Maranhão na Tela: credenciais para o ambiente de mercado já estão à venda

Ingresso dará acesso à programação integral do evento, que acontecerá entre os dias 17 e 24 de outubro, no Centro Cultural Vale Maranhão/CCVM

Dezenas de convidados, entre executivos, criativos e representantes institucionais do audiovisual brasileiro estarão em São Luís, para o primeiro ambiente de mercado das regiões Norte e Meio Norte. A venda da credencial já está disponível no site da Sympla, que também pode ser acessado através do site do Maranhão na Tela (www.maranhaonatela.com.br). A credencial custa R$ 50 (profissionais) e R$ 25 (estudantes) e dará acesso a toda programação, exceto às rodadas de negócio, cujas inscrições já estão encerradas.</ o:p>

Serão oito painéis, cinco masterclasses e um laboratório de pitching, que irão acontecer entre os dias 17 e 23 de novembro, no Centro Cultural Vale Maranhão/CCVM. O Maranhão na Tela LAB faz parte da programação do Festival Maranhão na Tela e foi criado para fomentar e impulsionar as possibilidades de negócios do audiovisual produzido nesses estados. A ideia é ser uma vitrine dessa produção, aproximando fluxos de negócios e criatividade.

O evento conta com o patrocínio da Oi e do Governo do Estado do Maranhão, através da Lei de Incentivo à Cultura, do Minc e da Ancine, através do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), com apoio cultural do Instituto Oi Futuro, do Centro Cultural Vale Maranhão/CCVM, da Rede Kinoplex e do Sebrae; além de apoio institucional do Instituto de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros (Icab) e colaboração da Brasil Audiovisual Independente (Bravi). A identidade visual do evento é baseada em seis trabalhos de óleo sobre papel cartão do artista maranhense Walter Sá.

Maranhão na Tela 2018 

De 15 a 24 de novembro

Kinoplex Golden – Golden Shopping, Calhau Centro de Criatividade Odylo Costa, filho e Centro Cultural Vale Maranhão – CCVM, Praia Grande

Realização: Mil Ciclos Filmes

Venda de credenciais no site Sympla

Mais informações: assessoria de imprensa – 98 981791113

Grupo cria campanha para ajudar jornalista a pagar indenização a desembargador

Fonte: Abraji

Coletivo Carolina Maria de Jesus de Pesquisa em Jornalismo e Cultura está organizando uma campanha de arrecadação financeira para auxiliar o jornalista sergipano Cristian Góes. Ele foi condenado a pagar mais de R$ 50 mil de indenização para o desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ-SE) Edson Ulisses, por conta da publicação do texto ficcional “Eu, o coronel em mim”.

Além da indenização, Góes foi condenado a sete meses e meio de prisão, convertidos em serviços sociais, que já foram prestados. Somado aos honorários advocatícios, o montante totaliza R$ 66 mil, valor que a campanha feita no site Kickante pretende arrecadar. O prazo para doar vai até 9.nov.2018.

“Em 2013 já tinha ocorrido a campanha ‘Somos Todos Cristian Góes’ e agora, com a saída da sentença [da indenização], nós do Coletivo entendemos que se faz necessário uma resposta em solidariedade”, afirma Henrique Maynart, jornalista e membro do grupo.

Entenda o caso

O texto “Eu, o coronel em mim” foi publicado em 29.mai.2012, no site Infonet. Em um trecho da crônica ficcional, escrita em primeira pessoa, o jornalista menciona um “jagunço das leis”. O desembargador Edson Ulisses interpretou que o texto fazia referência a ele, e junto ao Ministério Público Estadual de Sergipe (MPE), moveu dois processos contra o jornalista, um criminal e outro cível.

Segundo o jornalista, processos contra comunicadores são comuns na região, onde a prática de jornalismo investigativo tem como custo uma “perseguição implacável”. “Antes desses dois processos movidos pelo desembargador, eu já havia respondido a outros, de governador, de grandes empresários, etc, mas todos em razão de minhas reportagens, das investigações jornalísticas. Ganhei todos. Jamais fui condenado. Apresentava as provas e pronto”, afirma.

