Abraço Brasil reivindica ampliação da potência e mais um canal para as rádios comunitárias

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço Brasil) realiza nesta semana intensa mobilização no Congresso Nacional com o objetivo de pressionar os parlamentares para aprovarem projetos de interesse das emissoras comunitárias.

Vários dirigentes das associações estaduais filiadas à Abraço Brasil estão na capital federal percorrendo os gabinetes dos parlamentares para solicitar apoio às iniciativas visando modificar a legislação atual que limita a potência e as formas de subsistência das rádios.

Uma das iniciativas está mais focada na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCTCI) da Câmara dos Deputados, instância importante na estrutura de poder do parlamento, onde a Abraço Brasil pressiona para obter posição favorável ao aumento de potência e ampliação de canal para o serviço de radiodifusão comunitária.

A entidade enviou uma “Carta Aberta aos Deputados da CCTCI” reivindicando a ampliação da potencia atual de 25 watts para até 150 watts, de acordo com o projeto de lei nº 10.637/18 que será apreciado na comissão e posteriormente no plenário da Câmara.

Veja abaixo a carta

CARTA ABERTA AOS DEPUTADOS MEMBROS DA CCTCI

Brasília, 02 de julho de 2019.

Exmo. Sr(a). Deputado(a),

A Associação Brasileira de Rádios Comunitárias – ABRAÇO Brasil, vem respeitosamente perante Vossa Excelência, solicitar veementemente seu empenho e o mais absoluto apoio em defesa das Rádios Comunitárias do nosso país, votando favorável ao PL 10.637/18.

O PL 10.637/18, que trata do aumento de potência dos transmissores para até 150 watts e mais um canal para rádios comunitárias por município, versa sobre reivindicações históricas do movimento brasileiro de radiodifusão comunitária, sendo o projeto aprovado por unanimidade no Senado Federal.

É importante lembrar que a lei 9.612/98, que criou as rádios comunitárias, até o presente momento nunca foi alterada e, nesses 21 anos de sua existência, o país cresceu, entre outros aspectos, demograficamente, o que nos leva a considerar que as rádios comunitárias precisam crescer também.

Com relação ao que consta no projeto de lei sobre aumento da potência para até 150 watts, queremos destacar que será o órgão Anatel quem definirá se a emissora, em determinada localidade, precisará, ou não, ampliar a sua potência. Isso significa, que nem todas as emissoras terão seus transmissores com potência aumentada, podendo algumas delas permanecerem com os mesmos 25 watts, e outras, a exemplo da região amazônica a qual sofre da necessidade de ampliação, serem beneficiadas com a possível nova regra.

Fortalecer as rádios comunitárias é fortalecer as pequenas cidades e comunidades, já que 70% dos 5.570 municípios possuem populações de 5 a 20 mil habitantes, justamente onde mais atuamos, já que as rádios comerciais não demonstram interesse em atuar nessas localidades por não serem elas lucrativas.

Atualmente existem 5.000 rádios comunitárias outorgadas atuando em cerca de 4.300 municípios. Hoje somos mais de 100 mil pessoas que atuam diretamente nas rádios comunitárias, entre dirigentes, conselheiros comunitários, locutores voluntários e outros tipos de colaboradores que demandam recursos. Convém também ressaltar que pagamos impostos tal qual uma rádio comercial.

Entendemos ser importante que os senhores possam levar em consideração o relevante trabalho que essas emissoras desempenham nos municípios, fortalecendo e valorizando seu comércio, a cultura local, sendo um canal acessível de comunicação e prestação de serviços em prol de toda a comunidade.

Desejamos que os senhores parlamentares entrem positivamente para a história da Radiodifusão Comunitária do Brasil, fazendo a primeira alteração da lei 9.612/98, votando SIM pela aprovação do PL 10.637/18, na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – CCTCI.

Atenciosamente,

Diretoria da ABRAÇO Brasil

Diretorias das Abraços Estaduais

Diretorias das Rádios Comunitárias

Imagem capturada neste site

Flavio Dino e Sarney: o encontro

Editorial do Vias de Fato analisa o acontecimento de maior repercussão na política do Maranhão na atualidade e as suas implicações no cenário nacional

As presenças de Jair Bolsonaro na Presidência da República e de Sérgio Moro no Ministério da Justiça representam uma agressão à frágil “democracia” brasileira. Inclusive, se a dupla fosse um pouquinho diferente, o ex-juiz federal já estaria afastado do cargo que segue ocupando no Poder Executivo. O que o The Intercept já revelou é inaceitável em qualquer república de respeito. É um escândalo!

Hoje, Bolsonaro e Moro são a face mais visível do autoritarismo brasileiro, da herança da ditadura, do poder do crime organizado (milicianos), da fraude eleitoral (caso das laranjas e do WhatsApp), da parcialidade da justiça, do desrespeito aos direitos humanos, da calúnia como instrumento político, do farisaísmo religioso, da violência institucional, da interferência ilegítima de familiares nos governos. Por tudo isso, precisamos combatê-los, denunciá-los, buscar alternativas. E mais do que isso, precisamos aprender com a história.

Atualmente, um dos problemas brasileiros são mentiras aparentemente bobas, que poderiam ser facilmente desmascaradas, mas que passaram a ter algum enraizamento, contribuindo para a recente eleição de Bolsonaro, diminuindo sua rejeição. Trata-se de um discurso que minimiza  as atrocidades promovidas pela ditadura militar no país, a partir do golpe de 1964. É uma versão; divulgada inclusive por professores; onde é propagado que houve “uma reação a tentativa de implantar o comunismo no Brasil”. Outros dizem que a ditadura “combateu a corrupção” e só quem se deu mal foram os “bandidos”. Este problema foi criado na “transição democrática”, processo que passou pela década de 1980, tendo entre protagonistas figuras de dentro do antigo regime, caso de Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães, José Sarney, Jorge Bornhausen.

