Defesa das comunidades quilombolas ganha reforço na Câmara dos Deputados

Frente Parlamentar teve lançamento no Congresso Nacional

O deputado federal Bira do Pindaré (PSB-MA) assumiu mais uma luta na Câmara. O socialista lançou a Frente Parlamentar Mista em Defesa das Comunidades Quilombolas. Ele vai coordenar o grupo que tem por objetivo promover debates, acompanhar e apoiar políticas, ações e projetos que permitam a defesa dos interesses das comunidades quilombolas no Brasil. “Estamos aqui para reerguer essa bandeira e fazer uma frente de luta e resistência capaz de enfrentar os grandes temas dessa Casa”, discursou Bira.

Na opinião do parlamentar, essas comunidades seguem ameaçadas em todos os estados brasileiros. “Estão sofrendo ameaças de expulsão, como acontece na questão da região de Alcântara (MA), cujo acordo de salvaguarda tecnológico será debatido aqui no Congresso. Não temos absolutamente nada contra esse tipo de acordo com qualquer país do mundo. O que nós queremos é que nosso povo seja respeitado. Não abriremos mão dos direitos fundamentais de nossa população e é por isso que estamos aqui para assumir esse compromisso juntamente com meus pares que abraçam a causa”, afirmou.

Para o líder do PSB, deputado Tadeu Alencar (PE), esse é um assunto tão relevante quanto tantos outros atualmente debatidos. “Diante de um Governo com várias frentes de ataques ao Estado Brasileiro e à soberania nacional, na condição de líder do partido, afirmo que devemos atenção especial a esse assunto, e fica evidente que não pode se fazer qualquer acordo sem destacar as comunidades quilombolas. Nessas terras, centenas de famílias realizam toda sua vida e eles não podem ser atingidos com decisões insensíveis. Bira do Pindaré espelha em sua atuação toda altivez, comprometimento e espírito público pregados pelo PSB. Estamos totalmente integrados à essa luta”, defendeu o líder.

Outro grande quadro socialista, o líder da Oposição, deputado Alessandro Molon (RJ), lembrou os dias de muita luta com a Reforma da Previdência. “Como muitos disseram aqui antes, sabemos especialmente a quem essa reforma vai afetar, que é o povo sofrido, os negros, que terão ainda mais dificuldades para se aposentarem. Cito exemplos concretos todos os dias, como um garçom negro que nos serve nessa Casa. É uma imoralidade que estão querendo aprovar contra pobres e negros e essa luta está conectada com essa Frente. Trata-se de uma luta da oposição em defesa de todas as comunidades quilombolas.”

O deputado Camilo Capiberibe (PSB-AP) também esteve presente no lançamento da Frente e afirmou que o País vive momento muito complexo e delicado. “As questões que envolvem as comunidades quilombolas e a nossa soberania representam nossa luta. Ouve um tempo em que o mundo olhava para o Brasil com esperança e hoje percebemos o contrário. É exatamente a resistência dessas comunidades que vai nos ajudar e superar esse momento tão difícil. Conte comigo para vencermos esse atraso.”

A deputada Lídice da Mata (PSB-BA) celebrou o lançamento dessa Frente e criticou o atual Governo sobre diversos temas que estão em pauta na atualidade. “Ele se sustenta numa ideia de sociedade para poucos, elitizada e geralmente voltada para os interesses dos grandes capitalistas. Sinto a necessidade de tratar desse tema e o povo pobre e negro ainda não percebeu o peso que irá carregar daqui por diante, como se não bastasse o peso do passado”, lamentou Lídice.

Danilo Cabral (PSB-PE) parabenizou Bira do Pindaré pelo respeito e legitimidade de seu trabalho  e defendeu os valores do PSB. “Esse ato que estamos praticando aqui é a reafirmação de quem tem crença na defesa da democracia e dos mais vulneráveis. Este é um momento que precisamos construir a unidade de luta do povo e isso tem reflexo na pauta dos quilombolas”, destacou Danilo. 

Sergio Moro no fim da linha

A cada nova revelação do The Intercept Brasil sobre os movimentos subterrâneos da operação Lava Jato ficam configuradas as intenções do então juiz Sergio Moro em atitudes deploráveis para um magistrado.

Tudo o que tem sido revelado nas conversas entre Moro e o procurador Deltan Dallagnol são uma afronta ao Estado Democrático de Direito.

Ambos mancham a imagem do Judiciário e do Ministério Público e enredam-se no mais escandaloso caso de aviltamento das suas funções de servidores públicos.