Na época em que a crônica foi publicada, Góes realizava mestrado em Comunicação na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e já não atuava como jornalista profissionalmente. Atualmente, trabalha como funcionário público federal em Aracaju e é professor de jornalismo. “Quando deixei a profissão – estava cada vez mais perigoso – fazia colunas semanais na internet, em um blog, tratava de assuntos gerais, e às vezes, fazia umas crônicas literárias, usava a ficção”, conta.

A crônica não cita nomes, lugares e nem fatos concretos, mas o desembargador do TJ-SE considerou que era uma crítica ao seu cunhado e então governador de Sergipe, Marcelo Déda, e a ele. Segundo Góes, foi a primeira vez que um membro do Judiciário o processou, e desde o começo ele sabia que a condenação seria inevitável. “As duas sentenças me afetaram profundamente, primeiro por ser um texto ficcional, longe de reportagem, e não porque me envolve como pessoa, mas têm profundos reflexos em meus filhos, minha esposa, meus pais e familiares, meus amigos”, afirma.

Góes pretende contar a história dos processos em que foi condenado em um livro. “Eu entendo que essas condenações absurdas – as sentenças são vexatórias – vão além de minha pessoa. Entendo que é uma profundo e direto ataque de uma parte do Judiciário à liberdade de expressão. O mais importante é que jamais calei e calarei”, diz.

Maura Jorge já se nomeou “interventora” do Maranhão, caso #elenão seja eleito presidente

O debate entre os candidatos ao Governo do Maranhão, na TV Mirante, já serviu para dar sinais do que pode ser um eventual mandato de inspiração fascista no Brasil, caso Jair Bolsonaro (PSL) seja eleito presidente.

Durante o debate, a candidata Maura Jorge (PSL) fez várias manifestações de apoio ao #elenão, já se colocando na condição de representante local de uma eventual gestão totalitária no país.

É de amplo conhecimento que a distribuição dos cargos federais nos estados passa por acordos e alianças entre os partidos que formam coligações. Com Bolsonaro não será diferente. A gestão será compartilhada com os aliados ou pessoas designadas para ocupar funções-chave na estrutura administrativa federal.

A participação de Maura Jorge no debate foi uma constante demonstração de que ela será uma espécie de “primeira ministra” ou interventora do governo federal no Maranhão, servindo como base de um eventual governo #elenão

Bolsonaro já fez várias declarações contra “os comunistas do Maranhão”, referindo-se ao governo Flávio Dino (PCdoB). Em sintonia, Maura Jorge usou o debate para atirar pesado contra o governador candidato à  reeleição.

Espera-se que a conjuntura de hostilidade no país não chegue ao absurdo de interditar os mandatos dos(as) governadores(as) eleitos(as) e colocar prepostos nas administrações estaduais.

Porém, é óbvio que pessoas como Maura Jorge serão prestigiadas. Originária do coronelismo regional de Lago da Pedra, Maura Jorge se orgulha de ser #elenão

Sendo assim, não se descarta a montagem de governos paralelos com a força da máquina federal sobre os estados. Em outras circunstâncias isso já foi feito, a exemplo dos boicotes operados por José Sarney (MDB) contra o então governo Jackson Lago (PDT) no Maranhão.

Se foi assim na democracia, imagina com #elenão

O passado ajuda a entender o presente e perceber as afinidades. Em um eventual segundo turno no Maranhão será óbvio o alinhamento entre Roseana Sarney (MDB) e Maura Jorge.

E o velho José Sarney, fiel a todos os governos federais desde a Ditadura Militar, será um aliado de primeira hora do #elenão.

Qualquer observador da política sabe que o controle dos cargos federais nos estados pode ajudar ou atrapalhar as gestões dos(as) governadores(as). O mesmo se diz na relação entre as gestões estaduais e as prefeituras.

Resta agora trabalhar muito para evitar que o Maranhão corra o risco de ser transformado em uma grande Lago da Pedra.