No último dia 26 de junho, houve um encontro de grande repercussão, mais especificamente no Maranhão.  Flávio Dino, atual governador do estado, foi até a casa de José Sarney, em Brasília. A visita e a conversa, segundo a versão do próprio Dino, foi para ele dizer a Sarney que “a democracia brasileira corre perigo”.

A questão não é bem o encontro, um episódio da realpolitik. O problema central é o discurso. Associar figuras como José Sarney a luta por democracia é um desserviço, inclusive as futuras gerações. É bem complicado, em 2019, nessa altura do campeonato, a possibilidade do maranhense Flávio Dino tornar-se um avalista da falsa biografia do ex-presidente da Arena, o partido da ditadura.

A verdadeira biografia de Sarney está ligada a degeneração do poder judiciário, a sucessivas fraudes eleitorais, chicanas jurídicas, abusos de poder, golpe de 64, tentativa de calar a imprensa, apoio ao AI-5, relação com Brilhante Ustra, golpe contra Dilma, participação no governo Temer, apoio a recente campanha da extrema-direita, corrupção, mais corrupção, relação promíscua com empreiteiras etc. Está ligada a grilagem de terras, ao assassinato de camponeses, ao genocídio dos indígenas, ao péssimo IDH do Maranhão, Operação Tigre etc. Segundo Manoel da Conceição, fundador do PT, planejaram a morte dele e “Sarney esteve metido nisso”. E tudo isso é apenas a ponta de um iceberg.

A visita de Dino a Sarney é associada ao nome de Lula. É factível.  O encontro, no entanto, passou pelos assuntos do Maranhão. Teriam falado sobre literatura, patrimônio histórico. Os sinais dessa cordialidade  podem ser vistos também na programação do Sistema Mirante (que inclui a Globo local, controlada pelos filhos de Sarney) e na Assembléia. No poder legislativo maranhense, um correligionário de Flavio Dino (Othelino Neto) foi eleito presidente da Casa, no último dia 1º de fevereiro, com 100% dos votos. E três meses depois, no último dia 6 de maio, o mesmo Othelino foi reeleito, novamente com 100% dos votos. Reeleito no início de 2019, para um mandato que só começará em 2021. A oposição encarou o fato como absolutamente normal.

Percebe-se que estamos tratando de pessoas que pensam longe.  Na hipótese de se aliar com o que restou do grupo Sarney, Flávio Dino poderia seguir enquadrando toda a classe política do estado, indicando, em 2022, um sucessor de sua absoluta confiança. Na próxima eleição estadual, estará aberta uma vaga no Senado. Hoje, pelo Maranhão, ela é ocupada por um ex-adversário de Flávio Dino, que depois se tornou aliado e hoje é dissidente. Nessa mistura de xadrez com ioiô fica a pergunta: para garantir um sucessor de muita confiança e pouca popularidade, o atual governador poderia oferecer na sua chapa uma vaga para um ex-adversário (ou adversária)? Se for assim, lembrando Garrincha, só faltaria “combinar com os russos”. Nesse caso, estamos apenas analisando possibilidades. As pontes existem.

O que o Vias de Fato sente-se na obrigação de realmente registrar e criticar, neste momento, é qualquer discurso que possibilite um atentado contra a história. É qualquer possibilidade de associação de oligarcas com a luta por democracia. Estamos falando de um valor, associado à justiça e liberdade. De algo que não pode se perder em retóricas. E nesse caso específico, os fins não justiçam o discurso. Uma das piores consequências desse tipo de erro, dessa narrativa inverídica, encontra-se hoje sentado na cadeira de presidente da república.

No Brasil; houve sim uma ditadura civil-militar a partir de 1964. E alguns dos seus cúmplices e protagonistas ainda estão vivos, posando de democratas. José Sarney – pra quem Jair Bolsonaro recentemente bateu continência – é um deles.

Fonte: Jornal Vias de Fato.

Publicado em agenciatambor.net.br

Em 30/06/2019

Eloy Melonio navegando no mar das palavras

O blog publica o discurso de posse do escritor/poeta Eloy Melonio na “Academia Ateniense de Letras e Artes”. Um belo texto para admirar e saborear

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

Criei essa paráfrase, quase uma epifania, já um pouco tarde na vida. Mas ainda em tempo de me agarrar às palavras que, ora quentes, ora frias, me ajudaram a empreender uma nova e ousada “travessia” em minha vida. Especialmente para atender ao que Fernando Pessoa resume num aforismo, ou seja, “não ficasse à margem de mim mesmo”.

Não sou o primeiro numa aventura desse tipo: os hebreus ― conta-nos a Bíblia ― se embrenharam no deserto por quarenta anos para tomar posse de Canaã; os navegantes europeus, imbuídos do espírito de conquista, cruzaram o Atlântico para colonizar às Américas; os astronautas da Apolo 11 mergulharam no espaço para pisar na Lua e fazer ciúme aos poetas; os refugiados de nossos dias enfrentam perigos de toda ordem, seja em terra ou no mar, na ânsia de se jogar nos braços da paz e da esperança.

De igual modo, minha travessia nesse mar chamado Literatura não é ― como se pode imaginar ― tão somente uma aventura, mas um mergulho nesse fascinante e assombroso mar das palavras.

Mar sem fim, sem começo, sem meio. Mar que provoca fascinação, que nos traga de maneira tal que já não conseguimos dele emergir. Que nos eleva e nos abaixa à guisa de suas ondas de inspiração. Que nos cerca como se fôssemos ilhas de poder, de sabedoria, de devoção, de inspiração.

Mar de lendas, mistérios, poesia, música, ficção, distopias. Mar de angústia, de dor, beleza, saudade. Mar de paixões, de amores, de conquistas. Mar de correntes épicas!