Moro extrapolou as suas atribuições de juiz. Atuou como operador de uma investigação seletiva, com objetivos previamente traçados e urdidos pelos mais deploráveis métodos, negando princípios constitucionais elementares.

As atitudes de Moro e Dallangnol expuseram ao ridículo até mesmo seus próprios colegas magistrados e procuradores, alguns deles transformados em joguetes das forças obscuras que arquitetaram um golpe contra a democracia no Brasil.

Dallagnol está tão desmoralizado que não tem sequer condições de comparecer a uma audiência na Câmara dos Deputados. O afoito procurador do power point hoje é um covarde.

O juiz impoluto, agraciado com o cargo de ministro no governo Jair Bolsonaro, é um sorvete na ventania. E está derretendo nas mãos do próprio presidente da República.

É impossível separar Moro de Bolsonaro. Eles são um bicho só, de duas cabeças.

Moro não tem mais condições de ser ministro da Justiça e Segurança Pública.

Se Bolsonaro tiver o mínimo de bom senso, aproveita a licença de Moro para demiti-lo do cargo.

Basta!

Organizações de pesquisa repudiam a anunciada extinção da Rádio MEC AM

Nota sugere a realocação da emissora em FM e a retomada de sua denominação original – Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Pesquisadores e professores da área de Comunicação representados pelas entidades abaixo assinadas vêm a público repudiar a notícia de que a Rádio MEC AM será extinta no fim do mês, conforme publicado pelo colunista Lauro Jardim, de O Globo, na última sexta-feira, dia 5 de julho de 2019.

A Rádio MEC AM é a mais antiga emissora em operação contínua, figurando entre as primeiras iniciativas de radiodifusão no país, ao lado da Rádio Clube de Pernambuco, criada em 1919. Com o nome Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, foi inaugurada em 1923 por um grupo de intelectuais liderados pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto, um dos pioneiros da divulgação científica no Brasil.

Em 1936, Roquette-Pinto doou a emissora ao Ministério da Educação, com a condição de que fosse assegurada sua preservação como rádio educativa e cultural. Com a extinção de sua fundação mantenedora, a MEC AM foi transferida na última década para a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), holding de comunicação pública do governo federal.

O fim da Rádio MEC AM, portanto, é injustificável pois configura o rompimento de um contrato de cessão da emissora ao governo federal. Além disso, ofende a memória de Roquette-Pinto, que se dedicou por décadas à educação e à cultura nacional.

Por seus estúdios e redações, passaram grandes nomes da cultura nacional, como os maestros Villa-Lobos, Isaac Karabtchevsky e Guerra Peixe, os escritores Mário de Andrade, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino e Manuel Bandeira, a atriz Fernanda Montenegro, a cantora Bidú Saião e o jornalista Arthur da Távola.

Entendemos que, após o decreto que autorizou a migração de emissoras AM para a Frequência Modulada, em 2014, a sustentabilidade de quem permanecesse nas ondas médias ficaria comprometida.

Apesar dos apelos de pesquisadores e professores de rádio, a EBC não solicitou a migração da MEC AM. É trágico que não tenha sido buscada uma solução para assegurar a viabilidade desse importante canal de comunicação pública e educativa, mantido por uma equipe de alto nível, a despeito de todas as dificuldades decorrentes da falta de investimentos básicos em infra-estrutura na EBC nos últimos anos.

Solicitamos ao governo federal, na figura do secretário de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, que reveja a decisão e busque uma alternativa para a emissora, que há 96 anos promove a educação e a cultura, ajudando a integrar o território nacional.

Sugere-se que a emissora seja realocada em FM e que retome sua denominação original, Rádio Sociedade do Rio de Janeiro.

Respeitosamente,

Grupo de Pesquisa Rádio e Mídia Sonora da Intercom

Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom)

Federação Brasileira das Associações Científicas e Acadêmicas de Comunicação (Socicom)

Rede de Rádios Universitárias do Brasil (RUBRA)

Rede de Pesquisa em Radiojornalismo (RadioJor)

Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (ALCAR) 

Grupo de Trabalho História da Mídia Sonora (Associação Brasileira de História da Mídia – Rede Alcar)

Associação Brasileira de Professores de Jornalismo (ABEJ) 

Imagem / rádio MEC / reprodução

Reportagem sobre o Apeadouro recupera histórias e as personagens do bairro tradicional de São Luís

Matéria produzida pelo jornalista Tiago Bastos, de O Estado do Maranhão, conta vários capítulos do bairro que já teve um dos arraiais de São João mais movimentados da ilha e até hoje conserva laços de amizade e solidariedade entre os vizinhos.