Após o golpe no PT, grupo Sarney apela para Lula

Na iminência de ser derrotada logo no primeiro turno, a candidata Roseana Sarney (MDB) busca colar sua imagem à de Lula (PT), o principal “cabo eleitoral” do Maranhão.

O programa de TV exibido na noite de ontem (1º) insere um depoimento de Lula fazendo declarações de apoio a Roseana. A propaganda recorta o trecho de um discurso em que o petista exalta a lealdade da candidata.

A fala de Lula em elogio à filha de José Sarney é de campanhas passadas, quando o PT e o PMDB eram aliados, nas eleições de 2006, 2010 e 2014. Nesse período, o petista fez várias declarações de apoio a Roseana.

Lula e Sarney: relações cortadas em 2018

Em 2014 o candidato do grupo Sarney ao governo do Maranhão, Edinho Lobão (PMDB), filho do senador Edison Lobão (PMDB), também recebeu apoio de Lula e do PT, oficialmente coligado ao PMDB.

Mas, a partir de 2016, durante o processo do impeachment da presidente Dilma Roussef (PT), liderado pelo PMDB, José Sarney marchou com Eduardo Cunha e Michel Temer, comandando a votação da sua bancada de deputados e senadores para degolar a petista.

Após o impeachment, quando a Lava Jato mirou na prisão de Lula, Sarney também negou solidariedade ao petista, estrangulando as relações entre o PT e o PMDB em 2018. Estão, portanto, rompidos.

Mudança de rumo

Oficialmente, o PT nacional e Lula já declararam apoio ao governador Flávio Dino (PCdoB), candidato à reeleição.

Dino fez vários movimentos liderando politicamente a defesa de Dilma Roussef e de Lula durante todo o processo do impeachment, no curso da prisão do ex-presidente petista e na campanha Lula Livre.

O PCdoB compõe a chapa de Fernando Haddad (PT), com a candidata a vice-presidente Manuela Dávila. Na eleição para o Governo do Maranhão, o PT apoia a reeleição de Flávio Dino.

Antes de ser preso, Lula encerrou a caravana pelo Nordeste em um ato público na porta do Palácio dos Leões, ao lado do governador Flávio Dino. Estava selada, naquele momento, a aliança entre o PT e o PCdoB.

Roseana Sarney, ao exibir a declaração de Lula sobre lealdade, tenta uma reaproximação artificial e tardia, em tom de desespero.

Os pobres na propaganda eleitoral

As campanhas eleitorais sempre trazem novidades, mesmo que sejam retrógradas e antigas, mas recauchutadas. Uma delas é a presença dos pobres na TV e no rádio. Talvez seja esta, a propaganda eletrônica, o único momento de protagonismo dos excluídos.

Vez por outra vejo na TV, na retórica(!) do candidato ao governo Roberto Rocha (PSDB), um lavrador falando da sua condição e dificuldades da labuta da terra.

No começo da campanha eletrônica, o candidato a senador Sarney Filho (PV) colocou no seu programa uma estrela das quebradeiras de babaçu… dona Nice do PT, referência na luta dos oprimidos.

Não condenemos Dona Nice. Ela não tem culpa. É duplamente massacrada pelo capitalismo excludente e pelo assédio no tempo em que vaca desconhece bezerro – a eleição!

Nunca nesta vida, e nem nas outras passadas, o filho de José Sarney foi aliado das mulheres que labutam no coco e no machado, na luta pela preservação das riquezas naturais. Apenas na TV, falsamente.

A televisão tem esse poder de estimular a sociedade do espetáculo, segundo o filósofo francês Guy Debord, traduzindo a ideia de que o povo no geral aparece, mas não participa. E, quando aparece, é sempre na condição de oprimido ou plateia.

Há controvérsias sobre as teses de Debord. Eu gosto das ideias dele, mas tenho simpatia por Martín-Barbero. E não considero deus nenhum dos dois, porque para mim teoria não é religião!

A condição de plateia é um dos argumentos de Debord para criticar a democracia burguesa. O povo, no geral, vota, mas não participa. Tem uma aparência de efetividade na política, mas está na dependência de um líder, guia, guru ou operador, sob o manto do poder econômico. Segundo Debord, o povo é sempre plateia no palco espetacularizado da eleição.