Mar de gente que escreve, que lê; gente que imagina, que sonha, que discorda. Gente que voa, ri, e que se emociona quando chega ao fim de uma história, seja autor, seja leitor.

Mar da sintaxe, da semântica, da metalinguagem, da intertextualidade, das metáforas.

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

Foi por esse mar de palavras que enveredei em 1999, para escrever dois livros de cunho religioso: o temático “A Verdade que Liberta”, e a novela “Os Dois Lados da Cruz”. Mas a poesia, minha ilha predileta, ainda não se avistara com meu coração. Essa paixão só se revelou em 2006, quando voltei à seara acadêmica para fazer o curso de Letras na FAMA (Faculdade Atenas Maranhense), onde encontrei um mar que desenhava ondas que refletiam o brilho da Lua e o calor do Sol.

E lá escrevi meu primeiro poema que, imaturo, ainda não sabia que um dia se acomodaria na primeira página de “Dentro de Mim”, meu livro inaugural, lançado em abril de 2015. Livro que também ainda não ocupava espaço nos meus sonhos. E assim, esse poema nasceu numa madrugada insone, quando, olhando para o lado, vi minha amada dormindo como um anjo. E, do nada, comecei a pensar e a me preocupar com o dia em que ela ou eu não mais aquecesse o outro. Peço-lhes licença para ler “Ausência”:

Se faltar a esperança,

conto com a sorte:

perder ou ganhar.

O que for.

Se faltar a paz,

enfrento a morte:

viver ou morrer.

O que for.

Se faltar o amor,

espero a dor:

superar ou sofrer.

O que for.

Se faltar você,

farei o que possível for:

viverei a saudade

ou morrerei de amor.

Compartilhei meu primeiro rascunho poético com colegas e alguns professores. A aprovação foi unânime. E de modo irresistível a ilha da poesia emergiu forte e convicta. Sim, digo “ilha” porque foi a primeira definição de poesia que ouvi, pelas palavras quentes da saudosa Elaine de Jesus Araújo, mistura de vizinha amiga, professora de Língua e Literatura Portuguesa, e mestra em Educação, mas, principalmente, minha maior incentivadora. Lia meus poemas, fazia correções, dava sugestões. Levava meus textos para trabalhar com suas turmas no IFMA. Prefaciou meu livro de poemas. Hoje ela é apenas um nome no mar da saudade. Mas, como nos ensina nosso “pai-poeta” Mário Quintana, “tão bom morrer de amor e continuar vivendo”. E assim Elaine Araújo continua viva no coração de seus alunos e amigos, e também nas páginas 15 e 16 de meu livro.

“O que é a poesia?” pergunta o jornalista, poeta e ensaísta Cassiano Ricardo em minha primeira lição, para logo em seguida dar a resposta: “Uma ilha cercada de palavras por todos os lados”. E continua: “E o poeta, o que é?” “Um homem que trabalha o poema com o suor de seu rosto”. Desde então, nado incansavelmente nesse mar de palavras, tendo como porto-destino essa famigerada ilha.

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

Mais tarde, a lição do francês Stéphane Mallarmé: “Versos não se fazem com ideias, mas com palavras.” E o eterno e primordial conselho de Drummond: “Penetra surdamente no reino das palavras”. Seguido de uma sublime conclusão: “Lá estão os poemas que esperam ser escritos”. E por fim, Ezra Pound prescreve o ingrediente maior dessa receita: “carregar a linguagem de significado até o máximo grau possível”.

Nesse curso preparatório, ainda tento aprender a lição mais sublime de Latino Coelho: “De todas as artes a mais bela, a mais expressiva, a mais difícil, é sem dúvida a arte da palavra.”

Hoje, graduado nas lições desses e de outros grandes mestres, consigo dar algumas braçadas e mergulhos. E, parafraseando Paulinho da Viola, até ouso dizer: “Não sou eu quem me navega. Que me navega são as palavras”.

Essemar de palavras é hoje e será eternamente o meu habitat, assim como o palco o é para o ator. Nelas e ao redor delas vivo e sobrevivo, respiro e adormeço. Saúdo o dia com um sorriso lexical. Elas são minhas amigas, geralmente amáveis, algumas vezes rebeldes, apressadas, intrépidas. Aí o samba, o nosso mais genuíno gênero musical, me faz parafrasear uma canção de Zeca Pagodinho e Beto Gago: “Se eu for falar das palavras, meu tempo não dá”.

Ah, senhores, ah senhoras, as palavras!

Peço-lhes mais uma vez licença para levá-los a algumas enseadas poéticas que também cercamessa ilha para apresentar-lhes algumas das minhas palavras, que estão descansando nos poemas de Travessia, meu próximo livro:

“Minhas palavras/ é tudo o que resta deste velho ser./ Meu espólio, meus restos mortais,/ a centelha que anima o meu dizer.Nelas, a arte de imitar o silêncio, traduzir o que não se pode imaginar; e tecer o último capítulo de minha biografia.”

“Meu enredo é uma página em branco,/ e é no futuro que estão/ as palavras do meu próximo capítulo.”

“E na agonia da palavra,/o silêncio se pronuncia,seinsurge,se engrandece,/ e faz calar a poesia.”

“Meu tudo é só a metade de um verso./ Meu tudo é uma palavra estilhaçada no chão./ Meu tudo é quase nada.”

“Já não mais encontro/ aspalavras elegantes/ que enfeitavam meus poemas/ de encanto e frescor matinal.”

“Minhas palavras não são loucas./Louca é a semântica/ que não as compreende,/ e a sintaxe/ que as faz desfalecer.”