Veja imagens do jornal

MST inaugura espaço político e cultural em São Luís

A abertura será neste sábado, 6 de julho, a partir das 8 horas

O Espaço Cultural do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) na capital maranhense vai agregar livraria popular, armazém do campo, e Café Literário, instalado no mirante da casa.

Localizado no Centro de São Luís, o novo ambiente será um lugar de encontro para a produção cultural e realização de debates políticos. ” O Solar Cultural da Terra Maria Firmina dos Reis é um sonho que está se concretizando”, explicou a direção do MST, que prepara a inauguração com atividades culturais e almoço.

“A luta pela terra precisa de espaços para a exposição e comercialização de produtos da agricultura familiar, produção de cultura e de debates sobre a realidade brasileira e esse é o objetivo central do Solar Maria Firmina”, detalhou o MST.

Endereço: rua Rio Branco, 420, por atrás da Caixa Econômica Federal, Centro, próximo à praça Deodoro. 

Programação

8h – Feira da Reforma Agrária, abertura do Armazém do Campo e da Balaios Livraria.

10h – Ato de abertura, apresentação do Solar Cultural e aula inaugural “Cultura e Resistência”.

12h30 – Almoço (vendido no local)

17h30 às 21h30 – Abertura do Café Literário

Imagem retirada neste site

Trabalho acadêmico de Jornalismo da Ufma aborda os 80 anos do Moto Club

Samir Aranha Serra defendeu na tarde desta quinta-feira (4) o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo, na Universidade Federal do Maranhão (Ufma), com o tema “Time de fibra e de garra: caderno especial em comemoração aos 80 anos de futebol do Moto Club de São Luís.”

O TCC, na modalidade projeto experimental, contem abordagem teórica e peça prática – um caderno especial para jornal impresso com 12 páginas, colorido, em formato tabloide – 3. Na sua defesa, Samir Aranha Serra expôs como objetivo do trabalho a “utilização das técnicas de produção do jornalismo para desenvolver um produto midiático na modalidade caderno especial, apresentando um panorama histórico dos 80 anos de participação do Moto Club de São Luís no futebol maranhense”, explicou.

A pesquisa, segundo Serra, visou conectar a proposta editorial e gráfica com os elementos identitários do time e “desenvolver uma diagramação alinhada à proposta do caderno, com destaque às cores, fontes e fotografias que ilustrem adequadamente a grandeza do time ora apresentado”, detalhou.

Capa do caderno especial apresentado no TCC de Samir Aranha

Os títulos das matérias de cada página foram apropriados dos versos que formam o hino do Moto Club, como: “seus nomes vivem em nossos corações e nos lábios de muitos torcedores”; “campeão de feitos gloriosos, de heroísmo sem par e de coragem”; e “Moto Club de tantas tradições, colocado entre grandes vencedores”.

As 12 páginas do caderno especial contemplam matérias alusivas ao surgimento e consolidação do Moto Club, resgata os principais fatos e títulos sobre a história do time, entrevista com o ex-presidente da agremiação (jornalista Célio Sergio), traça um perfil dos grandes craques do “Papão” e das torcidas organizadas, além de uma crônica sobre as paixões de um torcedor.

O caderno especial sobre o Moto Club acrescenta à produção acadêmica uma peça prática relevante para a memória de um dos times mais tradicionais do futebol maranhense, sendo também um trabalho relevante para o cenário do jornalismo esportivo no Maranhão.

A banca examinadora foi integrada pelos professores doutores Carlos Agostinho Couto, Bruno Ferreira e Ed Wilson Araújo (orientador).

Samir Aranha exibe o caderno especial, avaliado pelos professores
Ed Wilson Araújo, Carlos Agostinho Couto e Bruno Ferreira

Sobre o autor

Samir Aranha Serra é bacharel em Direito e radialista com registro no Ministério do Trabalho. Ele já atua como jornalista e tem experiência em redação e assessoria. Foi editor-chefe de O Imparcial (2016-2017), coordenador de social media na Agência Piguara, atendendo campanhas de Edivaldo Holanda Junior (2012), Edmilson Rodrigues (Belém, 2012) e Fernando Collor (Alagoas, 2014).

Samir no café, bebida predileta de muitos jornalistas

Atuou ainda como jornalista da Assembleia Legislativa da Paraíba (2018) e na Assessoria de Imprensa no evento de lançamento do livro de Manuela D’Ávila, em São Luís (2018). Tem matérias publicadas no portal Vermelho, O Estado de Minas e Correio Braziliense. Foi assessor de comunicação da Secretaria de Estado da Educação, no Maranhão, entre 2013-2014.