Eis o sentido do espetáculo no qual o próprio oprimido participa da opressão, sob o manto da democracia.

Isso faz todo sentido quando observamos a narrativa da operação Lava Jato, estruturada em capítulos, como série ou telenovela, colocando o povo à espera do novo preso e do espetáculo da operação da Polícia Federal na TV.

A judicialização da política, combinada e articulada à mídia (Rede Globo), é o ápice da construção do espetáculo nas manchetes dos telejornais.

Esta narrativa sempre teve como vilão o PT e “principal criminoso”, “o bandido”, “Lula”, em contraponto ao mocinho “Sergio Moro”. A mídia, em parte, combinada à Lava Jato, construiu esse consenso facilmente adaptável ao senso comum: o mocinho “Sergio Moro” e o bandido “Lula”. É novela, ou não é!?

O pedreiro quando chega a casa, após um dia cansativo de trabalho na obra, assiste ao Jornal Nacional e tende a aceitar a narrativa majoritária. Ou não! Pode refutá-la! Por isso não gosto de igrejas teóricas no âmbito das Teorias da Comunicação.

A arquitetura jurídico-midiática-parlamentar ajudou a construir (ou fortalecer) uma figura singular, no âmbito do fascismo: “o pobre de direita”, eleitor de Jair Bolsonaro. Não devemos condenar essas pessoas, apenas entender a dinâmica da política e as origens do totalitarismo, que estão na mobilização do capitalismo para se adaptar às novas circunstâncias ultraliberais – o mercado é a única narrativa capaz de “salvar” a humanidade.

O inominável, embora seja produto da onda fascista, cresce fora dos meios convencionais de comunicação, pelas redes sociais, mas o debate da TV aberta (TV Globo) será o momento decisivo. A Globo vai aderir à onda ultraliberal?

Veja você como a democracia no Brasil ainda precisa de aperfeiçoamento.

As regras da propaganda eleitoral na democracia contemporânea elaboram o discurso da participação, mas reduzem os excluídos às pequenas aparições caricatas da pobreza e eliminam os partidos menores do horário na TV. Que democracia é essa que impede o PSTU de falar na TV?

Os pobres, quando aparecem reclamando da ausência de políticas públicas nos programas eleitorais dos partidos liberais, são colocados na posição de “inocentes úteis”, ensaiados nas estratégias dos marqueteiros, apenas como linha auxiliar dos poderosos.

Feito este preâmbulo, é fundamental afirmar!

Votamos no 13 sem pestanejar, contra o fascismo. Mas, não basta eleger Fernando Haddad (PT). Se for para repetir os erros de Lula, vale a pena (?!). É fundamental que o novo mandato petista seja o meio para a reconstrução da democracia no Brasil, em sentido pleno, que não será possível discorrer aqui.

No essencial, para fazer justiça ao título desse artigo, é fundamental atender os pobres além do assistencialismo, inclui-los de fato na produção, na economia, na estratégia. E não apenas nos programas eleitorais.

É uma tarefa difícil, porque significa uma declaração de guerra ao capitalismo, ato de afronta à ordem internacional.

Participação, no sentido pleno da democracia, foi reduzida a pequenas aparições dos pobres nos programas eleitorais, reclamando da ausência de políticas públicas, vez por outra colocados na posição de “inocentes úteis” nas estratégias dos marqueteiros.

A democracia é um horizonte; Vamos de Haddad, buscando o caminho, sabendo que será difícil.

Memórias do Armazém São Bento

A fotografia é do Armazém Geral, em São Bento, uma das cidades mais antigas do Maranhão, localizada na Baixada Maranhense.

Tudo indica que deve ser da década de 1950 ou anterior.

Uma das riquezas de São Bento, são os lagos, os campos alagados da Baixada Maranhense.

É provável que esse armazém ficava às margens do Igarapé Vale do Conduru, que era a principal ligação de São Bento com a Baia de São Marcos.