Da poesia para a música, foi um pulo. Pulo estético, pulo melódico. Mas um pulo cheio de palavras. Minha primeira canção nasceu de um poema que entreguei a um amigo que estava fazendo o curso de Letras para que lesse e avaliasse. Como sabia tocar violão, dias depois me apresentou a música “Pra falar de amor”, que está entre as doze de meu CD, intitulado Simplesmente Assim. Mas essa música não fugiu ao ritmo das palavras. E assim, cantam seus primeiros versos:

              Eu sempre quis fazer um samba

              Pro meu coração dizer que te ama

              Meus sentimentos mais profundos revelar

              Esse nó na garganta desatar

              Pois quando é

              Para falar de amor

              Não encontro palavras

              Não sei tirar nem pôr

              Não me vêm as palavras

              Eu só quero que ouças o meu coração

Quando percebi meu inefável apego às palavras, fosse na leitura, marcando-as nas cores da percepção, fosse nos meus versos, carregados de emoção, apaixonei-me ainda mais por elas. E quando falo “palavra”, não me refiro simplesmente a “unidade linguística com significado”, mas, principalmente, à sua capacidade de conferir à raça humana a possibilidade de se expressar verbalmente, revelando suas opiniões, pensamentos, sentimentos ou emoções”.

Se estou aqui agora, devo a elas essa deferência. Se vocês me ouvem e me entendem, devem a elas esse efeito mágico da percepção humana.

Escrever é preciso. Viver não é preciso.

O mundo da literatura, habitado por quem escreve e quem lê, é o mundo da vida, da arte de viver e morrer. Da arte fundamental de dizer. Arte que se consolida, como revela em sua segunda capa o livro “Arte e Ressonância” (Editora EDUFMA), organizado pelos professores Leonardo Pinto de Almeida e Jadir Machado Lessa, em algumas características básicas, das quais destaco cinco apenas: densidade etérea de um discurso que se quer verdade; ir além com o silêncio que afirma o indizível;redemoinho feito de linguagem e na linguagem; devir incandescente; palavras que queimam dedos e lábios para inventar novos caminhos.E não menos importante, a citação de Nietzsche no mesmo cenário livresco: “Para não sucumbir a verdade, temos a arte”.

E para que haja Literatura, é indispensável que se tenha escritores e leitores. Estes sucedem aqueles, mas são tão necessários quanto o próprio texto literário.

E a razão para escrever verte da alma para subverter a própria alma e tudo o que a cerca. Em palavras mais amenas, “virar a vida pelo avesso”. E algumas dessas razões, encontrei-as no livro “A Arte de Escrever”, de Frei Beto. O célebre autor desnuda sua alma e suas razões. Diz ele que escreve: “para ser feliz”; “para ter prazer”; “por vaidade”. E sua mais sublime razão: “para expor as entranhas”.

E eu, dentre tantas e tantas razões, aproprio-me de uma no belíssimo poema “Escrevo”, do poeta ludovicense Ruy Robson, que também expõe suas entranhas: “escrevo para não sofrer/ escrevo para não matar/ escrevo para não morrer!!!”

Quando olho para o passado e tento vislumbrar o futuro, não vejo apenas saudade e esperança, vejo principalmente minhas “novas” palavras. E tenho razões para isso. Foram elas que me trouxeram até aqui. Foram elas que me emolduraram de alegria, de prazer, de sentir, de imaginar, de criar. E de ser cada vez mais eu mesmo.

E de lambujem, me trouxeram amigos, leitores, críticos. E confrades e confreiras.

E com elas também cheguei a AMEI (Associação dos Escritores Independentes), como membro fundador em 2016, à Academia Poética Brasileira, em 2017, presidida pelo incansável Mhário Lincoln.

E hoje aqui estou, tomando posse na cadeira 17 da Academia Ateniense de Letras e Artes, patroneada pelo grande Erasmo Dias, escritor e jornalista, imortal da Academia Maranhense de Letras.

E nesse mar de palavras, não poderia encerrar esta exposição sem citar dois poemas que muito me inspiram. O primeiro, do poeta cabo-verdiano Ovídio Martins, intitulado “O único impossível”:

            Mordaças

            A um poeta?

Loucura!

            E por que não

            Fechar na mão uma estrela

            O universo num dedal?

            Era mais fácil

            Engolir o mar

            Extinguir o brilho aos astros

E o outro, “Língua Portuguesa”, de Olavo Bilac, uma ode à nossa língua pátria, (primeira estrofe):

            Última flor do Lácio, inculta e bela,

            És, a um tempo, esplendor e sepultura:

            Ouro nativo, que na canga impura

            A bruta mina entre os cascalhos vela…       

…….

Escrever, Senhores e Senhoras, é preciso. Viver não é preciso.

Tenho dito.

___________

avistar-se: ver-se reciprocamente:  “por que diabo fora Mariazinha avistar-se com o solteirão nos fundos da casa, em hora tão erma?”

Discurso proferido em 25 de maio de 2019

Eleição na Ufma: Natalino Salgado e Alan Kardec são os mais votados para reitor e vice

A comissão organizadora da consulta prévia divulgou o resultado oficial com a votação dos candidatos à Reitoria e vice-Reitoria da Universidade Federal do Maranhão (Ufma).

A consulta prévia é uma das etapas para a definição dos novos gestores. A fase seguinte será a definição da lista tríplice, elaborada pelo Conselho Universitário (Consun), e posteriormente encaminhada ao Ministério da Comunicação e ao presidente Jair Bolsonaro, que dará a palavra final sobre o futuro reitor.

Veja os resultados da votação na consulta prévia:

REITOR

– Natalino Salgado: 49,49%

– João de Deus: 24,23%

– Ridvan Fernandes: 16,94%

– Welbson Madeira: 7,54%

VICE-REITOR

– Alan Kardec: 32,17%

– Luciano Façanha: 23,56%

– Marcos Fábio: 13,06%

– Wener Miranda: 9,62%

– Antônio Oliveira: 7,25%

– Walter Nunes: 6,68%

– José Eduardo: 4,05%

Foto: Paulo Soares O Estado do Maranhão

Abraji repudia ataques a Glenn Greenwald e equipe do Intercept

Nota da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirma que ataques são “descabidos” e o ministro Sergio Moro “erra ao insinuar que um veículo (The Intercept) é cúmplice de crime ao divulgar informações de interesse público.”