Abraço Brasil reivindica ampliação da potência e mais um canal para as rádios comunitárias

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço Brasil) realiza nesta semana intensa mobilização no Congresso Nacional com o objetivo de pressionar os parlamentares para aprovarem projetos de interesse das emissoras comunitárias.

Vários dirigentes das associações estaduais filiadas à Abraço Brasil estão na capital federal percorrendo os gabinetes dos parlamentares para solicitar apoio às iniciativas visando modificar a legislação atual que limita a potência e as formas de subsistência das rádios.

Uma das iniciativas está mais focada na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCTCI) da Câmara dos Deputados, instância importante na estrutura de poder do parlamento, onde a Abraço Brasil pressiona para obter posição favorável ao aumento de potência e ampliação de canal para o serviço de radiodifusão comunitária.

A entidade enviou uma “Carta Aberta aos Deputados da CCTCI” reivindicando a ampliação da potencia atual de 25 watts para até 150 watts, de acordo com o projeto de lei nº 10.637/18 que será apreciado na comissão e posteriormente no plenário da Câmara.

Veja abaixo a carta

CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS MEMBROS DA CCTCI

Brasília, 02 de julho de 2019.

Exmo. Sr(a). Deputado(a),

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO Brasil, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, solicitar veementemente seu empenho e o mais absoluto apoio em defesa das Rádios Comunitárias do nosso país, votando favorável ao PL 10.637/18.

O PL 10.637/18, que trata do aumento de potência dos transmissores para até 150 watts e mais um canal para rádios comunitárias por município, versa sobre reivindicações históricas do movimento brasileiro de radiodifusão comunitária, sendo o projeto aprovado por unanimidade no Senado Federal.

É importante lembrar que a lei 9.612/98, que criou as rádios comunitárias, até o presente momento nunca foi alterada e, nesses 21 anos de sua existência, o país cresceu, entre outros aspectos, demograficamente, o que nos leva a considerar que as rádios comunitárias precisam crescer também.

Com relação ao que consta no projeto de lei sobre aumento da potência para até 150 watts, queremos destacar que será o órgão Anatel quem definirá se a emissora, em determinada localidade, precisará, ou não, ampliar a sua potência. Isso significa, que nem todas as emissoras terão seus transmissores com potência aumentada, podendo algumas delas permanecerem com os mesmos 25 watts, e outras, a exemplo da região amazônica a qual sofre da necessidade de ampliação, serem beneficiadas com a possível nova regra.

Fortalecer as rádios comunitárias é fortalecer as pequenas cidades e comunidades, já que 70% dos 5.570 municípios possuem populações de 5 a 20 mil habitantes, justamente onde mais atuamos, já que as rádios comerciais não demonstram interesse em atuar nessas localidades por não serem elas lucrativas.

Atualmente existem 5.000 rádios comunitárias outorgadas atuando em cerca de 4.300 municípios. Hoje somos mais de 100 mil pessoas que atuam diretamente nas rádios comunitárias, entre dirigentes, conselheiros comunitários, locutores voluntários e outros tipos de colaboradores que demandam recursos. Convém também ressaltar que pagamos impostos tal qual uma rádio comercial.

Entendemos ser importante que os senhores possam levar em consideração o relevante trabalho que essas emissoras desempenham nos municípios, fortalecendo e valorizando seu comércio, a cultura local, sendo um canal acessível de comunicação e prestação de serviços em prol de toda a comunidade.

Desejamos que os senhores parlamentares entrem positivamente para a história da Radiodifusão Comunitária do Brasil, fazendo a primeira alteração da lei 9.612/98, votando SIM pela aprovação do PL 10.637/18, na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – CCTCI.

Atenciosamente,

Diretoria da ABRAÇO Brasil

Diretorias das Abraços Estaduais

Diretorias das Rádios Comunitárias

Imagem capturada neste site

Flavio Dino e Sarney: o encontro

Editorial do Vias de Fato analisa o acontecimento de maior repercussão na política do Maranhão na atualidade e as suas implicações no cenário nacional

As presenças de Jair Bolsonaro na Presidência da República e de Sérgio Moro no Ministério da Justiça representam uma agressão à frágil “democracia” brasileira. Inclusive, se a dupla fosse um pouquinho diferente, o ex-juiz federal já estaria afastado do cargo que segue ocupando no Poder Executivo. O que o The Intercept já revelou é inaceitável em qualquer república de respeito. É um escândalo!

Hoje, Bolsonaro e Moro são a face mais visível do autoritarismo brasileiro, da herança da ditadura, do poder do crime organizado (milicianos), da fraude eleitoral (caso das laranjas e do WhatsApp), da parcialidade da justiça, do desrespeito aos direitos humanos, da calúnia como instrumento político, do farisaísmo religioso, da violência institucional, da interferência ilegítima de familiares nos governos. Por tudo isso, precisamos combatê-los, denunciá-los, buscar alternativas. E mais do que isso, precisamos aprender com a história.

