sempre preciosas assistências para seu irmão Leônidas, pela esquerda. Completava a defesa, o lateral esquerdo “Nogueira”, que não tinha lá muitos dotes técnicos, mas funcionava como um verdadeiro espanador na proteção de sua área e compensava a baixa estatura do seu companheiro Belisca.

No meio campo, um outro irmão do professor João da Cruz da Silveira, o “Zé Baiano”, um homenzarrão de quase dois metros, que não levava desaforo pra casa e quando errava a bola tirava o jogador adversário de campo. Nesse jogo dois saíram nessas condições e tiveram que ser substituídos. Do seu lado direito um jogador magérrimo e muito alto, exímio cabeceador, conhecido como “Seu Vá” e, do lado esquerdo, atuava um jogador de pernas tortas apelidado de “Pé de Gia”, completando o meio de campo.

No ataque da seleção itapecuruense, lembro bem do “Leônidas”, ponta esquerda, que, com as devidas vênias, lembrava muito o Zagalo da seleção brasileira e, pela ponta esquerda atuava “Zé Araújo”, irmão do Belisca, famoso por seus potentes petardos que, em determinado jogo chutou uma bola tão forte que quebrou o travessão de madeira lavrada de uma das traves do campo, resvalou rumo à bandeirinha de corner e, literalmente, dobrou ao meio uma bandeja de flandres que um garoto usava para vender cocada.

Essa proeza é lembrada até hoje pelos desportistas daquela época e/ou seus descendentes. Ressalte-se que naquele tempo ainda não se usavam as “redes de malha” para reter as bolas que ultrapassam a linha fatal. No meio dos dois, como pivô, estava craque do time, um jogador fantástico chamado “Batatinha”, irmão do atual prefeito de Itapecuru Mirim, Miguel Lauande. Batatinha chegou inclusive a ser contratado pelo Maranhão Atlético Clube de São Luís, jogou algumas partidas, mas a saudade de sua terra natal e das peladas sem rigores técnicos não o deixaram seguir carreira.

Batatinha, nesse jogo, fez miséria; com seus dribles desconcertantes à lá Mané Garrincha. Entortava os defensores adversários de forma humilhante. Fez, inclusive, o único gol da partida, cobrando um pênalti que gerou reclamações e uma briga generalizada, onde até sobrou para o árbitro da partida, um senhor que morava na Trizidela e não tirava sua faca peixeira nem na hora de apitar as partidas. Era conhecido por não deixar os times de fora de Itapecuru Mirim sair com vitórias

Esse foi o jogo de minha vida, elevando-me da categoria de um jogador medíocre (mediano) para um patamar superior de eterno apaixonado pelo esporte bretão, como diriam os narradores e comentaristas esportivos de antigamente.

Passei, então, a acompanhar todos os jogos dos times de Itapecuru Mirim, mesmo quando jogavam fora da cidade e éramos chamados pelas torcidas adversárias de “Comedores de Vinagreira”, uma alusão à opulenta produção de verdura nas vazantes das margens do Rio Itapecuru, até quando tive a oportunidade de ver um jogo do Santos Futebol Clube, realizado no Estádio Nhozinho Santos, em São Luís, em uma noite mágica do dia 05 de novembro de 1967, com a participação do “Rei Pelé” & Companhia e cheguei ao céu do futebol.

Muitos desses artistas da bola, integrantes daquela seleção mágica, já não estão entre nós e eu os saúdo, vivos e mortos, em nome do craque Júlio Araújo, o Belisca, que continua firme e forte entre nós e horando a memória de todos os futebolistas itapecuruenses.

JOSEMAR SOUSA LIMA é economista, com especialização em Planejamento do Desenvolvimento Rural Sustentável e membro da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA

Chance de Waldir Maranhão entrar no PT é mínima

Tudo pode mudar, porque a política é dinâmica, mas hoje o cenário para o deputado federal Waldir Maranhão entrar no PT é perto de zero.

Ele é rejeitado na quase totalidade do partido e seu ingresso seria um desgaste ainda maior para a legenda.

Além disso, a tentativa do deputado federal Waldir Maranhão de filiar-se ao PT só será avalizada pela cúpula do partido. É o que diz a regra.

Como o pretendente já tem mandato na Câmara Federal, cabe à Comissão Executiva Nacional petista decidir, segundo diz o estatuto da legenda, no art. 5º, especifivamente o §1º, grifado abaixo:

Art. 5º. A solicitação de filiação será feita perante a instância de direção municipal ou zonal do respectivo domicílio eleitoral, em formulários impressos conforme modelo definido pela instância nacional ou através de sistema informatizado do Partido, nos quais deverá constar a declaração de aceitação, pelo interessado, dos documentos partidários e da obrigação de contribuir financeiramente.

  • 1º: A filiação de líderes de reconhecida expressão, detentores de cargos eletivos ou dirigentes de outros partidos deverá ser confirmada pela Comissão Executiva Estadual e, no caso de mandatários ou mandatárias federais, pela Comissão Executiva Nacional.
  • 2º: Excepcionalmente, nos casos previstos no parágrafo anterior, é facultada a filiação perante o Diretório Estadual ou Nacional, que deverá ser aprovada pela maioria absoluta de seus respectivos membros.

Segundo várias fontes consultadas pelo blog, Waldir Maranhão está sem condições de formar maioria na cúpula nacional.

Na opinião pública, o ingresso do parlamentar deve provocar mais desgaste na imagem do PT, que neste momento deveria voltar suas forças para defender Lula das intimidações que podem desembocar no assassinato do ex-presidente.

Esse é o cenário de hoje. Waldir Maranhão segue fora do PT. Mas, como tudo na política muda muito rapidamente, e no PT a regra nem sempre vale, pode ser que haja alguma manobra ou alteração na conjuntura que viabilize a candidatura dele ao Senado no petismo.

Até o momento, a decisão está com a cúpula nacional.

Politicamente, além da regra, os petistas deveriam produzir um amplo manifesto de repúdio à filiação de Waldir Maranhão, até como forma de prevenção diante de eventuais mudanças de curso.

Por fim, tudo isso é repugnante. No momento mais difícil do PT, quando Lula, além de advogados, tem de ter a proteção de coletes à prova de balas, o “debate” sobre a filiação de Waldir Maranhão beira o suicídio político.