Veja abaixo a nota da Abraji

A publicação de diálogos de autoridades relacionadas à operação Lava Jato, feita pelo site The Intercept, gerou ataques descabidos aos jornalistas responsáveis pela série de reportagens. 

O ministro da Justiça, Sergio Moro, chamou o Intercept, no Twitter, de “site aliado a hackers criminosos” (14.jun.2019). Trata-se de uma manifestação preocupante de um ministro que já deu diversas declarações públicas de respeito ao papel da imprensa e à liberdade de expressão. Moro, que é um dos convidados do 14º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que a Abraji realizará de 27 a 29 de junho, erra ao insinuar que um veículo é cúmplice de crime ao divulgar informações de interesse público. O Intercept alega que recebeu de uma fonte anônima mensagens privadas de Moro e de procuradores da Lava Jato. Jornalistas e veículos não são responsáveis pela forma como a fonte obtém as informações. 

Na tarde da última quinta-feira (13.jun.2019), o deputado federal Carlos Jordy (PSL-RJ) ameaçou de “deportação” o jornalista Glenn Greenwald, do Intercept, acusando-o de cometer “crimes contra a segurança nacional”. No dia anterior, Jordy apresentou uma proposta para convidar Greenwald a prestar esclarecimentos sobre a divulgação de conversas entre Sergio Moro e o procurador federal Deltan Dallagnol. Junto com Filipe Barros (PSL-PR), Jordy tenta ainda instaurar uma CPI para “investigar as atividades dos responsáveis pela criminosa interceptação e divulgação de conversas”.

A onda de ataques a Greenwald começou logo após a publicação das primeiras partes da série “As mensagens secretas da Lava Jato”.

Na segunda-feira (10.jun.2019), uma ação coordenada no Twitter colocou #DeportaGlennGreenwald como um dos assuntos mais comentados na plataforma. Os ataques e peças de desinformação também tiveram como alvo o deputado David Miranda (PSOL-RJ), casado com Greenwald. 

Heitor Freire (CE) e Charlles Evangelista (MG), deputados federais do PSL, distribuíram em suas redes sociais montagens com fotos de Greenwald e afirmações falsas de que David Miranda é acusado de terrorismo e condenado por crime contra a segurança do Reino Unido. Paulo Eduardo Martins (PSC-PR) também publicou conteúdo semelhante.

A Abraji manifesta solidariedade a Glenn Greenwald e repudia os ataques direcionados a ele, à sua família e a seus colegas do Intercept, especialmente os que partem de agentes públicos. Tentativas de intimidar e silenciar um veículo são ações típicas de contextos autoritários e não podem ser tolerados na democracia que rege o país.

Diretoria da Abraji, 19 de junho de 2019.

Foto: Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Checamos! DCE não divulgou nota de apoio a nenhum candidato à Reitoria da Ufma

O presidente do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da Universidade Federal do Maranhão (Ufma), Rafhael Silva Braga, afirmou que a entidade organizativa dos estudantes não se manifestou oficialmente sobre preferência às candidaturas de reitor ou vice-reitor.

O esclarecimento ocorre após a circulação de uma mensagem distribuída por e-mail, atribuída ao DCE, recomendando voto em dois candidatos.

Braga concedeu entrevista ao Blog do Ed Wilson e reiterou que o DCE não fez reunião para deliberar sobre indicação de voto em nenhum dos candidatos na consulta prévia que será realizada dia 26 de junho (quarta-feira).

“Eu me espantei porque dentro da diretoria do DCE nós inclusive já tínhamos fechado um posicionamento sobre a eleição que foi o seguinte: como nós compomos a Comissão Eleitoral do processo nós resolvemos nos isentar de apoiar um candidato, deixando as pessoas livres caso achem necessário apoiar alguém. Eu me espantei, mas não é a primeira vez que acontece esse tipo de e-mail. Inclusive eu tenho noção de onde vem”, explicou Braga.

O presidente do DCE disse que entrou em contato com os candidatos a reitor e vice-reitor para esclarecer a isenção da entidade estudantil no episódio.

Braga sinalizou que a iniciativa de fabricar o conteúdo falso e enviar aos eleitores da consulta prévia partiu de um grupo que tenta tomar o DCE desde 2017, liderado pelo estudante Marcony Edson Silva de Matos.

“Inclusive ele é conhecido no movimento estudantil do Maranhão e em outros fóruns como fraudador de atas e tem um histórico muito grande de movimentações parecidas”, acusou o atual presidente do DCE.

Uma rápida consulta na web revela vários episódios depreciativos relacionados à conduta de Marcony Edson, figura estigmatizada no movimento estudantil e comunitário em diversas situações conflituosas.

Em períodos eleitorais Marcony Edson opera interesses variados, a exemplo da Juventude Guerreira, vinculada a uma das campanhas de Roseana Sarney ao Governo do Maranhão.

No site da Câmara dos Deputados, o nome dele aparecia como “secretário parlamentar” do controverso Waldir Maranhão, no período de 17 de setembro de 2010 a 03 de julho de 2011. Veja em https://www.camara.leg.br/deputados/141558/pessoal-gabinete?ano=2011

Adversários de Marcony Edson questionam a sua permanência na Ufma, considerando que ele já beira os 40 anos de idade mas segue “líder estudantil”. A longa jornada na Universidade teria, entre outros objetivos, a constante disputa das instâncias organizativas estudantis para finalidades não republicanas.

Quinta-feira tem Arraial Batucafé na Fonte do Ribeirão

Um encontro que representa os vários sotaques da música produzida no Maranhão vai acontecer no próximo dia 27 de junho, quinta-feira, 21 horas, no Batucafé Brazil, que fica localizado na Fonte do Ribeirão, Centro Histórico de São Luís.