Atualmente, um dos problemas brasileiros são mentiras aparentemente bobas, que poderiam ser facilmente desmascaradas, mas que passaram a ter algum enraizamento, contribuindo para a recente eleição de Bolsonaro, diminuindo sua rejeição. Trata-se de um discurso que minimiza  as atrocidades promovidas pela ditadura militar no país, a partir do golpe de 1964. É uma versão; divulgada inclusive por professores; onde é propagado que houve “uma reação a tentativa de implantar o comunismo no Brasil”. Outros dizem que a ditadura “combateu a corrupção” e só quem se deu mal foram os “bandidos”. Este problema foi criado na “transição democrática”, processo que passou pela década de 1980, tendo entre protagonistas figuras de dentro do antigo regime, caso de Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney, Jorge Bornhausen.

No último dia 26 de junho, houve um encontro de grande repercussão, mais especificamente no Maranhão.  Flávio Dino, atual governador do estado, foi até a casa de José Sarney, em Brasília. A visita e a conversa, segundo a versão do próprio Dino, foi para ele dizer a Sarney que “a democracia brasileira corre perigo”.

A questão não é bem o encontro, um episódio da realpolitik. O problema central é o discurso. Associar figuras como José Sarney a luta por democracia é um desserviço, inclusive as futuras gerações. É bem complicado, em 2019, nessa altura do campeonato, a possibilidade do maranhense Flávio Dino tornar-se um avalista da falsa biografia do ex-presidente da Arena, o partido da ditadura.

A verdadeira biografia de Sarney está ligada a degeneração do poder judiciário, a sucessivas fraudes eleitorais, chicanas jurídicas, abusos de poder, golpe de 64, tentativa de calar a imprensa, apoio ao AI-5, relação com Brilhante Ustra, golpe contra Dilma, participação no governo Temer, apoio a recente campanha da extrema-direita, corrupção, mais corrupção, relação promíscua com empreiteiras etc. Está ligada a grilagem de terras, ao assassinato de camponeses, ao genocídio dos indígenas, ao péssimo IDH do Maranhão, Operação Tigre etc. Segundo Manoel da Conceição, fundador do PT, planejaram a morte dele e “Sarney esteve metido nisso”. E tudo isso é apenas a ponta de um iceberg.

A visita de Dino a Sarney é associada ao nome de Lula. É factível.  O encontro, no entanto, passou pelos assuntos do Maranhão. Teriam falado sobre literatura, patrimônio histórico. Os sinais dessa cordialidade  podem ser vistos também na programação do Sistema Mirante (que inclui a Globo local, controlada pelos filhos de Sarney) e na Assembléia. No poder legislativo maranhense, um correligionário de Flavio Dino (Othelino Neto) foi eleito presidente da Casa, no último dia 1º de fevereiro, com 100% dos votos. E três meses depois, no último dia 6 de maio, o mesmo Othelino foi reeleito, novamente com 100% dos votos. Reeleito no início de 2019, para um mandato que só começará em 2021. A oposição encarou o fato como absolutamente normal.

Percebe-se que estamos tratando de pessoas que pensam longe.  Na hipótese de se aliar com o que restou do grupo Sarney, Flávio Dino poderia seguir enquadrando toda a classe política do estado, indicando, em 2022, um sucessor de sua absoluta confiança. Na próxima eleição estadual, estará aberta uma vaga no Senado. Hoje, pelo Maranhão, ela é ocupada por um ex-adversário de Flávio Dino, que depois se tornou aliado e hoje é dissidente. Nessa mistura de xadrez com ioiô fica a pergunta: para garantir um sucessor de muita confiança e pouca popularidade, o atual governador poderia oferecer na sua chapa uma vaga para um ex-adversário (ou adversária)? Se for assim, lembrando Garrincha, só faltaria “combinar com os russos”. Nesse caso, estamos apenas analisando possibilidades. As pontes existem.

O que o Vias de Fato sente-se na obrigação de realmente registrar e criticar, neste momento, é qualquer discurso que possibilite um atentado contra a história. É qualquer possibilidade de associação de oligarcas com a luta por democracia. Estamos falando de um valor, associado à justiça e liberdade. De algo que não pode se perder em retóricas. E nesse caso específico, os fins não justiçam o discurso. Uma das piores consequências desse tipo de erro, dessa narrativa inverídica, encontra-se hoje sentado na cadeira de presidente da república.