O igarapé foi muito usado antes das estradas de asfalto. É navegável por barco à vela e pequenas embarcações a motor.

O seu volume de água doce tem forte influência das marés.

Texto: José Reinaldo Martins / Agenda Maranhão

Hoje! Apruma celebra 40 anos com palestra, exposição fotográfica, homenagens e chorinho

Acontece nesta segunda-feira, 24 de setembro, a partir das 18h, no Palácio Cristo Rei, sede da Reitoria da UFMA, na Praça Gonçalves Dias, Centro de São Luís, a cerimônia de lançamento da programação dos 40 anos de fundação da Apruma Seção Sindical. Devem comparecer docentes da Universidade Federal do Maranhão estão convidados, além de autoridades, representantes de outros sindicatos e movimentos sociais e da CSP Conlutas, central à qual a Apruma e o Andes são filiados.

O evento contará com a palestra “40 Anos de lutas e conquistas do movimento docente”, ministrada pela professora Franci Cardoso, segunda mulher a presidir a Apruma, no biênio 1995/1997 (ela retornou à presidência no início dos anos 2000), e pelos professores Agostinho Ramalho Marques Neto (presidente entre 1981/1983) e Antonio Gonçalves, atual presidente do Andes Sindicato Nacional e também por duas vezes presidente da Apruma.

Homenagens

Durante a cerimônia também serão homenageados, entre outras personalidades, os professores e professoras que estiveram à frente do movimento docente desde a constituição da Apruma como associação (posteriormente transformada em Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional), em especial, aqueles que participaram da fundação da entidade.

Exposição

Haverá ainda o lançamento da exposição itinerante “40 anos de lutas e conquistas” que, depois da cerimônia no Palácio Cristo Rei, será levada aos centros e campi da UFMA, junto com o desenrolar da programação, que culminará com a festa de confraternização dos docentes em dezembro deste ano, como explica a professora Sirliane Paiva, presidente da Apruma.

A exposição mostrará momentos marcantes da história de luta dos professores e das professoras da Universidade, como a greve de fome feita em 1998 em defesa das universidades federais.

A cerimônia será encerrada com coquetel de confraternização e a apresentação do Instrumental Pixinguinha, tradicional grupo de choro maranhense.

VIOLÊNCIA S/A: indústria de armas e a onda fascista no Brasil

por Ed Wilson Araújo, especial de domingo 23/09/2018

No Brasil dominado pelo medo e carregado de ódio, a invasão de equipamentos de segurança caminha a passos largos, simultaneamente ao discurso da aquisição de armas de fogo pelo cidadão comum.

No balcão da violência, o capitalismo movimenta o veneno – a indústria de armas; e o antídoto – os equipamentos de defesa e proteção: alarmes, cercas elétricas, sensores de presença, câmeras e radares.

Operam neste balcão 10 grandes empresas, entre elas a fabricante de cercas elétricas e armas consideradas de “tiro esportivo” – a Rossi; e a gigante do mercado bélico – a Forjas Taurus S/A.

O negócio da violência tem uma grande expectativa com a eleição de Jair Bolsonaro e a derrubada do Estatuto do Desarmamento, instituído em 2003, por meio da lei nº 10.826, que dispõe sobre registro, posse e comercialização de armas de fogo e munição.

Esta legislação é um empecilho ao livre comércio de armas no Brasil, porque impõe uma série de restrições para a aquisição e porte de equipamentos letais.

A indústria da violência, portanto, é uma das principais interessadas na eleição de um presidente que possa eliminar as barreiras legais que impedem o livre comércio de armamentos.

Cercas e câmeras movimentam altos custos

Esse cenário ganha mais força no ambiente de proliferação das ideias fascistas e na ascensão da candidatura de Jair Bolsonaro. Para o triunfo desse discurso, é necessária a disseminação de uma sociedade do medo e da violência, coroada de ódio.

Bolsonaro não faz gesto de artilharia à toa.