O Arraial Batucafé respira a atmosfera do período de maior representatividade cultural maranhense e junta Lobo Siribeira, Mestre Wanderley e Beto Ehongue em um terreiro onde a punga é universal e o caboclo cidadão do mundo.

O batuque começa com Wanderley de Alcântara. Reconhecido mestre de tambor de crioula, ele é presença ilustre em rodas de tambor. Com sua voz rouca e carismática, Mestre Wanderley e sua turma esquentam o couro dos tambores para fazer tremer o chão ao som de sua parelha. O Mestre Wanderley recebeu em 2013 o Prêmio Culturas Populares – Edição 100 anos de Mazzaropi, do Ministério da Cultura. 

Lobo Siribeira ou Divinossauro é outra figura marcante na ilha, criador de música autoral guiado por santos e voduns em uma linguagem universalmente tribal. Ele desemboca o verbo alucinógico/alucinado no boqueirão da rima, navegando no vento dos tambores e dos beats, chamando a coreira para o terreiro e o mundo para dentro de sua oca.

A festa será coroada por Beto Ehongue, acompanhado dos músicos Carlo X, Daniel Almeida e Nando Bass. O quarteto vai botar mais lenha na fogueira e soprar o fogo eterno/etílico da criatividade sem cercas.

ARRAIAL BATUCAFÉ

Shows com Lobo Siribeira, Mestre Wanderley e Beto Ehongue

Local: Batucafé Brazil – Fonte do Ribeirão

Dia 27.06 – quinta – 21h

Entrada Colaborativa

Mais informações

98852001/984335903 – WhatsApp

carcaramundi@outlook.com

Departamento de Comunicação da UFMA emite nota repudiando ofensas ao trabalho jornalístico do professor Ed Wilson Araújo

Uma nota publicada no site da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) manifesta solidariedade ao professor do Departamento de Comunicação Social (DCS) e jornalista Ed Wilson Ferreira Araújo, atacado por um texto depreciativo copiado em três blogs que o acusam de falta de ética.

As ofensas contra o docente foram disparadas após a reportagem publicada no Blog do Ed Wilson sobre uma investigação da Polícia Federal que apura desvios de R$ 4 milhões em obras no campus de Balsas, no sul do Maranhão, até 2015.

Leia aqui a reportagem.

Após esta publicação surgiram as três postagens copiadas acusando o professor de desprezar “princípios basilares do jornalismo e da ética”. O mesmo texto cita diretamente os professores do curso, afirmando que a reportagem do Blog do Ed Wilson “Estarrece os próprios colegas do Departamento de Comunicação”

Confira aqui, aqui e aqui os três blogs que reproduziram as ofensas.

Diante das acusações e após um amplo diálogo e debate entre os professores, o Departamento de Comunicação Social emitiu nota repudiando as ofensas e manifestando solidariedade ao professor Ed Wilson Araújo.

Segundo a nota do DCS, “a matéria redigida contra o professor Ed Wilson é um exemplo de tudo aquilo que repudiamos em termos da comunicação online atualmente: o ataque a reputações de pessoas e instituições, produzindo desinformação e obnubilando a verdade, o que contribui para a desvalorização do próprio jornalismo, maculando uma das instituições/campos mais significativos na construção/consolidação da democracia: a Comunicação”.

Leia aqui o texto integral publicado no site da Ufma

Rio Pandeiro aquece os tambores em intercâmbio cultural com São Luís

Grupo de percussão carioca recebe aulas de ritmos maranhenses e realiza oficinas de pandeiro brasileiro no Convento das Mercês durante os festejos de São João 

De 20 a 30 de junho, 100 integrantes da bateria do grupo carioca Rio Pandeiro farão um intercâmbio cultural em São Luís do Maranhão, com objetivo de conhecer de perto os ritmos maranhenses, os arraiais dos festejos de São João e a rica cultura da cidade.

Os integrantes do Rio Pandeiro receberão aulas teóricas e práticas sobre história, cultura e características dos ritmos maranhenses. As oficinas serão ministradas pelo músico percussionista, arte-educador e pesquisador da cultura popular Luiz Cláudio Monteiro Farias, que também convidará grandes mestres locais. O principal destaque será o Boi de Leonardo, que já foi homenageado pelo Rio Pandeiro durante o carnaval do Rio e participará ativamente dessa imersão musical do grupo carioca.

Tadeu Campany: troca de experiências com a percussividade maranhense

Como parte da programação do Intercâmbio, dias 25, 26 e 27 de junho, das 16h30 às 18h30, o percussionista Tadeu Campany, mestre e fundador do Rio Pandeiro, realiza oficina de pandeiro brasileiro no Convento das Mercês. Quem tiver interesse em se inscrever para as aulas não precisa ter pandeiro nem conhecimento prévio do instrumento, basta enviar um e-mail para curso.riopandeiro@gmail.com. O investimento é de R$ 50,00 (pelos 3 dias) e o pagamento é feito no primeiro dia de aula.

Rio Pandeiro

Fundado há 10 anos pelo percussionista carioca Tadeu Campany, o Rio Pandeiro é um dos principais blocos de carnaval do Rio de Janeiro. Seu diferencial é valorizar os ritmos regionais da cultura popular brasileira presentes em todas as regiões do país. O repertório é variado: além de samba e partido alto, tem maracatu, ciranda, congada, xote, baião, côco, jongo, carimbó e muitos outros ritmos. Além do pandeiro, os alunos aprendem diversos instrumentos de percussão, como tamborim, caixa, surdo, chocalho, marabaixo, agogô, curimbó e alfaia. As oficinas do bloco acontecem o ano inteiro em três locais diferentes do Rio de Janeiro e os 200 alunos do curso formam a bateria do bloco durante o carnaval do Rio.