No Brasil; houve sim uma ditadura civil-militar a partir de 1964. E alguns dos seus cúmplices e protagonistas ainda estão vivos, posando de democratas. José Sarney – pra quem Jair Bolsonaro recentemente bateu continência – é um deles.

Fonte: Jornal Vias de Fato.

Publicado em agenciatambor.net.br

Em 30/06/2019

Eloy Melonio navegando no mar das palavras

O blog publica o discurso de posse do escritor/poeta Eloy Melonio na “Academia Ateniense de Letras e Artes”. Um belo texto para admirar e saborear

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

Criei essa paráfrase, quase uma epifania, já um pouco tarde na vida. Mas ainda em tempo de me agarrar às palavras que, ora quentes, ora frias, me ajudaram a empreender uma nova e ousada “travessia” em minha vida. Especialmente para atender ao que Fernando Pessoa resume num aforismo, ou seja, “não ficasse à margem de mim mesmo”.

Não sou o primeiro numa aventura desse tipo: os hebreus ― conta-nos a Bíblia ― se embrenharam no deserto por quarenta anos para tomar posse de Canaã; os navegantes europeus, imbuídos do espírito de conquista, cruzaram o Atlântico para colonizar às Américas; os astronautas da Apolo 11 mergulharam no espaço para pisar na Lua e fazer ciúme aos poetas; os refugiados de nossos dias enfrentam perigos de toda ordem, seja em terra ou no mar, na ânsia de se jogar nos braços da paz e da esperança.

De igual modo, minha travessia nesse mar chamado Literatura não é ― como se pode imaginar ― tão somente uma aventura, mas um mergulho nesse fascinante e assombroso mar das palavras.

Mar sem fim, sem começo, sem meio. Mar que provoca fascinação, que nos traga de maneira tal que já não conseguimos dele emergir. Que nos eleva e nos abaixa à guisa de suas ondas de inspiração. Que nos cerca como se fôssemos ilhas de poder, de sabedoria, de devoção, de inspiração.

Mar de lendas, mistérios, poesia, música, ficção, distopias. Mar de angústia, de dor, beleza, saudade. Mar de paixões, de amores, de conquistas. Mar de correntes épicas!

Mar de gente que escreve, que lê; gente que imagina, que sonha, que discorda. Gente que voa, ri, e que se emociona quando chega ao fim de uma história, seja autor, seja leitor.

Mar da sintaxe, da semântica, da metalinguagem, da intertextualidade, das metáforas.

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

Foi por esse mar de palavras que enveredei em 1999, para escrever dois livros de cunho religioso: o temático “A Verdade que Liberta”, e a novela “Os Dois Lados da Cruz”. Mas a poesia, minha ilha predileta, ainda não se avistara com meu coração. Essa paixão só se revelou em 2006, quando voltei à seara acadêmica para fazer o curso de Letras na FAMA (Faculdade Atenas Maranhense), onde encontrei um mar que desenhava ondas que refletiam o brilho da Lua e o calor do Sol.

E lá escrevi meu primeiro poema que, imaturo, ainda não sabia que um dia se acomodaria na primeira página de “Dentro de Mim”, meu livro inaugural, lançado em abril de 2015. Livro que também ainda não ocupava espaço nos meus sonhos. E assim, esse poema nasceu numa madrugada insone, quando, olhando para o lado, vi minha amada dormindo como um anjo. E, do nada, comecei a pensar e a me preocupar com o dia em que ela ou eu não mais aquecesse o outro. Peço-lhes licença para ler “Ausência”:

Se faltar a esperança,

conto com a sorte:

perder ou ganhar.

O que for.

Se faltar a paz,

enfrento a morte:

viver ou morrer.

O que for.

Se faltar o amor,

espero a dor:

superar ou sofrer.

O que for.

Se faltar você,

farei o que possível for:

viverei a saudade

ou morrerei de amor.

Compartilhei meu primeiro rascunho poético com colegas e alguns professores. A aprovação foi unânime. E de modo irresistível a ilha da poesia emergiu forte e convicta. Sim, digo “ilha” porque foi a primeira definição de poesia que ouvi, pelas palavras quentes da saudosa Elaine de Jesus Araújo, mistura de vizinha amiga, professora de Língua e Literatura Portuguesa, e mestra em Educação, mas, principalmente, minha maior incentivadora. Lia meus poemas, fazia correções, dava sugestões. Levava meus textos para trabalhar com suas turmas no IFMA. Prefaciou meu livro de poemas. Hoje ela é apenas um nome no mar da saudade. Mas, como nos ensina nosso “pai-poeta” Mário Quintana, “tão bom morrer de amor e continuar vivendo”. E assim Elaine Araújo continua viva no coração de seus alunos e amigos, e também nas páginas 15 e 16 de meu livro.