A Forjas Taurus, mencionada acima, é apenas uma das 10 empresas o ranking da indústria de armas que opera no Brasil, da pistola ao míssil. A lista inclui também as empreiteiras Odebrecht e Andrade Gutierrez, conforme abaixo.

Indústria Bélica Equipamento
Helibras: pertence ao grupo europeu EADS – fabrica helicópteros de guerra
Forjas Taurus, desde 2014 sob o controle majoritário da CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). – produz de revólveres até submetralhadoras
Embraer – constrói de caças a sistemas de monitoramento
Iveco: fabrica também caminhões e ônibus da marca Fiat – faz carros de combate
Avibras – fabrica mísseis e aviões não tripulados
Odebrecht: em 2011 comprou o controle da Mectron, uma fabricante de mísseis – constrói estaleiro para submarinos militares
Andrade Gutierrez: criou uma joint-venture com a francesa Thales, especializada em câmeras de monitoramento, radares e equipamentos para vigilância. – tem foco em segurança urbana e de fronteiras
CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos), desde 2014 é majoritária no controle acionário da Taurus. – fabrica munição militar e para segurança pública
Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil): estatal vinculada ao Ministério da Defesa. – fornece armas portáteis, munição, explosivos e equipamentos de comunicação para o Exército
Rossi – foco em armas esportivas
Fonte: Revista Exame

Há portanto, uma simbiose no negócio da violência, de tal forma que algumas empresas operam simultaneamente na fabricação das armas letais e dos equipamentos de proteção.

CBC ficou maior no controle da Taurus

Outro dado relevante é o papel da CBC, principal fornecedora de munição, insumo de alta rotatividade que exporta cerca de 70% de sua produção para mais de 40 países.

Desde 2014 a CBC passou a ser majoritária na participação acionária da Forjas Taurus. Esta convergência de capital no ramo de armamentos tornou a CBC/Taurus controladora da maior parte do mercado de armas no Brasil, fornecendo principalmente para os órgãos de segurança pública.

Intervenção Federal

Desencadeada no curso da operação Lava Jato, a incitação ao ódio detonou uma sensação generalizada do medo e desencadeou no senso comum e em parte da classe média o uso da arma como forma de defesa.

No Congresso Nacional, o lobby dos partidos conservadores pela revogação do Estatuto do Desarmamento caminha de mãos dadas com a redução da idade penal. Essa combinação explosiva tem o objetivo de provocar o encarceramento em massa, principalmente dos mais jovens, criando um ambiente ainda mais proliferador do discurso da violência. Bordões como “bandido bom é bandido morto” não soam por acaso. Tem materialidade em um produtivo ramo do capitalismo que opera na desgraça humana e prega o retorno ao estado pré-político: a guerra de todos contra todos.

Munição é insumo de alta rotatividade no mercado da violência

Assim, a revogação do Estatuto do Desarmamento, combinada à redução da idade penal e à militarização das polícias estão em sintonia com a produção de um discurso da violência fundamental ao crescimento da indústria de armamentos.

Enquanto a revogação do Estatuto do Desarmamento não vem, o Brasil já começa a flexibilizar a legislação, permitindo a abertura do comércio de armas ao comércio estrangeiro, através da Portaria 841, de 4 de setembro de 2017, da Casa Civil, autorizando a Ruag Indústria e Comércio de Munições a operar no país.

As imagens de Jair Bolsonaro simulando um atirador são a etapa intermediária de um processo mais complexo, demarcado pela intervenção federal no Rio de Janeiro, quando o presidente da Forjas Taurus, Salésio Nuhs, entregou 100 fuzis e 100 mil munições ao interventor, general Braga Netto, durante a entrevista coletiva no Forte de Copacabana.

E as munições foram doadas por quem? Pela CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos). Faz todo sentido.

Era só o começo de algo que pode ficar pior, caso Bolsonaro vença as eleições em 2018.

Imagem do topo: O presidente da Taurus, Salésio Nuhs (E), entrega simbolicamente 100 fuzis ao interventor federal, general Walter Braga Netto, em ato marcante durante a intervenção federal na Segurança do Rio de Janeiro. Foto: Marcelo Theobald / Agência O Globo.