Luiz Claudio: pesquisa regional traduzida em sons universais

“O nosso objetivo é justamente conectar os nossos alunos e o nosso público com a sonoridade que o Brasil preserva de norte a sul. Além disso, nós somos o único grupo onde é possível encontrar mais de 200 pandeiros brasileiros tocando juntos, ao mesmo tempo. Queremos valorizar esse instrumento que é tão importante para tantas manifestações culturais, em todos os cantos do nosso país”, conta o percussionista Tadeu Campany.

Muito mais do que tocar ritmos regionais brasileiros, o Rio Pandeiro proporciona aos seus integrantes experiências musicais diretamente em sua fonte. Essa é a proposta do Intercâmbio Cultural Rio Pandeiro, que são viagens para que as pessoas conheçam de perto e façam oficinas de percussão com grupos de grande referência e importantes mestres da cultura popular. Em contrapartida, o percussionista Tadeu Campany, ministra oficinas de pandeiro brasileiro em todos os locais onde são realizados os Intercâmbios.

Sobre o Intercâmbio Cultural Rio Pandeiro

Atualmente em sua sexta edição, o Intercâmbio Cultural Rio Pandeiro já levou os alunos para Roma, na Itália (em 2012); para Buenos Aires, na Argentina (em 2015); para Lambari, Minas Gerais (em 2016); Belém do Pará (em 2017) e Fortaleza (em 2018).

“Dentre as viagens de pesquisa que sempre faço pelo Brasil, o São João da capital maranhense está entre as mais impactantes manifestações populares que já presenciei. A pluralidade estética e diversidade rítmica são fatores que fazem de São Luís um lugar imperdível de se conhecer no país. O Boi de Leonardo sintetiza toda essa beleza, força, tradição e encanto. Apresentado pelo amigo e parceiro musical Luiz Cláudio, tive a honra de ser muito bem recebido na comunidade da Liberdade durante a cerimônia de batismo do boi e participar ativamente de um incrível ciclo até as apresentações nos Arraiais, onde tive o prazer de me vestir de vaqueiro e tocar com o grupo. Saí de São Luís tão maravilhado, que no carnaval de 2018 o Rio Pandeiro homenageou o bumba-meu-boi, construiu o seu próprio boi e dedicou o carnaval aos amigos da Liberdade. Agora, cumpro a promessa de trazer meus alunos para ver de perto, com os próprios olhos, o que é o São João do Maranhão”, conta Tadeu Campany.

 Vídeo do carnaval 2018 Rio Pandeiro – tema Bumba-meu-boi:

SERVIÇO

Intercâmbio Cultural Rio Pandeiro em São Luís do Maranhão – 20 a 30 de junho de 2019

– Oficina de Pandeiro Brasileiro:

Ministrada pelo percussionista carioca Tadeu Campany.

Dias: dias 25, 26 e 27 de junho

Horário: das 16h30 às 18h30.

Local: Convento das Mercês

Investimento: R$ 50,00

Inscrições pelo e-mail: curso.riopandeiro@gmail.com e zap: 21 98080-7115

*para iniciantes e intermediários. Pode se inscrever mesmo quem nunca tocou nada no instrumento. Teremos pandeiros para emprestar. Pagamento no primeiro dia da oficina, no próprio local.

– Oficina de Ritmos Maranhenses:

Ministrada pelo músico percussionista, arte-educador e pesquisador da cultura popular Luiz Cláudio Monteiro Farias, com presença do Boi de Leonardo.

*oficina exclusiva para integrantes do Rio Pandeiro  
Dias: 25, 26, 27 e 28 de junho.

Horário: 10h às 13h

Local: Convento das Mercês.

Sobre Tadeu Campany

Percussionista, cantor, compositor e produtor musical carioca.

É o idealizador, professor e diretor musical do Rio Pandeiro.

Natural do Rio de Janeiro, iniciou os estudos musicais no Conservatório de Música, onde iniciou a carreira de percussionista. O seu trabalho é estruturado através da frequente pesquisa das tradições populares no Brasil onde o pandeiro e os tambores têm papel fundamental e são protagonistas. 

Tadeu Campany já dividiu palcos, estúdios e gravações com grandes nomes da música brasileira, como: Danilo Caymmi, Nelson Sargento, Velha Guarda da Portela, Ivo Meireles, Sandra de Sá, Alice Caymmi, Pepeu Gomes, Carlos Malta, Pedro Luis, Walter Alfaiate, Marcos Suzano, Robertinho Silva, Peninha, Guto Goffi, João de Aquino, Wilson das Neves, Pinduca, entre outros. Atualmente, Tadeu faz parte da banda Aymoréco, do ator e cantor Chay Suede.

Autor do Livro “Pandeiro Brasileiro – Prática 1”, método com o qual ministrou workshops pelo Brasil, Europa e América Latina, difundindo através do som percussivo a brasilidade presente em efeitos, timbres e ritmos. 

Para citar alguns trabalhos, essa sonoridade pode ser ouvida no disco “Serviço” (2013), do cantor e compositor Castello Branco, “Meanwhile in Rio” (2014), do cantor e compositor inglês Jacob Perlmutter e “Spectrum”, do produtor Diogo Strausz. 

“Serviço” foi disponibilizado na internet e já ultrapassou a expressiva marca de duzentos mil downloads, o que rendeu ao artista a indicação ao “Prêmio MultiShow de Música”. “Meanwhile in Rio” foi lançado em Londres, com ótima repercussão na crítica européia. “Spectrum” foi lançado no Brasil e no Japão.

Tadeu Campany foi convidado pelo diretor Luiz Fernando Carvalho para trabalhar na preparação de elenco da novela Velho Chico, da Rede Globo. Durante 5 meses, o percussionista participou do trabalho intensivo de preparação no Projac. No início das gravações da novela, Tadeu viajou com toda a equipe para o Nordeste, também a convite do diretor Luiz Fernando Carvalho.