“O que é a poesia?” pergunta o jornalista, poeta e ensaísta Cassiano Ricardo em minha primeira lição, para logo em seguida dar a resposta: “Uma ilha cercada de palavras por todos os lados”. E continua: “E o poeta, o que é?” “Um homem que trabalha o poema com o suor de seu rosto”. Desde então, nado incansavelmente nesse mar de palavras, tendo como porto-destino essa famigerada ilha.

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

Mais tarde, a lição do francês Stéphane Mallarmé: “Versos não se fazem com ideias, mas com palavras.” E o eterno e primordial conselho de Drummond: “Penetra surdamente no reino das palavras”. Seguido de uma sublime conclusão: “Lá estão os poemas que esperam ser escritos”. E por fim, Ezra Pound prescreve o ingrediente maior dessa receita: “carregar a linguagem de significado até o máximo grau possível”.

Nesse curso preparatório, ainda tento aprender a lição mais sublime de Latino Coelho: “De todas as artes a mais bela, a mais expressiva, a mais difícil, é sem dúvida a arte da palavra.”

Hoje, graduado nas lições desses e de outros grandes mestres, consigo dar algumas braçadas e mergulhos. E, parafraseando Paulinho da Viola, até ouso dizer: “Não sou eu quem me navega. Que me navega são as palavras”.

Essemar de palavras é hoje e será eternamente o meu habitat, assim como o palco o é para o ator. Nelas e ao redor delas vivo e sobrevivo, respiro e adormeço. Saúdo o dia com um sorriso lexical. Elas são minhas amigas, geralmente amáveis, algumas vezes rebeldes, apressadas, intrépidas. Aí o samba, o nosso mais genuíno gênero musical, me faz parafrasear uma canção de Zeca Pagodinho e Beto Gago: “Se eu for falar das palavras, meu tempo não dá”.

Ah, senhores, ah senhoras, as palavras!

Peço-lhes mais uma vez licença para levá-los a algumas enseadas poéticas que também cercamessa ilha para apresentar-lhes algumas das minhas palavras, que estão descansando nos poemas de Travessia, meu próximo livro:

“Minhas palavras/ é tudo o que resta deste velho ser./ Meu espólio, meus restos mortais,/ a centelha que anima o meu dizer.Nelas, a arte de imitar o silêncio, traduzir o que não se pode imaginar; e tecer o último capítulo de minha biografia.”

“Meu enredo é uma página em branco,/ e é no futuro que estão/ as palavras do meu próximo capítulo.”

“E na agonia da palavra,/o silêncio se pronuncia,seinsurge,se engrandece,/ e faz calar a poesia.”

“Meu tudo é só a metade de um verso./ Meu tudo é uma palavra estilhaçada no chão./ Meu tudo é quase nada.”

“Já não mais encontro/ aspalavras elegantes/ que enfeitavam meus poemas/ de encanto e frescor matinal.”

“Minhas palavras não são loucas./Louca é a semântica/ que não as compreende,/ e a sintaxe/ que as faz desfalecer.”

Da poesia para a música, foi um pulo. Pulo estético, pulo melódico. Mas um pulo cheio de palavras. Minha primeira canção nasceu de um poema que entreguei a um amigo que estava fazendo o curso de Letras para que lesse e avaliasse. Como sabia tocar violão, dias depois me apresentou a música “Pra falar de amor”, que está entre as doze de meu CD, intitulado Simplesmente Assim. Mas essa música não fugiu ao ritmo das palavras. E assim, cantam seus primeiros versos:

              Eu sempre quis fazer um samba

              Pro meu coração dizer que te ama

              Meus sentimentos mais profundos revelar

              Esse nó na garganta desatar

              Pois quando é

              Para falar de amor

              Não encontro palavras

              Não sei tirar nem pôr

              Não me vêm as palavras

              Eu só quero que ouças o meu coração

Quando percebi meu inefável apego às palavras, fosse na leitura, marcando-as nas cores da percepção, fosse nos meus versos, carregados de emoção, apaixonei-me ainda mais por elas. E quando falo “palavra”, não me refiro simplesmente a “unidade linguística com significado”, mas, principalmente, à sua capacidade de conferir à raça humana a possibilidade de se expressar verbalmente, revelando suas opiniões, pensamentos, sentimentos ou emoções”.

Se estou aqui agora, devo a elas essa deferência. Se vocês me ouvem e me entendem, devem a elas esse efeito mágico da percepção humana.

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

O mundo da literatura, habitado por quem escreve e quem lê, é o mundo da vida, da arte de viver e morrer. Da arte fundamental de dizer. Arte que se consolida, como revela em sua segunda capa o livro “Arte e Ressonância” (Editora EDUFMA), organizado pelos professores Leonardo Pinto de Almeida e Jadir Machado Lessa, em algumas características básicas, das quais destaco cinco apenas: densidade etérea de um discurso que se quer verdade; ir além com o silêncio que afirma o indizível;redemoinho feito de linguagem e na linguagem; devir incandescente; palavras que queimam dedos e lábios para inventar novos caminhos.E não menos importante, a citação de Nietzsche no mesmo cenário livresco: “Para não sucumbir a verdade, temos a arte”.

E para que haja Literatura, é indispensável que se tenha escritores e leitores. Estes sucedem aqueles, mas são tão necessários quanto o próprio texto literário.

E a razão para escrever verte da alma para subverter a própria alma e tudo o que a cerca. Em palavras mais amenas, “virar a vida pelo avesso”. E algumas dessas razões, encontrei-as no livro “A Arte de Escrever”, de Frei Beto. O célebre autor desnuda sua alma e suas razões. Diz ele que escreve: “para ser feliz”; “para ter prazer”; “por vaidade”. E sua mais sublime razão: “para expor as entranhas”.

E eu, dentre tantas e tantas razões, aproprio-me de uma no belíssimo poema “Escrevo”, do poeta ludovicense Ruy Robson, que também expõe suas entranhas: “escrevo para não sofrer/ escrevo para não matar/ escrevo para não morrer!!!”

Quando olho para o passado e tento vislumbrar o futuro, não vejo apenas saudade e esperança, vejo principalmente minhas “novas” palavras. E tenho razões para isso. Foram elas que me trouxeram até aqui. Foram elas que me emolduraram de alegria, de prazer, de sentir, de imaginar, de criar. E de ser cada vez mais eu mesmo.

E de lambujem, me trouxeram amigos, leitores, críticos. E confrades e confreiras.

E com elas também cheguei a AMEI (Associação dos Escritores Independentes), como membro fundador em 2016, à Academia Poética Brasileira, em 2017, presidida pelo incansável Mhário Lincoln.

E hoje aqui estou, tomando posse na cadeira 17 da Academia Ateniense de Letras e Artes, patroneada pelo grande Erasmo Dias, escritor e jornalista, imortal da Academia Maranhense de Letras.

E nesse mar de palavras, não poderia encerrar esta exposição sem citar dois poemas que muito me inspiram. O primeiro, do poeta cabo-verdiano Ovídio Martins, intitulado “O único impossível”:

            Mordaças

            A um poeta?

Loucura!

            E por que não

            Fechar na mão uma estrela

            O universo num dedal?

            Era mais fácil

            Engolir o mar

            Extinguir o brilho aos astros

E o outro, “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac, uma ode à nossa língua pátria, (primeira estrofe):

            Última flor do Lácio, inculta e bela,

            És, a um tempo, esplendor e sepultura:

            Ouro nativo, que na canga impura

            A bruta mina entre os cascalhos vela…       

…….

Escrever, Senhores e Senhoras, é preciso. Viver não é preciso.

Tenho dito.

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avistar-se: ver-se reciprocamente:  “por que diabo fora Mariazinha avistar-se com o solteirão nos fundos da casa, em hora tão erma?”

Discurso proferido em 25 de maio de 2019

Eleição na Ufma: Natalino Salgado e Alan Kardec são os mais votados para reitor e vice

A comissão organizadora da consulta prévia divulgou o resultado oficial com a votação dos candidatos à Reitoria e vice-Reitoria da Universidade Federal do Maranhão (Ufma).

A consulta prévia é uma das etapas para a definição dos novos gestores. A fase seguinte será a definição da lista tríplice, elaborada pelo Conselho Universitário (Consun), e posteriormente encaminhada ao Ministério da Comunicação e ao presidente Jair Bolsonaro, que dará a palavra final sobre o futuro reitor.

Veja os resultados da votação na consulta prévia:

REITOR

– Natalino Salgado: 49,49%

– João de Deus: 24,23%

– Ridvan Fernandes: 16,94%

– Welbson Madeira: 7,54%

VICE-REITOR

– Alan Kardec: 32,17%

– Luciano Façanha: 23,56%

– Marcos Fábio: 13,06%

– Wener Miranda: 9,62%

– Antônio Oliveira: 7,25%

– Walter Nunes: 6,68%

– José Eduardo: 4,05%

Foto: Paulo Soares O Estado do Maranhão