No teatro, Tadeu Campany participou, como músico em cena, do espetáculo “Encantados”, do ator e diretor Henrique Guimarães. No cinema, gravou na trilha do filme “Paysandu – 100 anos de Payxão”, lançado pela Urca Filmes, em 2015.

Em 2007, ao lado dos principais mestres de bateria das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, foi responsável pela direção musical de 1.500 ritmistas na apoteótica abertura dos Jogos Pan-Americanos, realizada no estádio do Maracanã, para um público presente de setenta mil pessoas. O trabalho lhe rendeu o convite para integrar a direção de bateria da Escola de samba Caprichosos de Pilares, onde atuou durante cinco anos, gravou quatro discos e ganhou o título de campeão em 2012, com o prêmio Sambanet de melhor bateria.

Em 2009, fundou o Rio Pandeiro: trabalho autoral que contempla um curso abrangente de percussão popular e um Bloco de Carnaval, que se apresenta em Laranjeiras, na Praça São Salvador, um sábado antes do carnaval e se apresenta no sábado de carnaval no Campo de São Bento, em Icaraí. Atualmente, o Rio Pandeiro conta com cerca de 200 alunos em suas turmas de Laranjeiras, Tijuca e Niterói.

Tadeu Campany se apresenta com Lucy Alves em evento de lançamento de Velho Chico

Vozes do Velho Chico: Lucy Alves emociona o público tocando ritmos do Nordeste

No vídeo abaixo, Tadeu explica um pouco do trabalho que realizou durante a novela Velho Chico, na TV Globo.

Velho Chico | Atores de ‘Velho Chico’ contam como se prepararam para a novela | Globo Play

Sobre Luiz Claudio

Percussionista, arte-educador e pesquisador da cultura popular, Luiz Claudio, natural de Belém do Pará, chegou ao Maranhão no final da década de 70. Lá desenvolveu extenso trabalho de pesquisa de campo coletando material, convivendo e aprendendo junto a grandes mestres de tambor como Mestre Bibi da Casa de Cultos Africanos Nagô, Mestre Eusébio líder Huntó da Casa das Minas, Mestre Felipe e Mestre Leonardo do Tambor de Crioula e Boi de Zabumba, Humberto do Maracanã do Bumba meu Boi e Dona Tété do Cacuriá, entre muitos outros.

Em 1984 participou do I Colóquio Internacional de Sobrevivências Religiosas Africanas na América latina e Caribe a convite da UNESCO, onde foi membro da comissão cultural, e tradutor das palestras, trabalhando ao lado de etnomusicólogos e antropólogos como Sérgio Ferreti e Pierre Verger. Em 1987 dirigiu o Beat and Beach, I encontro de percussão no Maranhão onde trouxe músicos como Robertinho Silva, Layne Redmond, Marco Suzano para shows e oficinas para a comunidade. Em 1987 criou o grupo FOGO DE MÃO, que participou do PERCPAN, Panorama Percussivo Mundial, em Salvador em 1995, a convite de Naná Vasconcelos, e do FAN em Belo Horizonte a convite de Djalma Correa, onde tocou ao lado dos grandes nomes da percussão brasileira e mundial.

Tocou e gravou com Nelson Ayres, Ceumar, Naná Vasconcelos, Chico Saraiva, a Barca, Péri, Flávia Bittencourt, Zeca Baleiro e Rita Ribeiro, Monserrat, entre muitos outros artistas nacionais e internacionais.

Em 2012, gravou no estúdio Systems 2 em Nova York com o renomado pianista brasileiro de jazz Rubens Salles, além de shows, e oficina de ritmos brasileiros para alunos da Julliard School of Music de Nova York.

No momento, Luiz se dedica ao seu projeto Encantarias, que passeia pela leitura fiel das tradições percussivas maranhenses com um EP que contou com a participação de Zeca Baleiro e Chico César e ao recém-criado Selo Zabumba Records que visa fortalecer a presença das manifestações populares no rico e diversificado cenário musical brasileiro, registrando e mapeando as diversas brincadeiras originais do estado do Maranhão.

Loopcinico

Batuques do Norte by Luiz Claudio &Trio Manari

Encantarias by Luiz Claudio

Adeus do EP Encantarias com participação de Zeca Baleiro https://www.youtube.com/watch?v=4bXNC1Kec3M

Estamos à disposição para mais informações.

Atenciosamente,

Aline Côrte Real

Produção Rio Pandeiro

21 99759-8763

curso.riopandeiro@gmail.com

Boi de Guimarães e encontro de vimarenses no Casa d’Arte

Pelo segundo ano consecutivo, o Bumba-meu-boi de Guimarães se apresentará no Casa d’Arte Centro de Cultura. A apresentação, que faz parte do projeto No caminho do farol e das comemorações dos 5 anos do espaço, acontecerá no próximo dia 27 de junho, às 20h, durante a temporada de brincadeiras, na capital.

O Bumba-meu-boi de Guimarães, que é um dos grandes expoentes do sotaque de zabumba (existe há pelo menos três gerações), é procedente do Quilombo de Damásio, localizado na zona rural da cidade de Guimarães, interior do Maranhão.

Em 2018, a apresentação do Boi, no Casa d’Arte reuniu diversos vimarenses (nome que é dado a pessoa nascida na cidade de Guimarães), com a finalidade de fortalecer a brincadeira, que teve poucos convites para brincar na capital, e que através de uma campanha colaborativa conseguiu arrecadar fundos para a permanência do grupo, na ilha.

Este ano a campanha continua, para que o Boi possa alegrar, mais e mais arraiais da grande Ilha. E o encontro no Casa d’Arte, neste ano, já deve virar tradição de encontro de admiradores da região e daquele Sotaque de Zabumba.